| Samantha Ciuffa |
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| Médico infectologista Gustavo Kawanami salienta a necessidade de manter hábitos de higiene pessoal para reduzir chances de contrair a doença |
O aumento de casos no Estado de H1N1 desde meados de março, antes do período em que a doença costuma se disseminar (a partir de abril e maio), trouxe preocupação à população e fez os governos estadual e federal anteciparem o calendário de vacinação em algumas regiões, como na Capital. Em Bauru, onde há um caso oficial confirmado em 2016 e quatro mortes suspeitas em investigação, o cronograma de vacinas foi mantido, a partir de 30 de abril.
Além disso, a procura por máscaras, álcool em gel e da vacina em clínicas particulares disparou há cerca de um mês. O remédio Tamiflu (nome comercial do antiviral Oseltamivir) também teve alta nas vendas, mas este só deve ser usado sob recomendação médica.
A preocupação é fundamentada, dizem os especialistas, mas a população não deve entrar em pânico. O principal é seguir as recomendações básicas para evitar a propagação do vírus.
O médico infectologista Gustavo Kawanami explica que o H1N1 realmente tem se mostrado mais agressivo do que o de outros vírus que provocam a gripe, com maior potencial para levar a casos grave. Isso, entretanto, não é uma regra. “O H1N1 tem capacidade maior de causar doenças graves, como uma pneumonia viral, em pessoas que não são, a princípio, consideradas como parte de grupos de risco. Mas a associação a outras doenças, como diabetes, hipertensão e asma, pode desencadear quadros mais graves”, aponta, reiterando o risco das chamadas comorbidades.
Outro fator que chama a atenção, desde a primeira grande epidemia por essa cepa viral, em 2009, é a violência do H1N1 no organismo. “Claro que cada organismo reage de uma maneira. Mas o que se observa é que o H1N1 tem um grau de violência maior no corpo, desencadeando, em muitos casos, infecções pulmonares. Quando há óbito é por conta da própria infecção ou porque a pneumonia debilitou demais o organismo e permitiu a entrada de alguma outra doença”, completa o médico.
Até 10 horas
Estudos apontam que, fora do organismo, o H1N1 chega a sobreviver por até dez horas. Uma das preocupações das pessoas é a de pegar a gripe pelo ar, ou seja, simplesmente pela respiração. É claro que há o risco de uma pessoa espirrar ou tossir diretamente no seu rosto, porém, não é a maneira mais recorrente do contágio.
Segundo o médico infectologista Gustavo Kawanami, o vírus precisa de contato com alguma superfície. “Não se pega a gripe simplesmente pela respiração ou conversando com alguém. É necessário que as mãos ou algum utensílio, por exemplo, esteja contaminado, e isso entra em contato com alguma mucosa, como boca, nariz ou olho”, destaca.
Ou seja, o ato de cumprimentar as outras pessoas com as mãos exige cuidado redobrado, sendo importante que se lave as mãos ou aplique álcool em gel em seguida. “O que acontece é que, em ambientes fechados, isso é mais fácil de acontecer. Pequenas gotículas de alguma secreção de quem está doente cai em uma superfície, como uma mesa, e outra pessoa passa a mão ali e acaba levando isso até a boca, o nariz ou os olhos. É aí que acontece a contágio. O que pode levar a uma contaminação direta seria um contato como o beijo, onde há troca de fluidos”, cita.
“Em um restaurante self-service, por exemplo, todo mundo usa os mesmos utensílios para pegar a comida, é algo complicado, o certo então é que a pessoa lave as mãos depois de se servir, antes de começar a comer, para não correr o risco de levar as mãos a boca, por exemplo, e se contaminar”, aponta.
E a máscara?
De acordo com Kawanami, pessoas que apresentem sintomas da doença devem evitar ambientes públicos, especialmente locais fechados. “Primeiro para evitar a transmissão a outras pessoas e, segundo, pela sua própria saúde. O ideal, neste caso, é procurar um atendimento médico assim que possível. Quanto ao uso de máscara, isso é válido para quem está doente, justamente para evitar a proliferação do vírus. Para quem está saudável, usar máscara tem um efeito muito limitado, não é uma solução adequada”, reitera.
Neste caso, o melhor para evitar contrair o vírus é mesmo a higiene constante. “É importante lavar as mãos com frequência. O álcool em gel também ajuda. Como a transmissão se dá pelo contato do vírus com alguma mucosa, esses são os melhores meios de se proteger”, afirma o infectologista Gustavo Kawanami.
‘Nós ficamos bastante apreensivos’
A empregada doméstica Dirce (apenas o primeiro nome foi divulgado para não identificar a criança, em respeito ao ECA) viveu dias tensos quando soube que a neta, de 4 anos, estava com suspeita de ter contraído H1N1.
A garota começou a apresentar os sintomas no dia 15 de abril e o quadro evoluiu rapidamente em dois dias. “Na sexta (dia 15), ela não comia nada e estava resfriada. No sábado, piorou, aí levamos para o Pronto-Socorro, passou o período da tarde lá e, em seguida, foi encaminhada para o Hospital Estadual, na UTI. Ficamos bastante apreensivos, com medo de ser essa gripe, que a gente ouve que é perigosa”, narra a avó da criança.
Na quarta-feira (20 de abril), exames apontaram que o quadro da menina não era de H1N1. Mesmo assim, Dirce comenta que a família ficou preocupada durante esses dias, pois, na mesma casa, vivem outras três crianças, com idades entre 6 meses e 12 anos. “Ficamos preocupados por causa das outras crianças. Acabou alterando a rotina, procurando evitar que as outras pegassem a gripe. Graças a Deus o exame saiu e mostrou que não era H1N1, mas sempre preocupa”, finaliza.
Vacinas
Em Bauru, o calendário oficial de vacinação da rede pública seguirá o cronograma original, começando a partir do dia 30 deste mês, atendendo aos chamados grupos de risco, como profissionais da área de saúde, gestantes, idosos (mais de 60 anos), crianças de 6 meses a 5 anos de idade, soropositivos, entre outros.
Pessoas fora do grupo de risco, ou mesmo as que pertencem a ele e preferiram antecipar a proteção, estão recorrendo a clínicas particulares. Em Bauru, uma dessas clínicas, no Centro da cidade, tem aplicado cerca de 600 vacinas diariamente. “Recebemos recentemente o terceiro lote, com 3 mil doses. Mas a procura segue alta e não dá para precisar quando chegam mais vacinas. O que a gente sugere é que as pessoas venham até a clínica mesmo que haja um pouco de espera na hora, porque a demanda está realmente elevada”, explica Elis Vilela, enfermeira responsável pela clínica particular. O custo médio da vacina atualmente é de R$ 150,00.
“A vacina que é aplicada é importada e tetravalente, protegendo de quatro tipos de Influenza que mais podem levar a complicações: H1N1, H3N2 e dois tipos de Influenza B. Na rede pública, a vacina é trivalente, pois não protege contra um dos tipos da B”, complementa.
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