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Prevenção é conhecida, mas não aplicada

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 2 min

Alex Mita
Samir Salmen, presidente da APM, usa o caso do Aedes aegypti para exemplificar como cultura da prevenção ainda está em falta 

Hábitos saudáveis, cuidados de higiene, realização de exames, uso orientado de remédios, entre outros. As medidas básicas para manter a saúde já são bem conhecidas. O problema está na consolidação individual e coletiva dessas ações.

“Um caso onde o poder público está menos ausente é na prevenção da dengue, zika e chikungunya. O mosquito, vetor de transmissão, não se propaga apenas por encontrar aqui o clima adequado, mas por falta de educação e cultura da população. A higiene pessoal e caseira está intimamente ligada a esses fatores”, exemplifica o médico Samir Salmen, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM).

Por falar em educação, ele vê avanços em temas importantes, como a restrição ao consumo de determinados alimentos nas escolas. Entretanto, aponta a obesidade mórbida como um mal de saúde pública no País. “Eu mesmo estava obeso, com níveis exagerados de gordura no sangue e uma hérnia de disco que tirava minha qualidade de vida. Corrigi meus hábitos, emagreci e hoje trabalho mais e melhor, sem dores”.

Para que não haja dúvidas, o médico listou, a pedido do JC, os principais pilares da saúde preventiva:

Alimentação saudável

“Ao assimilar a cultura do fast food, o brasileiro caminha para a obesidade mórbida, principalmente entre os mais pobres, que ingerem grandes quantidades de carboidratos e menos proteínas”.

Vacinação

“O Brasil imuniza de bebês de dois meses a idosos e é referência no uso de vacinas e na prevenção de doenças transmitidas na ausência delas, como hepatite B, rotavírus, febre amarela e HPV”.

Doenças crônicas

“Há 246 milhões de diabéticos no mundo. No Brasil, são 30 milhões de hipertensos e apenas 10% deles controlam a doença com medicação diária. Outro dado alarmante é que 100 crianças se tornam fumantes por dia no País, sendo 85% da classe C”.

Saneamento básico

“Hoje, 48,6% da população brasileira têm acesso a esgoto, mas, desse montante, 3,4 milhões de pessoas o despejam de maneira irregular, ficando suscetíveis a doenças que poderiam facilmente ser prevenidas, como as infecções gastrointestinais”.

Exercícios físicos

“São fundamentais para a boa saúde, porém, podem causar lesões quando feitos sem a orientação de profissionais qualificados”.

Atenção às drogas

“Não só as psicoativas, como o crack e a cocaína, que destroem o indivíduo, sua família e o País, mas também aquelas prescritas de maneira irresponsável, que transformam tantas pessoas em ‘zumbis farmacológicos’”.

Check-up

“Todo ano, é importante pesquisar, por exames laboratoriais, doenças como anemia, diabetes, colesterol, etc. As doenças são mais comuns entre menores de 17 anos e maiores de 45 anos, que devem fazer o check-up anualmente; entre 18 e 44 anos, a cada dois anos”.

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