| Aceituno Jr. |
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| Purini voltou da Secretaria do Desenvolvimento Econômico para a Câmara por conta dos prazos da legislação eleitoral; na foto, ele conversa com Lima Júnior (PSDB) e Carlão do Gás (PMDB) |
Começou. Essa foi a sensação de quem acompanhou a sessão da Câmara Municipal dessa segunda-feira (4) e notou a clara interferência do processo eleitoral que se aproxima no comportamento e nos discursos dos vereadores, alguns, inclusive, interessados disputar a Prefeitura de Bauru. Tanto o acirramento nas críticas quanto a potencialização das tentativas de se “vender o peixe” de um ou de outro nome escancaram as intenções dos parlamentares.
Os trabalhos dessa segunda foram os primeiros após o fim do prazo para filiações partidárias e a guerra travada entre dirigentes na busca por pré-candidatos. A reunião marcou ainda o retorno de Renato Purini (PMDB) ao Poder Legislativo após 13 meses à frente da Secretaria do Desenvolvimento Econômico.
Interessado em concorrer à sucessão de Rodrigo Agostinho, do mesmo partido, o vereador chegou empenhado em defender o governo, do qual foi líder por quase seis anos até perder o posto para Markinho da Diversidade (PP).
Saudado pela maioria dos colegas, Purini afirmou que todo parlamentar deveria se submeter a um “estágio” de pelo menos seis meses no Poder Executivo para repensar antes de “bater” na administração. “É muita burocracia, muito papel. O sistema dificulta as boas iniciativas”.
ASSÉDIO
Outro pré-candidato ao Palácio das Cerejeiras, Raul Gonçalves Paula (PV) revelou, na tribuna, o desejo de atrair à sua futura campanha o apoio do peemedebista e, em tom de brincadeira, disse: “Nada que um bombom a cada sessão não resolva”.
Buscando, nas últimas semanas, tratar de temas mais amplos na tribuna parlamentar, o verde lançou ainda a proposta de se criar uma Secretaria de Projetos. “Me dói termos que pagar milhões para uma empresa acompanhar as obras da estação de esgoto ou ainda não contarmos com um projeto de licenciamento do novo aterro sanitário”.
ALVO
A incerteza sobre a destinação do lixo doméstico para os próximos meses, problema já retratado pelo JC, também motivou o discurso de Lima Júnior (PSDB), que preferiu descentralizar as responsabilidades sobre o problema da Emdurb, que apenas presta serviços contratados pela prefeitura, e lançá-los sobre a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), comandada por Lázara Gazzetta, esposa de um seus possíveis adversários na corrida pelas Cerejeiras, Clodoaldo Gazzetta.
O tucano reiterou ainda a necessidade de a população entender quem são os políticos realmente compromissados com a cidade.
Perfis
Outros vereadores usaram a tribuna para traçar perfis desejáveis para o próximo prefeito de Bauru. Sandro Bussola (PDT) destacou que os candidatos precisam focar nos grandes debates da cidade e alertou sobre promessas absurdas.
Fabiano Mariano (PDT), em dura crítica a Rodrigo Agostinho, disse que os parlamentar não precisam mais discursar nas sessões. “A administração é tão ineficiente, que baste exibirmos vídeos com falas nossas de dois, quatro, sete anos atrás. Os problemas são os mesmos ou, no máximo, se agravaram”.
O pedetista afirmou ainda torcer para que o próximo gestor seja como Tuga Angerami, que sacrificou seu capital político para manter o equilíbrio da máquina pública. “Coisa que o atual prefeito deveria ter feito”.
Já Moisés Rossi (PR), apontado como possível candidato a vice de Raul Gonçalves Paula (PV), médico e empresário, argumentou que o Palácio das Cerejeiras precisa de alguém que saiba administrar e já tenha administrado.
Até presidente da Câmara discursa
| Aceituno Jr. |
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| Faria pediu a correção da inflação para os servidores municipais |
Desde que assumiu a presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal, Faria Neto (PPS) raramente usa a tribuna. Nessa segunda (4), contudo, diante do acirramento do cenário pré-eleitoral, pediu a palavra para falar sobre sua troca de partido – saiu do PMDB – e para defender que o governo municipal “se esforce” para conceder a correção da inflação ao funcionalismo municipal, em greve há 21 dias.
Após tentar lançar Clodoaldo Gazzetta (PSD) à Prefeitura de Bauru pelo PSB, Paulo Eduardo de Souza, presidente da legenda, também falou do processo eleitoral. “Teremos candidato majoritário”, declarou, referindo-se, possivelmente, ao ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo Benedito Roberto Meira.
Telma Gobbi (SD), que trocou duas vezes de sigla duas vezes em um mês, disse que as colorações partidárias são menos importantes que as colorações da cidade.
NÃO APOIO
Aos berros para denunciar mais um episódio de descaso no Pronto-Atendimento Infantil (PAI), Roberval Sakai (PMB) usou a tribuna para, sem citar nomes, dizer que não fará alianças com responsáveis pelo caos da Saúde em Bauru. O recado foi para o secretário Fernando Monti, que preside o PR e deve caminhar junto a Raul no pleito deste ano.
‘Amnésia’
Maior defensor do prefeito na Câmara Municipal, Carlão do Gás (PMDB) subiu à tribuna para lembrar que muitos vereadores que dirigiam duras críticas ao governo durante a sessão ajudaram a reelegê-lo na onda de popularidade de Rodrigo Agostinho, em 2012.
“Temos que ter palavra. É fácil pular do barco agora, no ano da eleição. Só que, cuidado! Alguns podem estar saltando sem salva-vidas. O eleitor não é mais infantil e um discurso populista pode ser um tiro no pé”, bradou o parlamentar, que cobrou de Roberval Sakai (PP) alternativas para os problemas na Saúde.

