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Dois argentinos: Um violão, três países e muitas histórias

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
Matias, 23 anos, e Javier, 25, cantam música cubana e colombiana nos semáforos de Bauru

Quem passou pelo semáforo da rua Rio Branco com a avenida Duque de Caxias, na região central de Bauru, nessa segunda-feira (4) à tarde, se surpreendeu diante da animação dos argentinos Javier David Araya, 25 anos, e Matias Ezequiel Perez, 23. Eles decidiram trocar o conforto de suas casas para embarcar em uma viagem com destinos incertos. De onde eles tiram dinheiro para viver em constantes férias ou “vacaciones”, como dizem? Da música.

Javier, mais “chegado” ao português, contou a história da dupla à reportagem. Ele, nascido em Neuquén, bem no início da Patagônia, chegou a estudar psicologia e artes visuais, mas a rotina o entediava. Há um ano e meio, o jovem decidiu viajar, sozinho, para Mendoza, onde veria o show de uma banda de rock. Depois, seguiu para Córdoba. Lá, ele conheceu Matias, que estava de férias do emprego que tinha em uma empresa de telemarketing.

Javier deu continuidade à viagem. De lá para cá, o rapaz percorreu de norte a sul da Argentina e da Bolívia, além de quatro Estados brasileiros, sendo: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Matias, por outro lado, voltou para casa, mas mudou de ideia depois de certo tempo. Os amigos, enfim, se reencontraram em Araçatuba no dia 3 de junho de 2015 e, desde então, passaram a viajar juntos.

Em agosto do ano passado, chegaram a Bauru, onde conheceram os moradores da república do Congo, uma moradia estudantil do município. Não demorou muito para que os hermanos se enturmassem e aqui ficaram por um mês. Eles seguiram para o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Agora, retornaram ao município e estão hospedados na mesma república. Daqui, a dupla percorrerá outras cidades brasileiras até a Bolívia.

O objetivo, segundo Javier, é conhecer o Peru, o Equador e a Colômbia. Em seguida, terá de dar uma pausa e voltar para o casamento de seu irmão. Por enquanto, a dupla não pensa em conhecer países fora da América Latina. “Quero conhecer Cuba também, antes que o ‘monstro do norte’ a coma”, brinca o argentino, que considera a rotina de trabalhar e estudar “aburrida”, ou seja, chata.

Música

Com um violão, um charango - outro instrumento de cordas - e um bom gogó, os amigos vão levando a vida. Basicamente, eles cantam música cubana e a chamada cúmbia, que é típica da Colômbia, mas também é bastante conhecida na Argentina, no Chile e na Bolívia. “É como se fosse o sertanejo de São Paulo e o samba do Rio de Janeiro”, relaciona Javier, já “íntimo” da cultura brasileira.

Sobre as viagens, os argentinos revelam que vão de carona e, às vezes, conseguem juntar dinheiro para pegar um ônibus, onde também tocam, animados, a música latina e conseguem arrecadar uns trocados. “Dormimos em albergues, em repúblicas ou montamos a nossa barraca em qualquer lugar. Não temos muito dinheiro, mas conseguimos juntar amigos e muitas histórias”, finaliza.

Onde encontrá-los?

Os argentinos se apresentarão em Bauru até quarta-feira. Eles costumam ficar nos semáforos dos cruzamentos da Rio Branco com a Duque de Caixas e da Araújo Leite com a Nações Unidas, normalmente, à tarde. Daqui, eles seguirão para Araçatuba. O destino final será a Bolívia, mas a dupla passará por outras cidades brasileiras para chegar até lá.

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