| Alex Mita |
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| Samir Salmen, presidente da APM, usa o caso do Aedes aegypti para exemplificar como cultura da prevenção ainda está em falta |
Hábitos saudáveis, cuidados de higiene, realização de exames, uso orientado de remédios, entre outros. As medidas básicas para manter a saúde já são bem conhecidas. O problema está na consolidação individual e coletiva dessas ações.
“Um caso onde o poder público está menos ausente é na prevenção da dengue, zika e chikungunya. O mosquito, vetor de transmissão, não se propaga apenas por encontrar aqui o clima adequado, mas por falta de educação e cultura da população. A higiene pessoal e caseira está intimamente ligada a esses fatores”, exemplifica o médico Samir Salmen, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM).
Por falar em educação, ele vê avanços em temas importantes, como a restrição ao consumo de determinados alimentos nas escolas. Entretanto, aponta a obesidade mórbida como um mal de saúde pública no País. “Eu mesmo estava obeso, com níveis exagerados de gordura no sangue e uma hérnia de disco que tirava minha qualidade de vida. Corrigi meus hábitos, emagreci e hoje trabalho mais e melhor, sem dores”.
Para que não haja dúvidas, o médico listou, a pedido do JC, os principais pilares da saúde preventiva:
Alimentação saudável
“Ao assimilar a cultura do fast food, o brasileiro caminha para a obesidade mórbida, principalmente entre os mais pobres, que ingerem grandes quantidades de carboidratos e menos proteínas”.
Vacinação
“O Brasil imuniza de bebês de dois meses a idosos e é referência no uso de vacinas e na prevenção de doenças transmitidas na ausência delas, como hepatite B, rotavírus, febre amarela e HPV”.
Doenças crônicas
“Há 246 milhões de diabéticos no mundo. No Brasil, são 30 milhões de hipertensos e apenas 10% deles controlam a doença com medicação diária. Outro dado alarmante é que 100 crianças se tornam fumantes por dia no País, sendo 85% da classe C”.
Saneamento básico
“Hoje, 48,6% da população brasileira têm acesso a esgoto, mas, desse montante, 3,4 milhões de pessoas o despejam de maneira irregular, ficando suscetíveis a doenças que poderiam facilmente ser prevenidas, como as infecções gastrointestinais”.
Exercícios físicos
“São fundamentais para a boa saúde, porém, podem causar lesões quando feitos sem a orientação de profissionais qualificados”.
Atenção às drogas
“Não só as psicoativas, como o crack e a cocaína, que destroem o indivíduo, sua família e o País, mas também aquelas prescritas de maneira irresponsável, que transformam tantas pessoas em ‘zumbis farmacológicos’”.
Check-up
“Todo ano, é importante pesquisar, por exames laboratoriais, doenças como anemia, diabetes, colesterol, etc. As doenças são mais comuns entre menores de 17 anos e maiores de 45 anos, que devem fazer o check-up anualmente; entre 18 e 44 anos, a cada dois anos”.
