| Malavolta Jr. |
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| Aposentada, Mirian Zaramelo aposta na confecção de fantasias infantis |
Basta passar pelos bairros, em qualquer região da cidade, e olhar para os portões e muros. Vende-se isso ou aquilo, conserta-se aquilo outro, reforma-se, oferta-se tais tipos de serviços e produtos... Em muitos casos, é a criatividade das faixas, cartazes e letreiros que ganha os clientes. O JC nos Bairros deste domingo mostra exemplos de gente que não só trabalha em casa como resolveu deixar bem claro nos portões (Leia mais nas próximas páginas).
Os motivos de fazer do lar também o local de trabalhos são os mais diversos. Para Mirian Pereira Babosa Zaramelo, moradora da quadra 7 da rua dos Motoristas, Núcleo Gasparini, o trabalho feito em casa veio há cerca de dois anos para aumentar a renda da aposentadoria.
“Eu sempre trabalhei fora e, como tenho mais tempo agora, resolvi aumentar a renda fazendo algo que me dá prazer. O bom é que eu não pago aluguel. Acredito que, se dependesse de aluguel, não valeria a pena”, acredita.
Mirian improvisou uma pequena loja onde antes era a sala de casa. Neste espaço, ela expõe alguns produtos para a venda, como brinquedos e cosméticos. Porém, o seu carro-chefe são as fantasiais infantis, grande parte feita por ela mesma.
Redes sociais
Anunciar por cartaz na fachada é a maneira mais comum encontrada pelos moradores para despertar interesse de quem passa na rua. E para divulgar ainda mais o trabalho caseiro, Mirian, assim como muita gente por aí, tem apostado na divulgação virtual.
Ela fez uma página no facebook onde as fantasias são expostas. “Assim, eu consigo chegar até clientes de outros bairros, cidades e até estado. Minhas fantasias já foram para Goiânia, São Paulo, Santa Catarina... entre outras localidades”, comenta.
Para economista, busca por informalidade tem dois lados
Na visão do economista Fernando Pinho, o aumento do trabalho informal realizado em casa tem dois fatores determinantes, um deles é positivo e o outro, que pode ser considerado negativo, está ligado à atual crise econômica brasileira.
“A primeira coisa que eu coloco é que muitas pessoas acabaram migrando para negócios próprios nos últimos anos, independentemente da economia estar ou não aquecida. Muita gente procurou oportunidades no mercado e desenvolveu novas habilidades justamente para sair da dependência da carteira assinada, que é o vínculo empregatício”, explica.
Muitos desses pequenos empreendedores tiveram sucesso e conseguirem reduzir o grau de dependência da carteira assinada, algo muito bom, segundo Pinho. Tal realidade, segundo o economista, não está necessariamente ligada à crise porque as pessoas começaram a empreender quando a economia estava muito aquecida.
Por outro lado, muitas pessoas foram levadas às atividades informais porque estavam empregadas da maneira tradicional, com carteira assinada, e perderam seus empregos. “Muitos chefes de família ou mesmo famílias inteiras precisaram se reinventar para buscar renda da melhor forma possível e, assim, manter ao menos parte do padrão de vida com alguma dignidade”, pontua.
