“Precisamos manter nossa cidade limpa. Ela é de todos nós. A população sabe que o lixo atrai doenças”. O desabafo é do pintor Juarez Alves. Ele o fez enquanto a reportagem fotografava um espaço repleto de lixo na região do Mary Dota. “Pneus, móveis, sapatos, diversos tipos de embalagens plásticas, garrafas, roupas, material de construção... E até exames médicos. De tudo o pessoal joga por aqui”, mostrou.
Na visão de Juarez, as pessoas não colaboram com a limpeza pública. Ele comenta que o poder público manda máquinas para limpar os terrenos vez ou outra, mas que, no dia seguinte, já tem gente despejando lixo por lá. O lugar fotografado fica na região da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Mary Dota. Quase ao lado também tem uma escola.
“E as crianças soltam pipas por aqui. Eu não entendo porque as pessoas jogam o lixo assim. É um absurdo”, grifa.
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| Para Marcos Rosa, funileiro no Jardim Marambá, a falta de infraestrutura em parte do bairro atrai lixo e entulho para vias e terrenos; na outra foto, o prolongamento da avenida Pedro Bertolini, que liga ao Geisel, recebe lixo em boa parte da sua extensão |
Se falta infraestrutura, sobra...
Lixo. É o que sobra em lugares onde a infraestrutura é precária. Em algumas localidades do Jardim Marambá, isso é visível.
Na quadra 7 da avenida Pedro Bertolini, o asfalto deu lugar ao entulho e sacolinhas de lixo doméstico. “Esta quadra é apenas um exemplo. Há outros lugares assim no bairro, terrenos públicos e particulares, inclusive”, comenta Marcos Antônio Rosa, que tem uma funilaria e pintura na quadra 1 da rua Humberto Antônio Aiello, cruzamento com a via mencionada.
Ele comenta que muito do entulho vem das obras dos próprios moradores, assim como o lixo doméstico. Para ele, a falta de infraestrutura incentiva o descaso das pessoas com o lugar: “Se tivesse asfalto e calçada, tudo isso melhoraria”, acredita.
Descendo pela avenida Pedro Bertolini e atravessando a rua Humberto Antônio Aiello chega-se até o Geisel ou à avenida Nações Unidas. A passagem, também sem calçadas, recebe lixo de todo tipo em praticamente toda a sua extensão.
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Rua ‘despejo’
Algumas quadras (as que ainda não receberam asfalto) de uma principais ruas do Pousada da Esperança 1, a Pedro de Castro Pereira, foi transformado em um verdadeiro local de despejo de lixo e entulho. No ato da reportagem, por exemplo, a equipe flagrou pessoas despejando resíduos por lá.
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| O lixo e o entulho tomam conta das quadras sem asfalto da rua Pedro de Castro Pereira, no Pousada 1, segundo mostra o mecânico Jian Rafael da Silva; em outra foto, um flagrante de descarte |
Para o morador Jian Rafael Santos da Silva, cada um tem a sua parcela de culpa, porque são muitos os que despejam lixo no local. “Até sofá, isso porque temos um ecoponto no bairro. O lixeiro passa três vezes por semana, mas não tem jeito, o povo joga o lixo aqui mesmo. Uma vergonha. E muita gente já sofreu com a dengue por aqui. As crianças brincam no meio desse lixo e, quando chove, no meio das poças que se formam na rua”, narra.
Enquanto parte da via segue sem asfalto, o areião e o lixo dificultam a passagem dos carros e a vida dos que vivem por perto.
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‘Durante o dia é lixo; à noite, fogo’
O Jardim Redentor é um bairro bastante povoado, com poucos terrenos baldios. Porém, basta que um pequeno espaço se encontre vazio para que o lixo entre. E de todo tipo, assim como ocorre em diversas regiões da cidade. Pior mesmo para os moradores das casas ao lado.
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Dona Maria Aparecida Stroziatto, por exemplo, vive na quadra 2 da rua Santa Paula. Do outro lado da rua, na esquina da quadra 1, há um terreno cheio de lixo. “Havia uma casa no lugar, mas foi demolida. Agora o terreno está aberto e o pessoal começou a jogar de tudo ali. Durante o dia eles jogam o lixo. À noite, alguém vem e coloca fogo. É um horror”, desabafa.
Segundo a moradora, muitos dos que fazem do espaço um depósito de detritos são moradores do próprio bairro. Carriolas e até carrinhos de supermercado são usados para a prática. Ela acredita que o terreno esteja sobre a responsabilidade da prefeitura e que a solução estaria na construção de algo ali.
“A vizinhança se desespera, principalmente os que têm casa ao lado. Isso sem falar sobre a dengue. Meu irmão vivia por lá virando as latas para evitar o acúmulo de água e, adivinhe, ele mesmo pegou a doença”, desabafa.
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