Bairros

Chikungunya: Bauru tem 1.º caso, mas secretário descarta circulação do vírus

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan
Não houve casos secundários porque vírus apresenta sintomas em até uma semana, explica Monti

Foi confirmado nessa quinta-feira (24) o primeiro caso de febre chikungunya em Bauru. Trata-se de uma mulher de 60 anos, moradora da cidade e que teve início dos sintomas em 11 de janeiro. O vírus teria sido contraído durante uma viagem que ela fez a Malta e Patos, duas cidades do Estado da Paraíba.

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti disse que o caso foi monitorado de perto pela pasta e descartou a presença do chikungunya vírus (CHIKV) circulando em Bauru. A preocupação existe já que o vírus é transmitido pelo Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue, doença que causou um óbito nos últimos dias e alcança 537 casos na cidade. No início deste ano, um caso autóctone de zika vírus também foi detectado em uma gestante.

“A rede pública assumiu o caso [da chikungunya]. Ela foi tratada e já está bem. Realizamos monitoramento de perto e não houve casos secundários. E o vírus apresenta os sintomas em até uma semana”, explica o secretário. “Portanto, o vírus não está circulando em Bauru. Temos registro das três doenças, mas não somos transmissores de todas. Em um levantamento detalhado, identificamos que a área para onde essa pessoa viajava possui casos registrados da febre”, ressalta Monti.

Conforme o JC tem noticiado, o principal sintoma da chikungunya são dores intensas nas articulações. É um vírus transitório, mas o tratamento, que é feito com remédios que aliviam os sintomas, pode levar meses.

Monitoramento

A Secretaria de Saúde não forneceu mais detalhes a respeito da paciente. Completou apenas que ela teria embarcado rumo à Paraíba no dia 4 de janeiro e retornado no dia 11, data em que começou a sentir os primeiros sintomas.

Ao longo da doença, ela apresentou febre, mialgia (dor muscular), cefaleia (dor de cabeça), exantema (erupção cutânea), prurido (irritação e coceira) e fraqueza. O tratamento foi acompanhado tanto pela rede privada quanto pela rede pública de saúde.

O caso é monitorado pela secretaria desde a suspeita clínica. “A procura pelo auxílio médico foi rápida e o diagnóstico também. Tomei conhecimento do caso antes mesmo do exame, o profissional que atendeu é uma colega e me alertou sobre a possibilidade”, pontua Monti.

O resultado do exame laboratorial que confirmou o 1.º caso da doença em Bauru foi liberado nesta semana.

Não houve nenhum tipo de orientação extra na rede de Saúde, já que, segundo o secretário, os agentes já estariam em alerta em relação não só a febre chikungunya, mas ao zika e à dengue.

Incapacitante

A chikungunya é mais incapacitante que a dengue e o zika. Ela teve os primeiros casos registrados no País em 2010, depois de fazer vítimas nos últimos anos pela África e Ásia.

Na época, o vírus era considerado menos letal do que a dengue. “Mas volta e meia tem aparecido alguns casos de óbito e de evoluções graves. Ainda não há um diagnóstico fechado, é algo em estudo”, comenta o secretário.

Outra diferença é que a dengue possui quatro sorotipos, o que possibilita que o paciente volte a ser infectado, com chances de desenvolver a dengue hemorrágica. Já a febre chikungunya possui apenas um sorotipo conhecido. “É o que se acredita, mas já houve cogitação de outro sorotipo, como eu disse, é uma doença em estudo. Não sabemos se o mesmo paciente pode voltar a ter”, frisa Monti.

A chikungunya também possui outro mosquito transmissor: o Aedes albopictus. “Mas é um mosquito que, se tivermos em Bauru, é em uma densidade muito pequena. É um mosquito mais presente em regiões frias no mundo”, acrescenta o secretário.

Diagnóstico

A doença tem uma sintomatologia parecida com a da dengue. Elas pertencem a grupos virais diferentes, mas ambas são caracterizadas por febre alta e repentina, dor de cabeça e muscular, erupções na pele, vômitos e diarreia. O diagnóstico é feito por meio de exame de sangue específico.

O tratamento é realizado com a administração de analgésicos e antitérmicos, além de hidratação constante. Em alguns casos, há necessidade de introduzir medicamentos anti-inflamatórios e até fisioterapia.

Ataque ao Aedes

Neste sábado, em mais uma ação da campanha “Todos Juntos contra o Aedes aegypti”, as equipes da Divisão de Vigilância Ambiental, da Secretaria Municipal de Saúde, percorrerão a região dos bairros Núcleo Habitacional Edson Bastos Gasparini, Vila São Paulo e Pousada da Esperança. Para dar início à atividade, as equipes se dividirão em vários pontos de concentração nos bairros citados, sendo um deles a quadra 5 da rua Benedito Matos, na Vila São Paulo, às 8h.  Desde o início, a campanha já visitou 7.120 imóveis nos jardins Carolina, Redentor e Bela Vista.

Mais 154 casos de dengue confirmados

O Instituto Adolfo Lutz confirmou nessa quinta-feira (24) à Secretaria Municipal de Saúde 154 novos casos autóctones de dengue. Assim sendo, o município totaliza, até o momento, 537 casos da doença, sendo 513 autóctones e 24 importados e um óbito. Os resultados são referentes a exames coletados na primeira quinzena de fevereiro. 

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