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Educação e presença

Luciene Ferreira da Silva
| Tempo de leitura: 2 min


Sou professora, estou aqui, presente! Sou corpo com identidade e história únicas e não se preocupem leitores, pois não irei aqui contá-la, agora. Vou escrever sobre a presença! Tive muitos professores e todos estiveram presentes! Alguns mais, outros menos, mas a maioria, o suficiente para que eu me sentisse desejosa de ser uma professora presente.

Estou, portanto, junto com os alunos, desde que conclui a primeira graduação e fui para as escolas, ser professora, com vinte e um anos de idade. Estabeleci e estabeleço com eles, meus alunos, desde então, vínculos variados, cotidianos, intensos e valiosos para minha presença no mundo. Estar com eles é muito importante para o significado da minha vida, pois a minha profissão não se separa da vida.

Sou professora e estou presente, fazendo a minha parte, a que me cabe historicamente, porque escolhi ser professora e porque desejo ultrapassar a transmissão sociocultural restrita, já teorizada como educação bancária pelo professor Paulo Freire. Desejo, muito mais, perceber corpo por corpo: alegres, tristes, motivados, desmotivados, preocupados, angustiados, etc. Sentir cada aluno, as suas necessidades, os desejos e as frustrações, entre outros.

Sou professora que não quis e nem quer passar pela vida, ignorando os meus alunos. Não ignorá-los exige dar-lhes voz, refletir conjuntamente, incansavelmente e a partir deles e das reflexões, sobre quem são, o que necessitam, como corpos em construção, numa sociedade marcada pela manipulação, pela desigualdade, por contraste e por manipulações, materializar propostas educacionais que façam valer a minha presença na vida deles.

Não fiquei e não fico “de longe”, não quis e nem quero me isentar de desenvolver os meus alunos, quis e quero me adaptar metodologicamente para realizar melhor os diagnósticos, as análises e as intervenções suscitadoras de curiosidade, dúvidas e, portanto, de reflexões! Também quis e quero me transformar em um ser humano melhor.

Se eu não estivesse e nem estiver presente me restringiria a “transmitir” conhecimentos acumulados. Isso é muito insuficiente, massificante e ideologizante. Enfim, sou professora e estou presente, para me relacionar, vivenciar, fazer história coletivamente e ensinar a importância da presença dos professores, na vida cotidiana dos alunos, com liberdade intelectual. Hoje, após vinte cinco anos de presença, sou professora de alunos, que serão professores e continuo presente!

A autora é professora, doutora, docente do Departamento de Educação da FC/UNESP - silvalucienef@gmail.com

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