| Aceituno Jr. |
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| Drama da família piorou após merenda em escola ser parcialmente suspensa |
O cartaz colado no mural de uma escola municipal informava: não tem merenda hoje. Para muitos, trata-se apenas de um aviso. Mas, para a dona de casa Maria Nilde Gama Martins, 33 anos, é saber que os filhos não terão o que comer no dia. “Comecei a chorar”, contou a mulher.
Os filhos mais velhos de Nilde, de 13 e 10 anos, estudam na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Professor José Romão, no Nova Bauru. Na semana passada, em razão da greve dos servidores, a unidade teve problemas com o fornecimento da merenda.
Juiz da Vara da Infância e da Juventude, Ubirajara Maintinguer já tinha recebido informações dessa natureza e chegou a discutir o situação com a defensoria pública. O assunto também ganhou as redes sociais e sensibilizou muitos internautas.
A família vive este drama desde 2012, quando o marido de Nilde, o ajudante de pedreiro Francisco das Chagas Maciel, 41 anos, decidiu deixar tudo no Maranhão em busca de melhor condição de vida em Bauru.
Naquele mesmo ano, um acidente de trabalho no Colina Verde o deixou cego do olho direito e, desde então, arrumar emprego para sustentar os quatro filhos (de 13, 10, 7 e 4 anos) tem sido um desafio. “Já mandei vários currículos e nada”, conta Francisco.
A família mora em um único cômodo com banheiro na quadra 5 da rua Mauricia Pereira Lima e sobrevive com apenas R$ 140,00 mensais, oriundos do programa Bolsa Família, além de doações pontuais. Nem sempre, entretanto, sobra dinheiro para por comida à mesa. “Às vezes, a gente passa fome”, conta Nilde. Ela alega que não pode trabalhar para cuidar dos filhos.
Há um ano, a família conta com auxílio da dona de casa Márcia Cristina Rocha Souto, 40 anos. “A gente tenta ajudar como pode, mas não é o suficiente. Por isso, faço um apelo à população”, pontua Márcia.
“Ela (Márcia) é um anjo na minha vida”, agradece Nilce, emocionada.
Sobre a merenda
A Secretaria Municipal de Educação informa que a Emef José Romão conta com duas merendeiras e que, nos dias iniciais da primeira semana de greve, uma delas foi cedida para atendimento de necessidade de outra escola e a outra, excepcionalmente, apresentou problemas de saúde e precisou se afastar temporariamente.
Nesse período, segundo a prefeitura, foi preciso servir às crianças a chamada merenda seca, composta de bolacha, barra de cereais, leite e frutas, cujo valor nutricional é similar ao da refeição produzida pelas merendeiras. No entanto, com o fim da licença médica, a profissional reassumiu o trabalho, retomando o cardápio composto das refeições de rotina. Assim sendo, a escola não deixou de servir a alimentação aos alunos.
Cesta básica
Nilde afirma que, há três meses, vem acionando a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) em busca de cesta básica, sem sucesso. Titular da pasta, Darlene Tendolo disse que a situação apresentada pela moradora não procede. “A gente sempre atende a todos”, frisou, acrescentando que enviaria uma cesta à família, ainda na manhã dessa quinta-feira (7).
Serviço
Quem tiver interesse em ajudar a família doando dinheiro ou alimento, pode entrar em contato com Márcia pelo telefone (14) 9 9758-2617 ou com Francisco – (14) 9 8144-8322.
