| Calil Neto |
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| “Lavadeiras” contam a história de “O menino e sua bacia” com as formas e os objetos animados |
Você acredita que itens da sua lavanderia podem contar histórias fantásticas? Nas mãos dos artistas da Cia Mariza Basso Formas Animadas, cesto, esponja, prendedores e outros objetos se transformam em personagens no espetáculo “O menino e sua bacia”, que estreia nesta sexta-feira (25), às 20h, no Teatro Municipal de Bauru. A entrada é franca.
O texto inédito do filósofo, professor, escritor e poeta bauruense Luiz Vitor Martinello foi transportado na íntegra para a peça, que conta as aventuras de um menino ao pular na bacia e soltar a imaginação enquanto sua mãe estende a roupa no varal.
O espetáculo, indicado para crianças a partir de sete anos, promete encantar o público de todas as idades. “É um trabalho bem poético e plástico, no qual usamos a simplicidade para transformar o cotidiano em algo lúdico”, aponta Mariza Basso.
Contemplado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (Proac), “O menino e sua bacia” irá percorrer diversas cidades do interior paulista e é possível que só volte a ser apresentado em Bauru no segundo semestre. Por isso, aproveite a sessão de hoje!
Novidades
“O menino e sua bacia” inova em relação aos trabalhos anteriores da Companhia de Mariza Basso, especializada no teatro de bonecos e formas animadas.
“A linguagem é a mesma, mas nesta peça mudamos a estética com trabalho cenográfico, ambiência sonora, música ao vivo e cantada à capela e atuação. Em vez do fundo escuro, são atrizes caracterizadas como lavadeiras, que contam a história com os objetos”, explica Mariza, que divide a direção com seu mestre, o diretor Evaldo Barros, de Curitiba. Ele morou em Bauru no fim dos anos 80 e trabalhava na Casa de Cultura quando Mariza começou no teatro.
“Mantenho ligação forte com a cidade e é um privilégio estar aqui para esse trabalho. Estou satisfeito com a montagem, ficou muito bonita de ver”, disse Evaldo à reportagem, lembrando que há quase 30 anos levou para o teatro o texto “Os anjos mascam chiclete”, também de Luiz Vitor Martinello, em uma feliz coincidência.
Ficha técnica
A saber: a montagem tem direção de Mariza Basso e Evaldo Barros, preparação vocal de Emer Pol, cenografia de Marcio Innoccenti e produção executiva de Kyn Junior. No elenco, Mariza Basso, Julio Hernandes e João Bonnate.
O espetáculo é uma realização do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura e Mariza Basso Formas Animadas. Apoio Cultural: ATB - Associação de Teatro de Bauru e Região, Prefeitura Municipal de Bauru, Secretaria Municipal de Cultura e Serviço Social da Indústria – Sesi Bauru.
Para saber mais acesse https://www.marizabasso.com.br.
Serviço
“O menino e sua bacia”: apresentação hoje, 25/03, às 20h, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves (avenida Nações Unidas, 8-9). Entrada franca.
| Malavolta Jr. |
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| O autor Luiz Vitor Martinello |
Dos livros para o teatro
Querido e conhecido em Bauru principalmente como professor (44 anos de sala de aula) e poeta (por essência), Luiz Vitor Martinello tem seu segundo texto levado para o palco pela Cia. Teatral Mariza Formas Animadas; antes, o grupo encenou “O sapato que sabia andar”. “Foi uma adaptação livre, criativa, bem humorada e instigante do livro. ‘O Sapato’ percorreu um longo caminho por cidades da região, passou pela Capital, foi ao Paraná, ao Rio de Janeiro...”, relembra. Agora, está animado com a estreia de “O menino e sua bacia” e fala um pouco sobre sua obra.
JC: O texto foi escrito para o teatro?
Luiz Vitor: “Lembrando a Inês, de Camões, estava o livro ‘posto em sossego’ num dos arquivos de meu notebook, quando a Mariza Basso perguntou-me se eu tinha algum livro infantil ou infanto-juvenil inédito para um projeto do Proac. Resumindo, disse que sim, mas que era um livro diferente, que o importante nele era a linguagem literária, fora dos conformes tradicionais, pois que as crianças tinham o direito de ler livros cuja linguagem já as encaminhasse para a literatura. Para minha surpresa, ela não só aceitou, como disse que seu projeto era levar o livro inteiro, textualmente, para o palco”.
JC: Como é escrever para crianças, hoje tão “digitalizadas”?
Luiz Vitor: “É verdade! Minha netinha de 1 ano e quatro meses briga com o irmãozinho de 4 anos porque querem ao mesmo tempo o celular. Ela, porque o celular acende, tem ‘botões’ de apertar. Ele, porque encontra no celular o que sua imaginação e fantasia desejam: historinhas, super-heróis, etc. Essa fantasia, essa imaginação sempre estiveram e ainda estão nos livros infantis. O que muda é o suporte. E quer saber, acredito que até hoje, se for ver, ainda não cresci e talvez escreva mesmo é para a criança que há em mim”.
JC: O que significa ver sua história no palco?
Luiz Vitor: “É um estado de contentamento. O teatro é outro suporte artístico, a gente vê com outros olhos, se ilumina ao ver que há todo um envolvimento de toda uma equipe debruçada sobre sua obra, fazendo-a a mesma e ao mesmo tempo outra. Me comove”.
JC: Há projetos de novas publicações?
Luiz Vitor: “No fim de abril, ou começo de maio, sai o livro ‘O menino e sua bacia’, pela Canal 6 Editora, com ilustrações de Wanda Cardim. Ainda neste ano, pretendo lançar um novo livro de poesia, que também está “posto em sossego” em meu notebook: ‘Jogando poesia fora’”.

