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O PT e outros demônios ? (sobre artigo de Carlos D?Incao)

Uriel de Almeida
| Tempo de leitura: 4 min

Prezado senhor Carlos, analisei  a sua matéria e concordo em parte com os seus comentários, razão pela qual venho  tecer minhas considerações. Inicialmente, proponho uma escolha mais cuidadosa de palavras. Por exemplo: “horda enfurecida antiDilma e antiPT”. Ora, “horda” é bando indisciplinado e malfeitor. Multidão desordenada; turba, bando. Isso até poderia ser usado para invasores de propriedades rurais produtivas, para incineradores da nossa bandeira nacional, nas brigas de torcidas, etc. Mas não pode ser aplicado às famílias que sob o manto verde e amarelo estão protestando nas ruas sem qualquer tipo de incidente… e sem qualquer tipo de pagamento.


Em matéria de PT, eu proponho essa divisão: a) o PT partido e suas propostas originais como bem definiu Hélio Bicudo e outros expoentes que um dia integraram o partido. B) os petistas. Quanto aos petistas:  B1) os militantes que continuam fiéis às propostas originais que visam o interesse público; B2) uma minoria (dirigentes poderosos) que prioriza  o interesse particular  na forma de crescimento patrimonial não justificado até agora.


Essa segunda categoria não é privilégio do PT como sabemos, e é isso que está revoltando todo o País, daí os movimentos contra a corrupção em geral. Destaco que tenho muitos amigos petistas – pessoas que mantenho em elevada estima e consideração pelas suas condições morais e culturais. Discutimos política e posturas de políticos num clima muito agradável, respeitando a livre expressão e ressalto que esse modelo tem dado certo. Na condição em que os três poderes estão no Brasil, sempre é bom lembrar que o modelo democrático desejado preservará a máxima: do povo, pelo povo, para o povo...


A pressão popular através dos movimentos que aí estão tem na sua essência essa mensagem: afastar a corrupção generalizada que ameaça a nossa democracia sem poupar partidos políticos coniventes e isso ficará bem claro nas próximas eleições. O senhor é jovem, nasceu depois do início do meu trabalho voluntário junto às comunidades mais carentes da nossa cidade. Posso garantir para os leitores que as propostas sociais do PT (inclusive o Bolsa Família,  quando bem aplicado) representam um avanço, sim, um divisor de águas.


São frutos de pessoas que vieram muito antes do PT, como o Milton Santos, Betinho, Ruth Cardoso e outros que influenciaram a política no primeiro governo Lula: boas ações foram assim mantidas... ótimo. Também concordo com o senhor quando faz uma feliz citação da visão dos nossos colonizadores pelos idos de 1500, pois Portugal manteve o Brasil dividido e ignorante ao ponto de motivar D. João a comprar edições do Correio Brasiliense – primeiro jornal no Brasil – que era impresso na Inglaterra... por um brasileiro... pode? O Brasil deveria ser apenas fornecedor de matérias-primas ...minérios, madeira etc. Nada de escolas, estradas, jornais, ideias revolucionárias que não interessavam a Portugal e/ou Inglaterra, essa última sempre dominou o país de fato.


Por esses motivos, no Brasil de Tiradentes já se observavam muitos movimentos de reforma social... alguns pregavam o assassinato de senhores brancos  e esses praticavam o extermínio dos revoltosos (escravos etc). Muito sangue rolou nessa parada, razão pela qual sou totalmente contra radicalismos de “esquerda ou direita”, pois quem perde é o Brasil. Sua matéria tem mais um mérito ao motivar uma reflexão: a quem interessa o Brasil que aí está, à esquerda radical, à direita radical? Não concordo quando condena os movimentos sociais de rua ou nas redes... acho que sua visão é simplória e  merece reparos. Mesmo havendo intensões de manipulações, essas não prosperarão, pois o povo está “ligado”, já vislumbrou a realidade e não aceita mais essa situação. Nessa linha, a luta é para expurgar os políticos do PT, PSDB, PMDB e outros que tenham praticados atos de corrupção ativa ou passiva.


Citar isoladamente o PT é um erro e o eleitor já tem essa consciência, pois políticos  de outros partidos que tentaram infiltrar-se nas manifestações dançaram. Mudando agora o foco para a economia, vejo o setor industrial sucateado, sem competitividade no exterior, afogado na carga tributária. Consequentemente, o PIB vem sofrendo quedas constantes. São Paulo já contabiliza mais de 4.000 indústrias fechadas e, consequentemente, caiu a arrecadação do principal imposto estadual: o ICMS. Veja  o que exportamos nos últimos 10 anos: minérios, soja, açúcar, carne... voltamos ao Brasil colônia de Portugal.


Nossos principais clientes? Os parceiros que o senhor destacou na sua matéria... que estão comprando o nosso país... vendemos banana e importamos bananada, se é que o senhor me entende. O ICMS é a fonte de receita das universidades paulistas pelas quais o senhor é formado, portanto, deveria preocupar-se com essa crise econômica. Mudando para a área da educação (onde o senhor é mestre e eu discípulo), penso que sua revolta deve ser imensa ao constatar que de Pátria educadora não temos nada, pois o que vislumbramos é uma enorme “teta” federal onde mamam inúmeros estabelecimentos de ensino particular (universidades, por ex.) que prestam serviços de qualidade duvidosa – salvo exceções. E quanto os aos estabelecimentos públicos... isso é outra história que fica para mais tarde.


Um tríplice e fraternal abraço. Traçado no oriente de Bauru, aos seis dias do mês de abril de 2016 da era vulgar.


O autor é colaborador de Opinião

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