Três imóveis de Bauru são produtores de boa parte da energia elétrica que consomem. A informação da CPFL Paulista mostra que, ainda que de forma tímida, mais pessoas devem optar pela geração de eletricidade através de fontes renováveis.
Em Bauru, são duas residências e uma indústria que adotaram a produção de energia através do uso de placas fotovoltaicas, instaladas no telhado. Depois, o processo continua com a transformação da energia solar em elétrica, em um aparelho inversor, com o repasse para a rede do imóvel.
O excedente vai para a rede elétrica da rua, administrada pela concessionária, gerando créditos ao consumidor. Ao final do mês, o crédito é descontado do gasto total do cliente, que paga apenas a diferença.
O técnico em eletrônica Gabriel Buzato Seixas de Oliveira, 22 anos, que está concluindo o curso de engenharia elétrica neste ano, já tinha conhecimento da tecnologia. Desde que a Resolução Normativa 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi publicada, permitindo a produção de energia pelo próprio consumidor mesmo quando há rede pública, ele já estudava a instalação das placas em sua residência, onde mora com os pais. Em agosto de 2015, as placas foram colocadas, juntamente com o inversor, e em seguida com o relógio bidirecional, que registra tanto a entrada como a saída de energia para a rede da CPFL.
“O sistema que instalei produz 11,4 kw/h, em média. O custo total dos aparelhos e instalação ficou em R$ 22 mil. O investimento é recuperado em cinco anos, aproximadamente, pois, além da economia de energia em si, a inflação energética no Brasil é de 10% ao ano, em média, acima da própria inflação oficial”, aponta.
Economia
Na residência de Gabriel, o gasto com energia despencou desde que as placas entraram em funcionamento. “Em agosto, pagávamos R$ 246,69 de energia. Foi quando instalamos as placas. Em fevereiro deste ano, por exemplo, a conta de energia era de R$ 39,42”.
O jovem reitera que a norma da Aneel permite que a geração própria de energia não ultrapasse a carga máxima instalada no imóvel. “Não é possível vender energia para a rede. Então, o máximo que se pode produzir é a capacidade instalada. Como a energia tem que ser consumida instantaneamente, ou seja, durante o dia, o que é consumido à noite vem da rede da rua. Mas o que foi excedente durante o dia foi para a rede e gerou créditos de energia, que são descontados do total que consumimos”.
Em fevereiro, por exemplo, a residência consumiu ao todo 276 kw/h, mas 57 foram de excedente, ou seja, cobrou-se apenas 121 kw. Um aplicativo de celular é usado para acompanhar a geração de energia nas placas, em tempo real.
Na Europa, o uso de placas fotovoltaicas já é bastante comum, tanto que a maioria dos produtos utilizados no Brasil são importados de lá.
Como já é conhecedor do segmento, Gabriel Buzato abriu, em outubro passado, uma empresa que instala placas fotovoltaicas, a IperSol, com o intuito de fazer instalações em residências e pequenas empresas. O contato é contato@ipersol.com.br.
Para realizar o pedido de ligação de micro ou mini geração distribuída, o cliente deve acessar o site da CPFL: www.cpfl.com.br. Os projetos serão analisados e validados pela distribuidora. Orientações e mais informações sobre os requisitos no site da Aneel: https://www.aneel.gov.br/area.cfm?idArea=757.
Só em 2015, indústria economizou R$ 40 mil
Outro imóvel em Bauru que produz parte da energia que consome é o da empresa Sindustrial Energia Ltda., que fica na região do Terminal Rodoviário. Com cerca de 200 funcionários, a empresa também fabrica inversores - uma das partes do sistema de produção de energia através do sol - e vende para todo o Brasil.
O engenheiro mecatrônico Gabriel Daré, gerente de energia renovável da empresa, cita que, somente em 2015, a economia foi de R$ 40 mil, pois 87 mil kw/h foram gerados. “Representa 40% do que consumimos, para uma indústria é um valor bastante significativo”, destaca. Segundo Daré, foram investidos mais de R$ 600 mil, porém, o retorno a longo prazo compensa. “As indústrias pagam menos no valor unitário da energia, em comparação ao consumidor residencial, porém, utilizam muito mais. Tanto o consumidor industrial quanto o residencial e do comércio têm benefícios adotando a energia solar, a economia é grande”.
De acordo com ele, a vida útil dos aparelhos gira na casa de 20 anos a 25 anos, o que potencializa o retorno do investimento.
Na Sindustrial, são fabricados inversores, que são vendidos principalmente para empresas de médio e grande porte. O restante dos equipamentos que compõem o sistema são fabricados na Europa. “Por enquanto a procura maior tem sido na Grande São Paulo e nas regiões de Campinas e Jundiaí. Masn, com o tempo, mais empresas e residências de Bauru e região devem adotar esse sistema, pois a médio e longo prazo o retorno é grande, além de ser uma energia totalmente limpa”, frisa.
A empresa bauruense também já possuía um sistema de captação de água da chuva, com capacidade de armazenar até 300 mil litros, utilizados de forma não potável. De acordo com Daré, isso representa 80% do que a empresa consome de água mensalmente. O contato da empresa é o faleconosco@sindustrial.com.br.
![]() |
