Bairros

Moradia estudantil e seus contrastes

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Samantha Ciuffa
Bauru conta com duas moradias estudantis, uma da FOB/USP e outra da Unesp  (foto acima)

O início da vida acadêmica é para muitos estudantes também o começo de uma vida mais independente, adulta e longe da casa dos pais. Para os que mudam de cidade e não têm condições comprovadas de bancar as despesas com o aluguel, as moradias estudantis oferecidas pelas universidades públicas são opções.

Em Bauru, a Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP) e a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) oferecem os alojamentos aos alunos. Porém, enquanto a primeira conta com uma boa estrutura e contempla a necessidade dos alunos, a segunda ainda precisa amadurecer a estrutura oferecida. Na Unesp faltam vagas.

Para entrar, o candidato passa por uma avaliação socioeconômica feita pela assistente social, que contempla os mais carentes. Todo ano essa avaliação é renovada e os alunos precisam ter um bom desempenho acadêmico para permanecer no residencial.

Na FOB, este ano, todas as vagas estão preenchidas. “A segurança do câmpus é responsável também pelo residencial. Um segurança fica especificamente nos arredores da casa, que é de responsabilidade da prefeitura do câmpus com a diretoria. Estamos em processo de avaliação e acredito que daremos conta de todas as solicitações. Já aconteceu de faltar vagas e também de sobrar”, comenta a professora Magali de Lourdes Caldana, coordenadora da Comissão Administrativa do Conjunto Residencial estudantil (Cacre) do Câmpus USP de Bauru.

A organização dos apartamentos é dos alunos, mas eles têm o auxílio de uma empresa terceirizada pela universidade, onde uma funcionária realiza a limpeza das áreas comuns (cozinha, banheiro e sala) três vezes por semana.

“É um apoio para quem precisa do auxílio moradia, assim, o aluno pode se dedicar integralmente aos estudos sem preocupação. Eu vejo que os moradores vivem intensamente a universidade”, analisa acrescenta Caldana.


Unesp  ‘engatinha’

A moradia estudantil da Unesp Bauru atende a estudantes das três faculdades do câmpus: Faculdade de Engenharia (FEB), Faculdade de Ciências (FC) e Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac). A Comissão de Moradia Estudantil é formada por docentes, discentes e assistente social, que realiza o processo de seleção dos estudantes que se candidatam, dentro de critérios definidos pela Coordenadoria de Permanência Estudantil (Cope), vinculada à reitoria. As informações são do professor Luttgardes de Oliveira Neto, vice-diretor da FEB e presidente da Comissão de Moradia Estudantil do câmpus de Bauru.

Segundo ele, tal processo está em andamento, com análise socioeconômica de cada estudante e família e com uma entrevista junto à assistente social. A moradia comporta 32 estudantes, dispostos em dois por quarto e atualmente todas as vagas estão preenchidas por alunos permanentes, que foram selecionados no ano de 2015.

“Em acordo realizado no início de 2016 com os alunos, havia uma disposição dos moradores atuais em receber estudantes que ingressaram em 2016, de maneira provisória e temporária, em número de um por quarto, ou seja, 16 estudantes emergenciais, que totalizaria 48. Este é o número que eu tenho. Sei que o número é maior, mas são informações extraoficiais. Os alunos não podem abrigar estudantes sem o conhecimento da faculdade”, comenta.

Entretanto, na prática, a realidade é outra. Cerca de 60 alunos estão vivendo atualmente na residência e os moradores acreditam que novos virão.

Insegurança e estrutura
Há dois anos, a Centrovias, a Prefeitura de Bauru e a CPFL Paulista foram contatadas para a urbanização do caminho que liga a Unesp até a residência estudantil, passando sobre o gramado da rotatória da Bauru/Jaú, a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), segundo informações do professor Luttgardes.

De acordo com ele, a Centrovias  pavimentou a passagem. A prefeitura deveria fazer o restante da calçada e CPFL Paulista seria a responsável pela iluminação, o que não ocorreu.

“A faculdade de engenharia pagou o projeto para eles colocarem os postes de iluminação. O projeto foi entregue há mais de um ano à CPFL. A prefeitura disse que já estava com o material, postes, lâmpadas e fiação, mas a CPFL não fez o trabalho junto da prefeitura”, afirma o professor, que ainda aponta que a Polícia Militar faz ronda à noite para auxiliar os alunos a percorrerem o trajeto.

Em nota, a CPFL Paulista disse que aguarda que a Unesp/Bauru regularize a rede elétrica existente, que é de propriedade particular, para realizar o projeto de iluminação.

Também em nota, a Secretaria Municipal de Obras informou que encaminhou à Centrovias o projeto de iluminação da rotatória sobre a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, para que a mesma autorize a implantação do sistema. A secretaria está no aguardo de autorização. Quanto à ampliação citada, a secretaria informa ainda que, por enquanto, não há recursos disponíveis para execução de obras no local.

 

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