| Fotos: Douglas Reis |
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| Delegado Eduardo Herrera explica que investigações continuam |
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| “Indústria do crime”: grande quantidade de peças estava em desmanche clandestino em Bauru |
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| Furtada em Barra Bonita na semana passada, Saveiro foi localizada pela polícia no QG do bando |
A Polícia Civil localizou desmanche clandestino e recuperou dois veículos e centenas de peças produtos de furtos, tudo avaliado em R$ 150 mil. A residência, no Jardim Ferraz, funcionava como Quartel General (QG) da quadrilha especializada em furtar veículos novos através de equipamento capaz de burlar a tecnologia de chaves codificadoras, identificada na semana passada após prisão de um dos integrantes do bando, conforme o JC noticiou.
Mandado de busca e apreensão foi cumprido pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) na sexta. No imóvel onde era feita toda movimentação financeira do grupo, a polícia apreendeu uma Saveiro furtada em Barra Bonita na quarta passada, um Golf com registro de estelionato em Campinas, cinco blocos de motores, cinco caixas de câmbio, lacres de placas, dois módulos de inutilização do sistema eletrônico de carros e diversas peças.
De acordo com o delegado da DIG, Eduardo Herrera, não havia ninguém na casa no momento da operação, porém, mais dois envolvidos no esquema criminoso foram identificados e seguem foragidos: W.M., 32 anos, e D.E.Z.M., 28 anos (as identidades não foram reveladas para não atrapalhar a investigação). “Apreendemos também equipamento de monitoramento de câmeras, notebooks, celulares e anotações da contabilidade da quadrilha”, destaca Herrera.
‘Indústria criminosa’
Na edição do último sábado (9), o JC veiculou matéria sobre a prisão de um dos integrantes do grupo e a identificação de uma verdadeira “indústria do crime” atuando em Bauru e região. O esquema envolve várias células criminosas, cada qual com uma função específica.
O acusado preso na quarta com Saveiro furtada no mesmo dia é responsável por ir a campo. Ele instala o módulo clandestino e, após inutilizar todo o sistema eletrônico original do carro, consegue dar a partida e acionar o motor.
Em seguida, as placas são trocadas e o veículo permanece dois dias estacionado para constatar se há rastreador. A tática serve ainda para simular que o carro foi abandonado no local, caso seja apreendido. “A troca das placas era feita no desmanche”, diz Herrera.
Depois deste trâmite, o carro é levado para receptores espalhados em cidades da região, também integrantes do bando, responsáveis pela venda ou troca do produto, uma vez que uma das células criminosas garante a falsificação das placas e documentos.
Em alguns casos, as peças são comercializadas separadamente. “A numeração do motor fica em um bloco, mas existem peças agregadas a esse bloco com valor de mercado significativo”, explica Herrera, reiterando que os carros também são vendidos com motor original.
Para isso, portanto, o processo de produção das ‘placas-dublês’ e documentações dos veículos só é possível porque são levantadas informações privilegiadas através do sistema do Detran. Agora, a polícia investiga se existe a participação de despachantes nas ações criminosas.


