Nascido em Pratânia – SP, aos 23 de novembro de 1922, no seio de uma família simples e trabalhadora, sempre se maravilhou com as histórias contadas por seus pais e parentes próximos, que diziam sobre a vida no campo e seus acontecimentos. Ali, no pequeno vilarejo, teve uma infância feliz desfrutando da amizade e brincadeiras com os companheiros de escola, principalmente nos jogos de futebol, quando corriam e chutavam a bola de meias (sua mãe Isabel sempre guardava as meias velhas e gastas para coloca-las uma dentro da outra até formar uma bola de bom tamanho). Era a brincadeira preferida por todos.
O tempo passou rápido e logo concluiu a terceira série, escolaridade máxima oferecida pela escola. Seu pai, Joaquim sentindo a importância de oferecer continuidade nos estudos, decidiu pela venda do armazém, em Pratânia, que tinha em sociedade com o irmão Lázaro, comprado por outros dois irmãos, Augusto e João, escolhendo uma cidade maior para morar. A mudança para Botucatu foi rápida e, sem demora, ele já estava matriculado na série seguinte. Sempre gostando de ler e escrever, logo criou na própria escola um pequeno jornal onde podia compartilhar seus escritos, muitos sendo aproveitados para seus livros.
Na época, eram raras as cidades do interior que ofereciam cursos além do colegial. Botucatu estava entre elas. Assim, mais uma vez, para dar continuidade aos estudos, teria que acontecer uma nova mudança. A diferença, da situação anterior, era que a família havia crescido com a chegada dos irmãos Amélia, José e Maria Aparecida e todos estavam adaptados com a vida escolar e de trabalho, não havendo incentivo para que a família se mudasse para outra cidade. Seu desejo foi mais forte. Decidido, prestou exames, e foi aprovado para cursar uma das melhores faculdades do país, a Faculdade de Direito do Largo São Francisco – USP, em São Paulo. Como seus pais não tinham condições financeiras para mantê-lo, ele montou um cursinho de literatura, na Rua São Bento, com uma frequência constante acima dos cinquenta alunos, a maioria da própria faculdade de direito.
Para o sustento, e alegria, o trabalho conquistado foi a área que mais gostava. A Editora Melhoramentos era a principal editora de livros do país. E foi nessa empresa que recebeu incentivo para publicar seu primeiro livro, superando todas as expectativas de vendas e rasgados elogios pela crítica literária. Hoje, são mais de trinta títulos, traduzidos em quinze idiomas, no mundo todo, que ultrapassaram a casa dos cinco milhões de exemplares. São histórias escritas numa linguagem que levam o leitor a se sentir parte das narrativas.
Forma singular de escrever que fez a famosa Coleção Europeia “Delphin” incluir seu nome, único escritor brasileiro, na lista dos clássicos da literatura juvenil de todo o mundo. Presidiu a Academia Paulista de Letras, recebeu vários prêmios e homenagens e teve, na cidade de Pratânia-SP, um de seus sonhos realizados com a criação do Sítio Taquara-Póca, espaço especial onde estão réplicas de casas da antiga Pratânia, bem como máquinas e equipamentos da época, tudo ao redor da Biblioteca Francisco Marins.
Infelizmente, Francisco Marins não pôde ver seu sonho se concretizar, a conclusão do Hospital Preventivo do Câncer de Botucatu, que está sendo construído em terreno doado por ele. No último domingo (10/04/2016), aos 93 anos de idade, completou seu tempo de vida entre nós, deixando um legado marcante e significativo para a jovem literatura brasileira.