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| Na peça “O navio negreiro”, Vado faz 16 personagens: de gente anônima a nomes históricos |
O poeta baiano Castro Alves (1847 – 1871) foi pioneiro ao colocar os negros como heróis das suas obras. Uma delas, “O navio negreiro”, é o ponto de partida para o espetáculo de mesmo nome que será apresentado nesta quarta-feira (20), às 9h30 e às 20h, no Teatro Municipal de Bauru.
Há 45 anos em cartaz, com mais de 12 mil apresentações comprovadas, a peça entrou no Guinness Book, o livro dos recordes. Nessa jornada, o espetáculo foi visto em diversas cidades brasileiras, em todas as capitais do continente americano e diversos países da Europa e da África. Em Bauru, “O navio negreiro” chega pela segunda vez, após 10 anos.
A adaptação teatral é de Benedito Irivaldo de Souza, o Vado, que no palco “encarna” 16 personagens para retratar não só os sofrimentos dos africanos escravizados no Brasil, mas especialmente a força, a cultura, o legado e as conquistas dos afro-descentes.
“O mais difícil é fazer diferente e fui mudando o modo de interpretar, aprimorando e acrescentando atualidades. Como não citar o primeiro presidente negro da poderosa nação norte-americana?”, questiona Vado.
Em cena, as personalidades históricas são lembradas, mas os holofotes estão mesmo sobre homens, mulheres e crianças e idosos anônimos, dos que inspiraram o poema de Castro Alves aos que são referências para as atuais e futuras gerações. “Precisamos resgatar a história desses homens e a maravilhosa obra deixada por Castro Alves ajuda a levar amor e conhecimento sobre tudo que envolve os negros”, destaca.
‘O incrível Vado’
Natural de Mogi Guaçu (SP), Vado tem 68 anos. Ele foi estudante de engenharia mecânica, metalúrgico e jogador de futebol profissional, mas deixou tais áreas para iniciar a carreira artística no teatro amado em Campinas.
Logo, passou a integrar o cast de novelas da TV Record. Tem experiência como ator de cinema, incluindo a produção “O navio negreiro”, e espetáculos que foram sucesso de público e crítica como “Hair”. Estudou arte dramática na Broadway, nos EUA, no final da década de 1970.
No Brasil, recebeu comendas, premiações, menções honrosas e homenagens pelo trabalho artístico e pela divulgação da cultura negra. Por conta disso, coleciona recortes de jornais de vários países sobre a peça “O navio negreiro” e fotos com autoridades e celebridades, incluindo o Pelé.
Em 2012, entrou para o Guinness World Records como detentor do título de “carreira mais longa como diretor de teatro de uma mesma produção”.
Serviço
“O Navio Negreiro”: quarta, 20/04, às 9h30 e às 20h, no Teatro Municipal de Bauru (av. Nações Unidas, 8-9). Entrada: R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira). Preços especiais para escolas (14) 3232-9493.
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