Bairros

Criatividade e variedade de serviços imperam nos quatro cantos da cidade

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 5 min

Tem atendimento até para os pets

É cada vez mais comum o uso da garagem para aumentar a renda da família. Andando pelos bairros, é possível encontrar de tudo: espetinhos de garagem, brechós, salões de beleza, venda de pães e doces caseiros, botecos... Wilian Macedo de Souza montou um “pet garagem” na quadra 4 da rua Maristela, no Jardim Nova Esperança, há quatro meses. 

E por lá tudo fica em família. A começar pelo sócio, que é um primo: Rodrigo de Souza Santos. “Minha esposa ajuda aos fins de semana. Fazemos o banho e a tosa dos cães e também o trabalho de buscar e levar o animalzinho em casa”, explica Wilian.

De acordo com Wilian, a ideia de montar o pet garagem surgiu do desejo de ter o próprio negócio. Ele, que era mototaxista, fez um curso e garante que trabalhar em casa é satisfação garantida: “No meu caso, 100% garantida. Além de considerar o negócio lucrativo, ainda passo mais tempo com minha família”.

Por outro lado, o empreender confessa que é difícil encontrar um equilíbrio no início quando o assunto é disciplina. “Essa reorganização ainda está apertando o meu calo, mas vou conseguir”, confia.


Criatividade

Para Wilian Macedo , a criatividade e a identificação da residência como um espaço de prestação de serviço são fundamentais. “O nome chama a atenção e a resposta tem sido ótima”.


‘Tudo’ em casa

Na casa de Telma Cristina Campos Garcia, todo mundo é autônomo. Ela e o marido se viram como podem para manter a família. Enquanto ele trabalha com um “disk van”, ela toca a oficina de costura e lojinha de confecção que abriu  há pouco  mais de um ano nos fundos da casa localizada na quadra 2 da rua Manoel Castellano Rodrigues, no Jardim Nova Esperança 2. 

As lingeries vendidas são compradas pela Internet. As roupas vem do comércio popular de São Paulo. Já os guardanapos e tapetes vêm de Ibitinga. Tudo organizado em prateleiras ou em manequins que chamam a atenção de quem passa pela rua.

Na fachada lateral da casa, os letreiros chamam para oficina. “E as máquinas de costura ajudam a engrossar o orçamento com os  reparos. E dessa forma vamos tocando. É assim que graças a Deus nós estamos pagando as contas”, grifa.


De olho na demanda

De pipa em pipa, o funcionário público Guilherme Tonetti Jacques consegue aumentar a renda da família. Morador da quadra 3 da rua Alexandre Favero, no Parque São João, região do Alto Paraíso, ele deu início ao seu negócio artesanal em 2013.

“A minha ideia foi exatamente aumentar a renda de casa. O que tem ocorrido. Eu fiz uma rápida pesquisa sobre que tipo de comércio poderia gerar lucro onde eu moro e notei que pouca gente vendia pipas”, lembra.

Foi então que Guilherme fechou parte da garagem da casa e transformou o espaço em uma oficina de pipas e loja. Quando ele está trabalhando fora é a esposa quem toma conta da lojinha. Em meses de férias escolares, ele chega a vender 30 mil unidades por semana. “Tenho uma clientela fixa, que varia entre crianças e adultos”, finaliza.


‘Desempregado, o jeito é improvisar’

Sem emprego formal, Leonardo Chiquito Frenada, 18 anos, viu nos computadores uma maneira de ganhar dinheiro e trabalhar em casa. Morador da quadra 7 da avenida Antônio Requena Nevada, no Jardim Celina, ele formata e limpa computadores, além de configurar roteadores.

“E tem dado certo. Fiz cinco cursos no Senai e decidi atender em casa. Faço principalmente à noite. Está muito difícil conseguir emprego hoje em dia, então, o jeito é improvisar”, relata.

A faixa colocada no portão de casa tem atraído clientes assiduamente. Esta foi uma necessidade que o jovem encontrou para fazer o seu trabalho ser conhecido. “Uns passam e param para perguntar sobre valores e tudo mais. Outros anotam os telefones e ligam depois. Estou gostando do resultado”, completa.


Entre o trabalho e o hobby

Se as pessoas devem trabalhar com o que gostam, Maria Aparecida Lopes da Rocha está no caminho certo. Depois da aposentadoria, ela projeta em seu hobby um negócio que pretender fazer lucrativo.

Residente na quadra 9 da rua Rodrigo Romeiro, no Higienópolis, Maria Aparecida é apaixonada por orquídeas. O que ela oferece para os clientes? Replantio e a venda de substrato para as plantas. Ela recupera as espécies.

“A pessoa pode trazer suas orquídeas até mim ou pedir para que eu vá até a sua casa. Há cinco anos eu fiz um curso para aprimorar esse meu hobby. Estou recém-aposentada, ou seja, com mais tempo para me dedicar ao que gosto. Para mim é uma terapia”, pontua.

Ainda segundo Maria Aparecida, uma placa instalada na grade de casa foi a solução encontrada para se fazer notar, visibilidade que já tem gerado frutos, ou melhor, flores. “Como minha casa fica na esquina, eu coloquei a faixa virada para a rua mais movimentada. E as pessoas já estão ligando”. 


‘Além de reduzir gastos, faço meu horário’

Suse Darlen Rodrigues Bozza Montanher é manicure, pedicure e depiladora. Depois de 17 anos atendendo em salões de beleza, há quatro ela resolveu trabalhar por conta própria em casa. Para isso, a sala da frente da residência localizada na quadra 7 da rua Constituição, no Higienópolis, foi transformada em um salão de beleza.

“Eu acho bem melhor trabalhar em casa por diversos motivos. O meu ganho é maior porque eu não preciso gastar com combustível ou ônibus e posso fazer o meu horário de acordo com minhas necessidades”, comenta Suse.

Outra vantagem do trabalho em casa, na visão da profissional da beleza, é poder utilizar os horários vagos com outros afazeres. Entre uma cliente e outra, por exemplo, ela pode adiantar um serviço da casa, ou mesmo descansar enquanto vê televisão.

Porém, quando o expediente é dado em casa, vale atentar para o profissionalismo. “É preciso separar a casa do trabalho. Eu levanto cedo, me arrumo e cumpro os meus horários. Faço hora de almoço, tudo certinho”.  

 

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