Tribuna do Leitor

Sinserm e servidores

Ivan Dalalio
| Tempo de leitura: 5 min

Li na edição de do JC de 20/04 a carta do Sinserm direcionada ao prefeito e aos vereadores com certa estranheza. Li novamente para entender o contexto e algo dizia para que eu a lesse novamente, mas parei por ali. Duvidoso com o texto e o contexto, resolvi escrever ao Sinserm e aos servidores o seguinte. Estava eu estendendo a roupa na lavanderia e assistindo à sessão da Câmara. Isso mesmo, eu, 47 anos, administrador de empresas, pai de 3 filhos, desempregado, assistia à fala dos vereadores, coisa que tenho feito todas as segundas-feiras em virtude da minha sobra de tempo. O que não ocorre de manhã. Esse período eu reservo a atualizar meu currículo nos sites de emprego na internet ou batendo perna nesse clima ameno bauruense.


Me estranhou o fato de poucos vereadores terem falado. Como é habitual, houve a discussão de projetos e, repentinamente, um tumulto tomou conta do plenário, mas pela TV pouco se viu, mas se ouvia xingamentos e palavras de ordem. Até aí é normal, isso acontece quando as pessoas têm liberdade de expressão e vivem numa democracia, palavra que causa arrepios por ter sido tão surrada e desfigurada nos últimos tempos.


Só então fui perceber e entender que o projeto de parcerias público privado estava sendo votado ... Qual foi o papel do Sinserm? Apenas incitação. Muito barulho, pouca orientação e pouco diálogo. Em resumo, muita exigência e pouco entendimento. A diretoria do Sinserm não dialoga. A comunicação é unilateral e eles são os donos da razão. Digo o sindicato, não os servidores e que isso fique bastante claro. Ademais, nem todos, como dito na carta, são exímios modelos do funcionalismo a serem seguidos. Basta lembrar-se do vídeo em que uma mãe busca atendimento ao filho e as atendentes do PS central estão vendo fotos de casamento e depois deste, outros vem à memória. Mas tirando a conduta individual de lado e se atendo ao projeto, eu, que não sou advogado, como o Sinserm deve ter o seu, mas sou curioso e gosto de ler, entendi que o projeto não tira emprego do funcionalismo público, ou seja, quem é o será até sua merecida aposentadoria.


O que prevê o projeto, assim entendi em seu texto disponível na Internet, é terceirizar o que não pode ser feito pelo município. Será que os servidores foram orientados dessa forma? Será que o Sinserm fez o dever de casa com relação aos direitos dos funcionários, mas esquece de lembrar que alguns tem, sim, que ser lembrados de seus deveres? Será que alguns não debocham da população não prestando serviço seja pela falta de vontade ou pelo município estar no cheque especial? Não se trata de um cheque em branco, como diz a carta.


No meu entendimento, se trata da possibilidade de proporcionar um atendimento melhor à população. Não sou defensor do prefeito e também não simpatizo com a maioria dos vereadores. O que eu votei me representa e tem trabalhado pela cidade não apenas agora, mas desde 2013. E sei porque acompanho. Em tempos de nervos inflamados em virtude de acontecimentos na esfera federal, é compreensível que o descontentamento atinja o município, mas apelo para que não se torne uma luta entre o bem e o mal como temos visto. Entendam que, independente de quem faça, tem que fazer bem feito. Tem que haver gestão e controle, coisa rara de ser vista em administração pública, já que seria mais fácil empurrar para o próximo, pois infelizmente a grande maioria dos brasileiros, funcionários públicos, da iniciativa privada ou um Zé Ninguém como eu, entre os 10,5 milhões de desempregados, quer é que não mexam no meu queijo, mas se o queijo é seu por direito, servidor, fique tranquilo.


A PPP pode te ajudar como cidadão pagador de impostos, sua família e seus vizinhos a ter mais dignidade. Isso é cultural, vem de ideologia, de maniqueísmo de pintar o governo como mal e os defensores os bons. Será que eles estão mesmo a favor do servidor?


O Sindicalismo, a grosso modo, deveria servir como um interlocutor entre o patrão e o empregado, mas a maior preocupação deve ser com a taxa de contribuição. O Sindicato cobra respeito de vereador, mas não diz que quem entrou xingando foi o servidor. Talvez eu levantasse da mesma forma. Me lembrei novamente do fatídico e entristecedor episódio do domingo em que um deputado repudia o cuspe sendo que as câmeras mostraram depois que esse mesmo deputado que repudia a ação cuspiu de volta para defender o pai.  Antes, se fez de vítima e defensor do decoro. Agora está quieto. Talvez o Sinserm queira justificar sua inoperância junto aos servidores em lograr altos aumentos ou o mínimo da reposição. Não conseguindo, ergue outro pano de fundo para a luta. Tomemos cuidado, gente! Sindicato e servidores. Talvez os vilões não sejam todos os que votaram a favor do projeto, talvez sejam os 3 que votaram contra.


Porque o que não ficou claro foi, se não vou perder meu emprego como servidor e serei beneficiado também como cidadão, por que reclamar? Cabe aos vereadores fiscalizar a correta destinação destas parcerias e, sobretudo, fiscalizar para que esta não se torne moeda de troca. Ou o servidor se esquece que também é um usuário do serviço público? Na rua dele não tem buraco, tem segurança, não tem vazamento do DAE. Se jorrar água, o conserto chega no mesmo dia e em seguida cobre-se com o asfalto bem feito e nivelado. A rua do servidor público é um tapete. Ou não? Sinserm, deixo a dica para que dialogue mais com seus associados. Explique teor e conduta do prefeito. Fica feio se comunicar de maneira rasteira e agressiva. Fale sempre, mas fale apenas o que a cabeça tenha a certeza.

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