Lá está, bem no fundo daquele poço seco o menino chamado Brasil, que chora de frio, de fome, de sede e de medo, e que àquela deplorável situação chegou por acreditar no que lhe afirmaram, que o terreno onde pisava era firme, era sólido, o que não correspondia à realidade.
Deixando de lado a metáfora, o país Brasil vive na atualidade um de seus piores momentos, só comparável ao que aconteceu em duas ocasiões distintas: em agosto de 1954, quando Getúlio Vargas, num ato extremo, saiu da vida e entrou para a história, e em 31 de março de 1964, quando emergiu do golpe a ditadura militar.
Afinal, quem, em sã consciência, haveria de supor que aquele metalúrgico barbudo, que na década de 60 tirava o sono dos novos donos do poder, liderando a greve da categoria que lotava um estádio de futebol na Vila Euclides, fundaria um partido político, e depois, após fragorosas derrotas nas urnas para os seus concorrentes, finalmente chegaria ao poder, sendo eleito presidente por dois mandatos, período em que foi abduzido pelo lado negro e podre da força, faria a sua sucessora, para tudo terminar, nesse início do segundo mandato dela, nessa ópera bufa, nesse triste espetáculo de Vaudeville, ambos enlameados até a medula pela mais sórdida corrupção, ele, sendo nomeado ministro da casa civil às pressas para escapar da prisão, a cumpanheirada quase quase toda ela puxando uma cana dura, e ela, a rainha má de Alice no País das Maravilhas, com a espada de Dâmocles (leia-se Impeachment) pesando sobre a sua cabeça.
Diante do negro quadro, cabe uma pergunta: há luz no fundo do poço, ou no fim do túnel?