Sou prudentina de nascença. Lá passei minha infância e parte da adolescência, mas minhas melhores férias eram em Bauru, cidade natal de meus primos. Em casa, éramos cinco filhos. Em Bauru, eram cinco filhos também, com idades semelhantes às nossas e a professora Celia Silva Guimarães Barros, minha tia, era psicóloga e o clima de brincadeiras e alegria era muito bom.
Meu primo Odilon organizava uma das brincadeiras com base em seu desejo de ser geógrafo, fato que não se consumou. Tornou-se jornalista. Nestas ocasiões, uma das nossas brincadeiras, versava sobre comparar as duas cidades: Bauru e Presidente Prudente. Odilon fazia um levantamento via lista telefônica (os dados mais modernos que tínhamos) sobre as duas cidades e comparávamos qual era melhor. Quantos cinemas tinha em cada uma? Quantas igrejas? Quantos restaurantes? Quantos habitantes? Etc... Sempre quem ganhava era Bauru, pois a pesquisa tinha por base a quantidade.
Quando casei, assumi Bauru como minha cidade e já vivi mais tempo aqui do que lá. São quase 45 anos aqui. Meus filhos são bauruenses e aprendi a amar esta cidade como minha. É a cidade de meu coração. Mas...
Cada vez que vou visitar Presidente Prudente, volto desanimada com Bauru. Vejo uma Prudente bonita, limpa, quase sem buracos. Estranhei ter tido epidemia de dengue lá apesar da qualidade a olhos vistos da cidade e perguntei sobre isso. Fui informada que como é um centro rodoviário regional, passam por lá pessoas de toda a região, o que faz alastrar a incidência das doenças endêmicas.
Quando volto para casa e entro na nossa cidade Bauru, vejo muitas pichações em prédios, viadutos, placas de trânsito etc.. São anos e anos de administrações que não dão conta dos problemas da cidade. As ruas parecem tobogãs... o mato altíssimo dificulta a locomoção dos carros e colabora com acidentes. Agora eu vejo que Presidente Prudente ganha sim de Bauru, tendo como argumento não a quantidade, mas a qualidade.
Quando será que restauraremos em Bauru uma administração que consiga ter um olhar para as ruas da cidade e consiga recapeá-las? Que tome providências antes das grandes chuvas, que vença os matos que crescem nos terrenos baldios, que acabe com as pichações, coordene a saúde pública com presteza, valorize os educadores...
Enfim, cuide de Bauru e dos bauruenses como merecemos ser cuidados para que possamos nos orgulhar de nossos administradores e ficarmos felizes por voltarmos à nossa querida cidade.
Não consigo me esquecer do poema do professor poeta Luiz Vitor Martinello: “Bauru, qual foi o urubu que cagou no seu baú?”