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Solução definitiva para as enchentes na Nações custa até R$ 234 milhões

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis/JC Imagens
Aos 24 anos, Rafael Zontini morreu arrastado pela enxurrada na avenida em novembro de 2010
Aceituno Jr.

Quanto custa resolver as frequentes inundações da avenida Nações Unidas? A Prefeitura de Bauru contratou uma empresa especializada para apontar formas de combater em definitivo as enchentes, ultimamente registradas mesmo em episódios de baixo volume de chuva. Foram elaboradas cinco propostas diferentes que exigirão o desembolso de R$ 168 milhões a R$ 234 milhões, de acordo com a metodologia de engenharia escolhida.

O estudo será apresentado em um encontro na próxima terça-feira, na Assenag. Para se ter ideia do quanto isso representa, a alternativa mais custosa é 60% mais cara do que a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), obra que a cidade demorou décadas para viabilizar e, ainda assim, caminha em ritmo lento.

O prefeito Rodrigo Agostinho tem ciência de que não conseguirá tirar este projeto do papel até o fim do seu mandato, não apenas por questões financeiras, mas também pela grandiosidade das intervenções. “Será preciso fazer uma nova Nações Unidas”.

Ele acredita, no entanto, que poderá deixar o caminho trilhado para seu sucessor buscar a captação de recursos a fim de viabilizar todo o sistema de micro e macrodrenagem da avenida e seu entorno. Isso porque a cidade escolherá qual das cinco propostas traçadas pela empresa Hidrostudio é a melhor para dar fim às cheias da Nações Unidas, segundo o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, a partir da combinação de critérios econômicos, sociais e ambientais.

Próxima semana

As alternativas serão apresentadas a todos os interessados em audiência agendada pela Prefeitura para a próxima terça, na Assenag, onde o debate sobre o histórico problema foi retomado em 2014.

A proposta escolhida será detalhado pela empresa paulistana, contratada pelo município por R$ 290 mil para executar o serviço.

DEBATE PÚBLICO

A necessidade de apresentação prévia de soluções para a drenagem da Nações  antes da elaboração do projeto executivo foi exigida pelo edital da licitação vencida pela Hidrostudio. “É uma medida que deveria ser adotada para todas as obras de grande porte. Afinal, são muitas as metodologias de engenharia possíveis”, comenta Sidnei Rodrigues.

Por que a solução é algo tão caro?

Sob o leito carroçável da Nações Unidas, passa o Córrego Água das Flores. Com o processo de impermeabilização do solo de sua bacia, a dimensão dos canais que contem as águas tornou-se insuficiente ao longo do tempo. “Por isso que custa tão caro. Será necessário abrir a avenida de fora a fora, pelo menos no trecho do Vitória Régia até a Nuno de Assis”, pontua o prefeito

A troca da tubulação, no entanto, não resolve o problema em definitivo. Sidnei Rodrigues explica que as propostas elaboradas pela Hidrostudio apresentam diversas alternativas complementares. Dentre elas, a construção de barragens, como a da Água do Sobrado, na região Oeste da cidade, e, novamente, a possibilidade de piscinões.

Além disso, observa o secretário, a obra “faraônica” exigirá a substituição de boa parte das galerias das regiões mais altas que cercam os dois lados da avenida. “Por isso falamos em macro e microdrenagem”, completa o titular da Obras.

Projeto próprio não resolvia

Rodrigo Agostinho explica que decidiu contratar o estudo específico diante das dificuldades do município em viabilizar a captação de recursos junto a União para aplicar na drenagem da Nações Unidas. Isso porque o projeto até então utilizado pela administração municipal – elaborado por técnicos da própria Prefeitura de Bauru - era questionado pelo Ministério das Cidades. “Havia o entendimento de que nossa proposta apenas transferiria o problema para a Nuno de Assis”.

O chefe do Executivo lembra ainda que, muitos anos atrás, cogitou-se a construção de um grande piscinão no Parque Vitória Régia. “Mas não foi para frente porque havia o temor de riscos gerados a pessoas que utilizam o local, especialmente durante os grandes eventos, em casos de chuva forte”, comenta Rodrigo.

Serviço

A audiência “Requalificação do sistema viário e urbanização da Bacia do Córrego Água das Flores” ocorre no dia 26, das 14h até as 17h30, na Assenag (rua Dr. Fuas de Mattos Sabino, 1-15).

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