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Queda brusca na temperatura "pega" bauruense de surpresa

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Samantha Ciuffa
“As lojas que fui ainda não receberam coleção de inverno”, reclama Janaína Santos
“Nem deu tempo de lavar os moletons, espero que não dê alergia”, diz Raquel Júnior

Bauru registrou nessa quarta-feira (27), às 6h55, a menor temperatura deste ano - 12,3 graus. Mas, em sua última previsão, o Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) alertava que a madrugada desta quinta-feira (28) seria ainda mais gelada.

A queda da temperatura começou na última terça-feira (26), quando uma frente fria que chegou à região derrubou o calor de pouco mais de 30 graus durante o dia. Resultado - a temperatura mínima, geralmente registrada nas madrugadas, baixou de 20,5 graus para 12,3 graus nessa quarta (27).

 
Para se ter ideia, essa é a menor extrema mínima de abril desde 2013 (quando a temperatura chegou a 12,1 graus). E se a previsão do IPMet se concretizar hoje, e a cidade chegar aos 8 graus, será o dia mais frio de abril em 15 anos.

‘Chegou rápido’

Nem as vitrines do comércio central estavam preparadas para queda tão brusca. “Não deu tempo de mudar a vitrine, o frio chegou muito rápido e ainda estamos esperando mercadoria. Mas já começamos a organizar tudo e colocaremos as blusas de frio e os cachecóis à mostra”, comenta Mirian Fonseca, 52 anos, lojista do Calçadão da Batista.

Fato que transformou em saga a busca da auxiliar de limpeza Janaina Santos, 31 anos, por uma jaqueta de frio para andar de motocicleta. “As lojas que fui ainda nem receberam as coleções. Terei que voltar na sexta-feira”, afirma Janaina.

Alérgica à poeira, Raquel Daniela de Oliveira Júnior, de 23 anos, conta que embrulhou o cobertor em meio a lençóis para conseguir dormir na noite de ontem. “Ajudou a diminuir a poeira. Não deu tempo de tirar nada do armário. O frio chegou rápido, nem deu tempo de lavar os moletons. Só chacoalhei e coloquei”.

Cuidados com a saúde

A mudança brusca na temperatura é sinônimo também de aumento do quadro de doenças respiratórias, conforme ressalta o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) do município, Luiz Antônio Bertozo Sabbag.

“Tivemos uma redução de 10 a 12 graus em pouco tempo. Muita gente não se acostumou. É preciso se agasalhar bem e evitar o vento e o sereno”, comenta Sabbag. “Mas é preciso evitar ambientes fechados e com fluxo intenso de pessoas por causa do risco da H1N1”.

Ele também lembra que o frio traz risco maior a pessoas que abusam do álcool e dormem nas ruas. “Se a pessoa não estiver agasalhada e a temperatura baixar mais de 10 graus, ela pode ter até uma reação de congelamento, que pode gerar necrose nas extremidades do corpo”, alerta.

Até o fim do mês

A meteorologista Zildene Pedrosa, do IPMet, afirma que o frio deve ficar até o final do mês, por conta da atuação de uma massa de ar frio. “A frente fria já se afastou, mas o centro de alta pressão da massa de ar frio deve passar por aqui amanhã (nesta quinta-28)”, afirma Zildene.

Para sexta-feira (29), a mínima prevista é de 11 graus e a máxima de 22 graus. No sábado, a temperatura mínima permanece a mesma. Já a máxima sobe para a casa dos 23 graus.

Campanha

Com a chegada do frio, a demanda por agasalhos aumenta. Nos últimos dias, a Sebes distribuiu ao menos 5 mil peças de roupa, oriundas da Campanha do Agasalho 2016, que começou em março. A pasta ainda recebe doações em sua sede, na quadra 1 da Alfredo Maia, na Vila Falcão, e em vários estabelecimentos parceiros pela cidade. Mais informações - (14) 3227-8624.

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