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Entrevista da semana: Ives Pedro Rossi

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Malavolta Jr.
Ives ao lado da esposa, Néli Maria, com quem é casado há quase 25 anos

Desafios. Eles movem a vida do entrevistado deste domingo (24), Ives Pedro Rossi. Empresário do ramo educacional, ele é diretor-presidente do colégio GBI. Aposentado do Banco Nossa Caixa, Ives já foi dono de um posto de combustíveis e de uma imobiliária, em Bauru.

“Mas a minha vida foi toda cheia de desafios. Tudo o que eu fiz foi encarar todos eles. Eu gosto deles. Gosto de conversar, gosto de gente. Para mim, o trabalho é um prazer. Não trabalho por interesse financeiro, eu trabalho por gosto mesmo”, relata aos 82 anos de idade, com muita disposição e vigor.

Nascido em Tabatinga, “terra do bichinho de pelúcia”, como ele gosta de dizer, Ives passou por outras cidades até chegar a Bauru. Neste perfil, ele também lembra fatos de sua infância na zona rural: “Minha infância foi toda na zona rural. Meu pai e meu avô eram da agricultura. E eu os ajudava com o trabalho do sítio... Lembro-me dos pães e dos doces caseiros que minha mãe fazia para vender. Eu estudei apenas até o quarto ano. Mas sempre tive curiosidade e vontade de aprender”. Leia mais.

Jornal da Cidade – O senhor nasceu e cresceu no município de Tabatinga. Passou por outras cidades até chegar a Bauru?
Ives Pedro Rossi - Eu nasci na terra do bichinho de pelúcia, Tabatinga. Nasci e cresci. Sai de lá com mais de 30 anos, e ainda tenho grandes amigos por lá. Mas antes de vir para Bauru eu fiz uma maratona. Vivi em São Paulo, Tupã, Marília e então cheguei a Bauru. Eu trabalhava na Nossa Caixa e precisei fazer todas essas mudanças para cumprir meus desafios. Aposentei-me aqui em Bauru, em 1983, como gerente regional

JC – Quais foram esses desafios propostos pela carreira no banco?
Ives - Eu comecei trabalhando como escriturário. Quando você tem uma oportunidade, você deve aceitar para ir em busca de melhorias. Passei por dificuldades, principalmente porque ficava longe da minha família nessas temporadas em outras cidades. Em São Paulo, eu acompanhei as mudanças do banco, do processo manual para o sistema computadorizado. Passei muitas madrugadas trabalhando para que, de manhã, o sistema estivesse implantado para os clientes. Isso foi me dando muita experiência e eu fui convidado a integrar o grupo de inspeção, por isso mudei bastante de cidade.

JC – A aposentadoria trouxe novas oportunidades para o senhor?
Ives – Sim. Eu me aposentei e comprei um posto de combustíveis na alameda Octávio Pinheiro Brisolla. Depois da aposentadoria, fui viajar. Voltei, mas não me adaptei à vida sem trabalho. Fui abastecer o carro e perguntei para o dono do posto se o estabelecimento estava à venda. Ele disse que não, mas que poderíamos conversar. Dois dias depois o negócio estava fechado (risos). Foi outro desafio. Uma área totalmente diferente da bancária. Mas eu me dei bem, graças a Deus. Reiniciei uma nova vida. Fiquei com o posto de 1984 até 1989. Minha primeira esposa, mãe dos meus filhos, ficou doente e eu resolvi vender o posto para ficar com ela. Infelizmente, ela faleceu em 1989.

JC – O senhor retomou a vida profissional de que forma?
Ives - Eu já tinha vendido o posto, porque ela precisava de mim e isso era o mais importante. A família sempre foi a razão da minha existência. Minha pior fase foi de 1987 a 1990, quando também faleceram os meus pais. Depois de toda aquela tristeza, eu decidi voltar a trabalhar. Eu adoro trabalhar. Tenho 82 anos e me levanto umas 6h30 e trabalho até as 22h. Eu não paro. Bom, depois do posto eu abri uma imobiliária. Fiz curso de corretor e parti para esta nova “batalha”.

JC – Quando a vida presenteou o senhor com um novo amor?
Ives - Minha esposa é dentista e nós nos conhecemos por causa da profissão dela. Eu tinha parentes que eram pacientes do consultório dela. O nosso casamento ocorreu em 1992. Unimos nossas duas famílias e fizemos uma nova. Temos seis netos. Apesar da diferença de idade, ela é cerca de 30 anos mais jovem, a gente se entende muito bem.  

JC – O senhor é o diretor presidente do colégio GBI. Quando a área educacional surgiu como uma oportunidade?
Ives – Tudo começou em 1994, quando o Sebrae fez um trabalho nacional para criar empresas S/A com pequenos investidores. Houve reunião do Sindicato do Comércio Varejista e eu fui convidado. Estávamos em um grupo de diversos aposentados e gostamos da ideia. Em abril de 1996, fundamos a empresa GBI S/A, ainda sem finalidade. Depois, o grupo foi se reunindo, acolhendo acionistas e a maioria optou pela educação, algo que ainda falta no Brasil. Com o grupo, fomos trabalhando, buscando todo o necessário para ter um bom resultado.

