Articulistas

Ser nobre

Valderez de Mello
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A nobreza muitas vezes é confundida com a insuportável soberba. Ambas caminham entre avenidas paralelas e muitas vezes se confundem quando o que pretende ser nobre se traveste de orgulho e pífia sapiência. Apenas um mero título de nobreza não garante  a essência da alma que se diz humana. Muitos que se intitulam nobres não conseguem demonstrar através de atitudes o sentimento da láurea recebida, ostentando apenas bens materiais, luxúria e aparência.

O grande filósofo Sêneca qualificou como verdadeiro nobre aquele que tem capacidade de adaptação conforme o ambiente que frequenta, sempre a demonstrar discernimento para valorizar o outro mesmo que em mundos diferentes, com astúcia e discernimento suficientes para resgatar valores culturais de sociedades diversas ao sabor da sapiência, pois caminha a empunhar o dom de ouvir, a virtude do saber calar e viver em estado de aprendizagem, além de conviver com  humildade para acatar conhecimentos e se deixar permitir a entrada de experiências diversificadas. O verdadeiro nobre se despe da túnica rubra do orgulho e deambula pela vida sempre a crer que todos os homens são iguais pela essência divina, embora diferentes pela crença, raça ou cor!

    

Em sua origem todos os homens são iguais, a nobreza é apenas uma construção de cada homem no desenvolvimento do espírito.

A verdadeira nobreza engrandece a alma e jaz despida de qualquer resquício de soberba. O nobre, pela essência que abrolha da alma, percorre caminhos, sejam íngremes ou atapetados, adentra palácios, campeia praças públicas, bebe água na fonte, assim como degusta vinhos em suntuosas e brilhantes taças de cristal!  A postura não está no corpo físico, mas no luzir da alma! Ao contrário do pobre de espírito, que além de apagar o brilho do semelhante com sua sombra mórbida, se intitula sábio e desdenha da humildade, o nobre acata sua insignificância e se envolve na magnânima busca do saber.

A nobreza é uma virtude imensurável e inerente a quem faz da vida um campo florido de sabedoria e nada é mais importante que o respeito ao próximo, ao interlocutor, ao amigo, seja lá quem for. Ser nobre é saber iluminar a escuridão do outro, seu semelhante e irmão pelo simples fato de ser da mesma raça humana. A nobreza é a luz que brota da alma, caminha até ao coração e fenece se porventura tiver que conviver com a soberba, pois segundo o grande filósofo Sêneca:  ”Nobre é aquele que come em prato de barro como se fosse de ouro, e em prato de ouro como se fosse de barro”.

A autora é advogada, pedagoga, psicopedagoga.

Autora de ‘Rimas e Rumos’ (poesias)

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