| Aceituno Jr./JC Imagens |
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| Em 2011, a garota, tentando se recuperar, conversou com o JC |
| Douglas Reis |
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| Paulo: “A gente fez de tudo, mas o crack levou a minha filha” |
Uma luta intensa, demorada e com um triste final. Uma das situações mais emblemáticas da batalha contra as drogas em Bauru, o “caso Fátima” foi, infelizmente, vencido pelo crack, com a morte da jovem de 18 anos. Ela, que é moradora de Bauru, foi assassinada com golpes de faca no pescoço, em Itaí (região de Avaré), onde se instalou depois de fugir de clínica de reabilitação a dependentes químicos.
Por se tratar de adolescente, Fátima foi o nome fictício adotado pelo Jornal da Cidade para retratar, em diversas reportagens, o drama de Ana Paula Góes Lopes, usuária de drogas desde os 9 anos. Em 2010, quando tinha apenas 12 anos, ela foi encontrada em uma caçamba de entulhos no Jardim Europa em estado grave por conta dos efeitos do entorpecente no organismo.
Depois de tanto esforço para tirá-la do mundo das drogas, o sentimento do pai da garota, o trabalhador rural sem-terra Paulo Henrique Lopes, é de impotência. “A gente fez de tudo, mas o crack levou a minha filha. Só Deus para nos confortar agora”, lamentou.
Paulo recebeu a notícia na tarde de quarta-feira (27), logo após conceder entrevista ao JC. Naquele dia, o assunto, entretanto, era outro: reforma agrária. Nessa quinta (28) de manhã, foi ele quem procurou a reportagem. O semblante já não era o mesmo do dia anterior. Visivelmente desorientado, Paulo buscava ajuda para ir até Itaí para cumprir a triste “missão” de reconhecer o corpo da filha.
O Conselho Tutelar de Pederneiras bancou a viagem. Ele, porém, ainda tinha esperança de não ser a filha, com quem perdeu contato há cerca de dois meses, quando ela fugiu da clínica onde estava internada, em Sorocaba. “Não sinto que seja ela. Algo me diz que não é”, disse, contendo as lágrimas. Infelizmente, o corpo no IML de Avaré era de Paula.
A notícia da morte da jovem consternou a todos da Sebes, desde a titular da pasta, Darlene Tendolo, até os funcionários, que a conheciam desde criança e acreditavam na sua reabilitação.
Ameaça de morte
O drama começou em 2007. Ainda criança, Paula, a segunda filha de um total de nove irmãos, trocou as bonecas pelo crack. “Ela conheceu uns adolescentes que usavam drogas e acabou virando usuária também”, lembra o pai.
O filho mais velho, hoje com 20 anos, já havia se rendido às drogas um mês antes. Ele, contudo, foi internado em uma clínica de reabilitação aos 15 anos e se recuperou. Paula foi internada sete vezes, sem sucesso.
Em 2011, a família se mudou do Jd. Europa após ameaças de morte de traficantes. “Fomos para o Horto Aimorés, em Pederneiras. Minha esposa entrou em depressão”. Aos 14 anos, Paula teve um filho, mas, em razão do vício no crack, o Conselho Tutelar tirou dela a guarda da criança, um menino que, segundo Paulo, ainda não teria sido adotado. Em fevereiro deste ano, ela conseguiu nova internação, em Sorocaba. Mais uma vez, fugiu e não deu mais notícias à família.
Droga, briga e morte
A morte de Ana Paula Lopes ocorreu após desentendimento por causa de drogas, na madrugada de anteontem. Segundo a Polícia Civil de Itaí, ela foi esfaqueada no pescoço por Sebastião Barbosa, 37 anos, em estrada de terra no bairro Capitão Cesário. O acusado foi preso e confessou o crime.
‘Eu brincava e ficava bastante tempo na piscina’
Em matéria publicada no início de 2011 no Jornal da Cidade, a reportagem conversou com Paula. Na ocasião, a garota havia saído do hospital há uma semana e o seu estado deixava os familiares otimistas.
Com um pequeno cachorrinho nas mãos, a menina, na época com 13 anos, não lembrava nem de longe a adolescente agressiva e que, em uma das ocorrência, chegou a ameaçar policiais com uma faca, prestes a ser internada. “Eu brincava e ficava bastante tempo na piscina lá (no hospital psiquiátrico Tereza Perlati) em Jaú. Gostei de lá”, revelou a menina.
Questionada se, daquele vez, iria seguir um caminho correto e ficar longe dos problemas - principalmente das drogas -, bastante tímida, ela apenas balançou a cabeça de forma positiva. Entretanto, infelizmente, a promessa não se concretizou. Um mês depois, a garota voltou às ruas.

