Para driblar o calorão, muitos buscam se refrescar em piscinas, lagos ou rios, sem, contudo, tomar os devidos cuidados. Somente na região de Bauru, o número de casos de afogamento disparou neste ano. Foram 46 registros até o momento, com 14 mortes. No mesmo período de 2015, houve apenas duas ocorrências, com uma vítima fatal.
Ao verificar a motivação, a estatística se torna ainda mais preocupante. Das 14 pessoas que morreram afogadas em 2016, 10 tinham ingerido bebida alcoólica antes de entrar na água, o que representa 70% dos casos.
A informação foi prestada pelo 1.º tenente Victor Felix Tosi Bomfim, oficial de relações públicas do 12.º Grupamento de Bombeiros - que abrange 69 municípios, incluindo Bauru. Tosi atribui a crescente de ocorrências ao excesso de calor que tem feito neste ano. “A gente percebe que está mais quente do que em 2015 e, consequentemente, as pessoas procuram se refrescar”.
No entanto, o momento de lazer pode se transformar em tragédia e o principal motivo que leva um banhista a se afogar está relacionado com a ingestão de bebidas alcóolicas, aponta o tenente. Ele destaca, entre os efeitos do álcool no organismo, a sonolência, redução de memória, além de déficit de atenção.
“A bebida faz perder a noção do perigo e os reflexos, deixando a pessoa mais corajosa. Perde-se também o senso crítico em relação ao mergulho. Por isso, a gente sempre orienta: se beber, não entre na água”, alerta.
Entre os casos recentes em que a vítima estava sob efeito de álcool, Tosi cita a morte de um homem de 41 anos, ocorrida no dia 26 de março em Barra Bonita. Detento beneficiado pela saída temporária da Páscoa, Vanderlei Aparecido de Oliveira nadava no Rio Tietê, por volta das 14h30, quando “sumiu” na água, conforme o JC noticiou.
“Alguns amigos disseram que ele havia bebido e decidiu entrar no rio, justamente em um ponto com correnteza”, relata. Outro exemplo de banhista que perdeu a vida após ingerir bebida alcoólica é do pedreiro Ulisses César Fidencio, 40 anos. Ele desapareceu ao mergulhar no Rio Batalha, em Bauru, no dia 10 do mês passado. O JC também noticiou esta morte.
“Um casal que estava pescando contou para a equipe de resgate que o senhor havia tomado bebida com álcool e foi nadar”, disse Tosi.
No ano passado inteiro, foram 35 afogamentos na região de Bauru - entre casos que terminaram em óbitos e salvamentos.
Ranking
De acordo com o tenente Tosi, logo atrás no ranking dos afogamentos estão as vítimas que não sabem nadar, seguido pelos casos que envolvem crianças próximas a piscinas sem a supervisão de adultos. “As crianças são muito curiosas e adoram água. Por isso, a atenção com elas deve ser redobrada”, alerta.
‘Palco’ de mortes
Com aproximadamente 60 mil metros quadrados de área, a Lagoa da Quinta da Bela Olinda já foi “palco” de várias mortes por afogamento em Bauru. Não existem estatísticas precisas, mas há quem estime que cerca de uma centena de pessoas perderam a vida no local ao longo das últimas décadas. Nesta semana, alguns banhistas se refrescavam no local.
Representantes do poder público de Bauru decidiram intensificar força-tarefa com o intuito de viabilizar a revitalização da lagoa, por meio da construção de um parque urbano, conforme o JC divulgou. O custo da intervenção é estimado em R$ 5,4 milhões, mas a prefeitura não dispõe da verba e o projeto, até o momento, ainda não saiu do papel.