Tribuna do Leitor

Ser servidora municipal em Bauru

Por Fátima Cristina Piovesan - http: |
| Tempo de leitura: 2 min

Para ser servidor municipal em Bauru, primeiro você tem que estudar bastante (seja qual for o cargo) para passar bem num concurso. Passou? Se sim, você tem que passar por uma avaliação médica intensa, onde os mínimos sinais de alguma anormalidade te barram para a função. Aprovado nisso, vamos trabalhar. E aí sim começa o martírio. Martírio porque você tem que passar por um período de teste, que duram 3 anos, chamado de estágio probatório. Significa que você tem 3 anos para mostrar que é capaz de desenvolver a função. Três. Três anos.


E se você tiver a infelicidade, azar ou seja lá como quiser chamar, de “cair” num departamento onde o seu superior imediato é um déspota, que dó. Eu tive. E sei que não sou um caso isolado. Sofremos assédio moral, desvio de função, sempre ouvindo a maldita frase: olha a sua avaliação, hein. Então somos sujeitados à esses superiores que se julgam donos do departamento ou unidade que gerenciam. E não adianta reclamar na Secretaria que você está lotado. Ninguém se importa. Como os cargos da Secretaria são por indicação, então o que você ouve é o seguinte: Ah, você não está imaginando coisas? Ou então: não posso fazer nada, porque amanhã ela (ele) pode estar no meu lugar, então já viu, né?  Isso fere todo o Estatuto do Servidor. Nesses departamentos, você não é avaliado pela sua capacitação, e sim se você se submeteu às vontades tresloucadas de seu superior.

     

E com tudo isso, quando você entra em greve por uma reposição salarial visando apenas os índices da inflação, você é ignorado pelo prefeito e pelos vereadores. A valorização do servidor, que foi promessa de campanha do prefeito Rodrigo Agostinho, foi essa. Os vereadores? Nenhum sequer deu apoio à nossa causa, pois o reajuste eles já receberam. Ô coisa boa legislar em causa própria. Para a mídia tendenciosa, somos os responsáveis pelas mazelas na saúde, na educação, na falta de merenda, pelos buracos nas ruas.


Para alguns, somos vagabundos. Suspendemos a greve, mas isso não significa que paramos de lutar. De minha parte, fica aqui a cobrança para a secretária da Educação profª Vera Casério, da promessa de verificar pessoalmente as denúncias que fiz, quando por ela fui recebida juntamente com uma comissão. A greve foi suspensa, mas os problemas dos servidores continuam. Sou parte de uma minoria que não se submete, que denuncia, que cobra.

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