| Fotos: Divulgação |
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| Estação de Dois Córregos foi recuperada e agora abriga eventos culturais, no destaque o livro |
Uma viagem no tempo, ilustrada com fotos em preto e branco e coloridas, que remete à “época de ouro” da antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Assim pode ser definido o livro “Locomotivas Elétricas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro”, de autoria de Rafael Prudente Corrêa Tassi – um “amante de ferrovia”, conforme definição dele próprio. A obra será lançada em Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru) amanhã, em evento agendado para começar às 15h, no saguão da estação ferroviária, totalmente recuperada e reinaugurada em fevereiro passado. O local agora abriga eventos culturais.
A cidade de Dois Córregos – integrante da linha tronco oeste da antiga Paulista (Itirapina-Panorama) – vivenciou, por quase 60 anos (1941-1999), o cenário de operação das elétricas que marcaram época na companhia: Russa, V-8, Vandeca, Quadradinhas, Baratinha, Baratão – como eram chamadas pelos próprios ferroviários.
Projeto inicial
Em 2003, a Sociedade para Pesquisa da Memória do Trem, sediada no Rio de Janeiro, convidou Rafael para integrar um projeto de pesquisa sobre a tração elétrica nas ferrovias brasileiras. “Fiquei encarregado de levantar a história da eletrificação ferroviária no Estado de São Paulo, pois já estava com um bom material”, conta.
Segundo ele, a fartura de documentos e fotos sobre a eletrificação ferroviária em São Paulo o levou a sugerir à diretoria da Sociedade para Pesquisa da Memória do Trem um livro que englobasse a operação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, da Santos-Jundiaí (antiga São Paulo Railway ou SPR) e da Estrada de Ferro Sorocabana – companhias que no século passado implantaram e expandiram a eletrificação de suas linhas.
“Mas como a Paulista foi a pioneira no sistema e eu já tinha me aprofundado no assunto, inclusive com um grande acervo de fotos, decidimos dividir o projeto em livros separados. E o primeiro, recentemente lançado em São Paulo, foi da Companhia Paulista. É uma publicação escrita em português e inglês, com 240 páginas e muitas fotos de todos os modelos de locomotivas elétricas que operaram no período de 1920 até 1999, quando o sistema foi desativado”, relata.
O autor
Embora tenha nascido em 1981, década em que a Paulista, na época Ferrovias Paulistas S.A. (Fepasa), já estava em plena decadência, Rafael flertou com os trilhos ainda na infância por meio do ferromodelismo. Aos 15 anos de idade começou a pesquisar modelos de vagões e locomotivas. E de lá para cá, a relação dele com as “paralelas de aço” começou a fazer parte definitivamente de sua vida. Paulistano formado em Relações Públicas, ele sempre esteve muito próximo de entidades e fundações que preservam a memória ferroviária brasileira.

