O PMDB sai do governo não para ser oposição, mas sim para ficar na expectativa de ser governo, agora como protagonista. A questão que se coloca é: e agora? Evidentemente que enquanto não houver a votação do eventual impedimento da presidente Dilma Rousseff, permanecerá o ambiente especulativo como o que se observa atualmente.
Um termômetro sempre será o mercado de capitais. Diariamente, principalmente os mercados de ações e do dólar, refletirão as incertezas que norteiam a economia brasileira, incertezas essas potencializadas pelo conturbado ambiente político.
Na prática, se deixarmos de lado as nossas preferências, críticas ao atual governo e até mesmo questões ideológicas, o desejo é que o País reencontre o caminho do crescimento e do desenvolvimento econômico. Para que isso ocorra, a primeira coisa a ser conquistada é a confiança dos agentes econômicos. Talvez aí resida o maior esforço de quem comanda ou comandará o Brasil. É certo que o atual governo perdeu a credibilidade e neste caso, não há confiança, portanto, tudo que fizer a reação será na economia será pífia.
Também o atual governo não tem sido capaz de fazer o básico, que é conter o déficit público. Para exemplificar, o desempenho das contas públicas do governo central em fevereiro deste ano apontou rombo acima de R$ 25 bilhões, o que é assustador e, o que é pior, sinalizando com um buraco na ordem de R$ 96 bilhões para o ano fechado. Não há modelo econômico que se sustente no longo prazo.
O que vem ocorrendo é que podemos chamar de encruzilhada, pois o correto seria a atual equipe econômica agir em questões estruturantes, de longo prazo, como, por exemplo, equacionar a Previdência Social, mas para isso precisa do Congresso Nacional, que está paralisado diante do mar de lama da política. Não avançando, portanto, nesta direção. Teria que agir no curto prazo, com estímulos à economia, mas a falta de confiança de tamanha grandeza que tudo que fazem ou fizerem terá pouco ou nenhum efeito prático.
Em que reside a expectativa, então? Em um choque de gestão que estabeleça um novo modelo econômico para o País. Evidentemente que não será tarefa fácil e o PMDB, se assumir o governo (pela linha sucessória, havendo impedimento da presidente Dilma, o vice-presidente Michel Temer assumiria), terá que costurar um verdadeiro pacto pela governabilidade, tendo, se isso ocorrer, o PT como oposição.
O programa do PMDB denominado “Uma ponte para futuro”, tornado público em outubro do ano passado, dá uma pista, salvo mudanças de curso (em política tudo é possível) de qual caminho que o partido quer tomar. Talvez o principal desafio nesta linha seja conseguir alterações na Constituição, principalmente quando se fala em orçamento impositivo, acabando com as verbas vinculadas e, ainda mais, com o fim da indexação em contratos e salários, entre outros pontos polêmicos. De qualquer maneira, há uma estratégia e isso já é grande feito.
Se de um lado o ambiente político dará o tom do comportamento dos agentes econômicos no curto prazo, de outro lado há dois caminhos: o do mais do mesmo ou o possível novo. Por tudo que vem ocorrendo no país, pensando em sair da crise, o possível novo abra muito mais possibilidades, então, se tiver que ocorrer que seja com mais brevidade possível. E agora? Paciência é o indicativo.
O autor é economista, articulista do JC