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Safra derruba o preço do etanol e valor deve se manter até setembro

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Para driblar redução no consumo, posto no Parque Paulistano criou ação para atrair os clientes 

Condutores de Bauru atentos ao preço do combustível notaram que o preço etanol na bomba caiu nos últimos dias. A queda, segundo aponta o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) é decorrente do período de safra da cana-de-açúcar, que vai do início de abril até setembro.

O produto, que chegou a ser comercializado entre R$ 2,79 em postos com bandeira e R$ 2,45 em estabelecimentos chamados bandeira branca há um mês, hoje é encontrado por R$ 2,39 e R$ 2,15, respectivamente. E uma boa notícia: a queda no valor, que gira em torno de R$ 0,30 a R$ 0,40, deve perdurar em setembro, aponta o sindicato.

Enquanto não houver reajuste, a diferença de preços faz com que o abastecimento com o etanol seja vantagem sobre a gasolina, que hoje é comercializada entre R$ 3,29 e R$ 3,69.

Explicações

Além da época de safra, o diretor do Sincopetro em Bauru, Edvaldo Tuschi, diz que outros fatores estariam gerando diferença ainda maior de preços em postos com bandeira e bandeira branca na cidade.

“O combustível de alguns postos bandeira branca vem, geralmente, de usinas pequenas, que não têm capacidade de estocar grandes quantidades. Então, elas acabam vendendo mais barato e cria uma ‘queda de braço’”, comenta Tuschi.

“Mas não é só isso. Temos um problema: não há fiscalização efetiva, isso aumenta a probabilidade de ocorrer irregularidades nessa distribuição, como, por exemplo, a sonegação de impostos”, critica.

Pesquisa de preço

Para fins de comparação, o preço do etanol praticado em Bauru hoje é compatível ao comercializado em Ribeirão Preto, que é a maior região canavieira do Interior. Lá, a última pesquisa de preços feita pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), de 17 a 23 de abril, constatou que o preço em 34 postos variava entre R$ 2,16 e R$ 2,49, um dos menores no Estado.

Já em Bauru, os 27 postos consultados pela ANP comercializavam o produto entre R$ 2,19 e R$ 2,79. O valor corresponde também ao período de 17 a 23 de abril, justamente quando a elevação do preço começou a ser aplicada na cidade.

Tendências

A gasolina, por sua vez, combustível que mais arrecada impostos para o governo, não registrou queda significativa, mesmo com a redução do etanol. “Pode ser que o governo tome alguma atitude para que ela volte a compensar”, frisa Edvaldo Tuschi. “Mas, por enquanto, o preço tanto do etanol quanto da gasolina devem continuar assim”, completa o diretor do sindicato.

Gerente de um posto no Parque Paulistano, no cruzamento da avenida Duque de Caxias com a rua Paraná, Lawrence Campos defende que a tendência é de queda de preços. “No período de safra a oferta do produto é maior. Mas como essa crise derrubou um pouco o consumo, então é capaz de o preço cair ainda mais”, comenta.

Poder de negociação

Samantha Ciuffa
Antes de ir para as bombas, combustível de posto bandeira branca é testado por Lawrence Campos, gerente do estabelecimento
Cleber Gaudiano: “Agora que o preço baixou, compensa bastante”

Justamente para driblar a redução no consumo, o posto gerenciado por Lawrence criou uma campanha que procura incentivar o consumo e cativar clientes.

O motorista que enche o tanque no estabelecimento paga R$ 0,20 a menos no litro. De R$ 2,39, o valor cai para R$ 2,19. Consumidores que pagam em dinheiro também levam vantagens.

“É a ideia do compre mais e pague menos”, afirma o gerente. “Assim, temos um poder de negociação maior com o fornecedor também. Se for no dinheiro, melhor ainda”, explica. Além disso, no posto todo é possível encontrar informações de como economizar e se o valor etanol sobre a gasolina tem ou não compensado.

Tática de negócio que cativou o motociclista Cleber Gaudiano, de 39 anos. “Toda semana passo aqui para completar o tanque. Agora que o preço baixou, compensa bastante. Não deixo esvaziar”, detalha.

Histórico de aumentos

Em setembro do ano passado, o etanol chegava a R$ 1,89. Menos de dois meses depois, o combustível aumentou para R$ 2,49, uma diferença de até R$ 0,60. No início do ano, novo aumento, e o produto passou a ser comercializado a até R$ 2,79 na cidade.

Já a gasolina, após reajuste anunciado pela Petrobras de 6%, passou de R$ 3,19 a R$ 3,39 no início de outubro. O aumento acometeu o óleo diesel, que subiu 4%. Na ocasião, o governo alegou que a elevação teve como estratégia a recuperação da situação financeira da companhia. No mesmo período, a gasolina era comercializada a até R$ 3,49. Lideranças do setor justificaram o fato por reajuste tributário.

Faça a conta!

Para saber se ainda compensa abastecer com gasolina, basta fazer uma conta simples e rápida. O consumidor deve dividir o preço do litro do álcool pelo valor da gasolina. Se o resultado for maior que 0,7, deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o álcool.

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