JC – Embora jovem, a escola parece que já está consolidada em Bauru, certo?
Ives – Graças a Deus. A escola foi construída na região do residencial Camélias, do zero. Começou a funcionar em 2000, com uma sala e 14 alunos do Ensino Infantil. Hoje, estamos com uma equipe excelente. A escola foi acompanhando os alunos e já oferecemos o Ensino Médio. A área educacional também ofereceu e ainda oferece desafios. Mas a minha vida foi toda cheia de desafios. Tudo o que eu fiz foi encarar todos eles. Eu gosto deles. Gosto de conversar, gosto de gente. Para mim, o trabalho é um prazer. Não trabalho por interesse financeiro, eu trabalho por gosto mesmo.

JC – Além do trabalho, o senhor cultiva outras paixões?
Ives – Ah, sim. Eu gosto principalmente de viajar. Quando me casei com a Néli, por exemplo, fomos para o Nordeste. Foram 30 dias de carro. Subimos pulando um Estado e conhecendo o outro. Na volta, fizemos o contrário, viemos conhecendo os Estados que pulamos. Foi cansativo, mas sensacional. Muito bom mesmo. Fomos até o Ceará. Eu gosto mesmo é de viajar pelo Brasil.  

Malavolta Jr.
"Sempre tive coragem e não tenho do que reclamar dessa vida", diz Rossi

JC – Sobre o Brasil, como o senhor analisa o nosso atual momento político?
Ives - Eu acho que nosso País é abençoado. Só que falta uma administração mais séria e patriota. Os desafios de administração são grandes, mas eu acho que, com uma administração séria, dá para oferecer condições mais dignas para os brasileiros. Estamos em um momento de transição. Não sabemos o resultado disso tudo, mas eu tenho esperança de que as coisas melhorem. Eu nunca quis ser político, mas gosto de estar atento a tudo e, como brasileiro e trabalhador que sou, eu acho que o Brasil está muito mal administrado.

JC - Aos 82 anos, o senhor encararia um novo desafio profissional?
Ives - Ah, qualquer um (risos). Antes de entrar na Caixa, eu fui balconista em Tabatinga. Era um armazém que vendida de tudo, de grãos por quilo a tecidos. Eu aprendi muita coisa com esse trabalho. Acho que é por isso que eu gosto de atender e de conversar.

JC – O senhor tem boas recordações da sua infância e juventude?  
Ives – Não foi nada fácil, mas tenho, sim. Minha infância foi toda na zona rural. Meu pai e meu avô eram da agricultura. E eu os ajudava com o trabalho do sítio. Meu avô morreu e os dez filhos venderam a propriedade e dividiram o dinheiro. Meu pai foi trabalhar em uma fazenda e eu o ajudava. Mais tarde, ele comprou uma venda na zona rural. Lembro-me dos pães e dos doces caseiros que minha mãe fazia para vender. Até que meus pais venderam a venda e fomos morar em Tabatinga, em 1948, por aí. E fui trabalhar no armazém. Lá, eu também aprendi demais com o contador deles. Esse conhecimento foi o que me ajudou a comprar uma casa quando eu me casei. Eu fazia as chamadas escritas simples para os bares e armazéns menores de toda a região. Fiz uma boa economia e comprei a casa.

JC – E teve oportunidade de estudar?
Ives - Eu estudei apenas até o quarto ano, chamado de primário. Mas sempre tive curiosidade e vontade de aprender. Quando eu não tinha o que fazer, eu ficava treinando a escrita, o que me deu uma letra bonita. Eu pegava os jornais e lia tudo. Tudo o que me ensinavam eu estava disposto a aprender. Fiz alguns cursos que me ajudaram profissionalmente. Até quis estudar mais, mas eu me casei e precisei trabalhar muito. Sempre tive coragem e não tenho do que reclamar dessa vida. Inclusive eu escrevi um livro de memórias: “Relatos de uma vida bem vivida”.

JC – Mandaria um recado a alguém?
Ives – Para todas as pessoas. Eu peço para que todos tenham o amor como objetivo. Que amem e respeitem o próximo. Que cumpram suas atividades alegremente, quer sejam pessoais, profissionais ou do lar, com honestidade.

Perfil
Ives Pedro Rossi
Tem 82 anos e nasceu em Tabatinga/SP

É casado com Néli Maria Molina Dezotti
Tem três filhos: Alcides Luís, Rosângela Maria e Perla Tatiana, além do enteado Luís Felipe 
Gosta de ler a Bíblia e o Jornal da Cidade
Tem alguns hobbies, como a música e uma conversa animada

É apaixonado por futebol, especialmente
pelo São Paulo
Nota 10: Para meus familiares e às pessoas honestas, transparentes e cumpridoras de seus deveres
Nota 0: Para os corruptos e maus gestores
E-mail: gbisa@escolagbi.com.br 

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