Política

Se vereadores de Bauru definissem impeachment, Dilma seria cassada

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Não se fala de outra coisa. No próximo domingo (17), a Câmara Federal votará o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Em Brasília, agentes políticos ainda fazem contas com o intuito de prever se o pedido terá o apoio dos 342 deputados necessários para que a discussão tenha andamento no Senado. Se a decisão, no entanto, estivesse nas mãos dos membros da Câmara Municipal de Bauru, o placar contra o governo seria avassalador.

O JC levantou o posicionamento dos 17 vereadores, dos quais 15 dizem ser favoráveis ao impedimento. Os únicos dois contrários são Sandro Bussola (PDT) e Roque Ferreira (PSOL). Coincidência ou não, ambos saíram recentemente do PT, legenda da presidente, após muitos anos de militância.

À reportagem, Bussola argumentou que defende o Estado Democrático de Direito. “As pedaladas não justificam o impeachment”, disse, referindo-se às manobras fiscais utilizadas pelo governo para aliviar o balanço das contas públicas, ponto central do processo que tramita pelo Congresso.

Roque, por sua vez, tem participado de atos contrários ao impedimento e tratado do tema na tribuna da Câmara Municipal. Na última segunda-feira, ele afirmou que ainda não foi demonstrada a prática de crime de responsabilidade por parte de Dilma, destacando ainda que a maior parte dos deputados e senadores que julgará o pedido responde a ações por corrupção.

O vereador chama o impeachment de “golpe” e garante que a classe trabalhadora continuará “pagando a conta” caso o processo se concretize.

PEDALADAS

Markinho da Diversidade (PP), Lima Júnior (PSDB) e Paulo Eduardo de Souza (PSB) foram os únicos ouvidos pelo JC  a citar as “pedaladas” para justificar o apoio ao impedimento de Dilma Rousseff.

O primeiro afirma que as manobras fiscais foram irregulares porque dependiam de autorização prévia do Congresso Nacional, mas vai além: “Politicamente, ela só ganhou a eleição porque maquiou as contas para passar a falsa imagem de que o País vivia um bom momento”, disse Markinho.

Lima cita o caos da política econômica e Paulo Eduardo alega que Dilma precisa ser afastada do cargo “pelo conjunto da obra”. Outro tucano, Fernando Mantovani (PSDB) usa a mesma expressão.

CORRUPÇÃO

Outros vereadores acreditam no impeachment como um antídoto contra a corrupção. Casos de Faria Neto (PPS), Fábio Manfrinato (PP) e Renato Purini (PMDB).

Mesmo presidindo uma das poucas legendas que se posicionaram publicamente em favor de Dilma, Fabiano Mariano (PDT) também justifica sua posição por este viés. “Não comungo com nenhum tipo de falcatrua ou corrupção. Defendo que todos os fatos sejam apurados, independentemente de nomes ou partidos envolvidos”.

ESPERANÇA

Já Telma Gobbi (SD), Moisés Rossi (PR) e Carlão do Gás (PMDB) acreditam que a saída da presidente da República renovará as esperanças da população e recuperará a credibilidade do País frente o mercado. Natalino da Pousada (PV), por sua vez, defende a convocação de novas eleições.

No Executivo

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) já sinalizou, publicamente, seu apoio ao impeachment de Dilma Rousseff (PT) ao alegar, em entrevista ao JC, que o governo da presidente já acabou.

A manifestação despertou a ira da vice Estela Almagro (PT), que lhe cobrou lealdade e afirmou que sua gestão também já teria chegado ao fim se tivesse o peemedebista um vice como Michel Temer (PMDB).

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