Bairros

Faltam vagas na moradia da Unesp

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Teoricamente, a residência estudantil da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) é dividida em quatro blocos com quatro quartos cada um e cada quarto para dois alunos. Ou seja, ao todo são oferecidas 32 vagas, mas, atualmente, a moradia abriga 58 pessoas. A informação foi passada pelos próprios moradores e, segundo muitos deles, a falta de vagas é o principal desafio e problema enfrentado pelos que precisam da moradia.  

“E outros entrarão. Acreditamos que no ano que vem o número chegue a 140”, projeta o morador e aluno do último ano do curso de jornalismo, Rafael de Paula. Segundo o estudante, que vive na casa desde a sua inauguração, em 2013, os moradores decidiram que o conforto é menos importante do que a necessidade dos alunos que chegam e precisam ter onde morar.

“Eu, sem a moradia estudantil, teria que voltar para casa. Nós agregamos os alunos que não têm condições de pagar aluguel ou mesmo república. E nós acreditamos que todos os que entraram este ano têm carência socioeconômica. Todos estão passando pelo processo seletivo da faculdade, são 32 vagas, mas estamos em quase 60, ou seja, a maioria teria que sair, teoricamente, mas  não podemos dizer que eles precisam sair da moradia por não haver vagas. A responsabilidade de criar vagas é da faculdade”, defende.    

A reportagem visitou a moradia e constatou que, onde cabem dois estudantes, quatro estão dormindo. Os colchões ficam sob as bancadas e entre as camas, em espaços mínimos. Boa parte da mobília está em condições ruins, assim como a TV, cujo sinal não tem qualidade. Já os computadores são antigos e o sinal de Internet cai muito, como mostraram os estudantes. 


Mistos

Os blocos da moradia da Unesp são mistos, mas os quartos são divididos entre meninos e meninos. “O ideal seria que houvesse blocos destinados para homens e mulheres, mas, diante dos nossos problemas, esse é o menor”, comenta Rafael, que veio de Morro Agudo, região de Ribeirão Preto.

A estudante de pedagogia Camila Esteves é uma das meninas da casa. Ela veio recentemente do município de Fartura e também precisa da vaga para seguir com os estudos. “Os colegas me ajudaram até com colchão. Mas o excesso de pessoas prejudica até os estudos, já que não temos nem espaço adequado para estudar”.

Com a casa cheia e os colchões e pertences pessoais literalmente amontoados, a limpeza e organização da casa também são prejudicadas. Mas, mesmo assim, eles fazem tabelas com a divisão das tarefas domésticas para, como eles mesmo dizem, deixar a moradia com o mínimo de “cara de casa”. Até uma horta eles estão construindo.


Insegurança

Outra preocupação dos jovens é com a insegurança do lugar. Segundo eles, à noite, para voltar da faculdade para a casa, só mesmo andando em grupo, já que não há iluminação no trajeto (a moradia fica fora do câmpus) e o policiamento é raro por lá.

“Na guarita não há guarda. Há um do câmpus, mas é muito raro ele passar por aqui”, alerta o estudante de design, Gustavo Paula da Silva, que veio de Araçatuba. Ele também comenta que foi a moradia quem o “salvou” de última hora. Sem ela, ele teria que voltar para a casa, por falta de dinheiro para custear um aluguel. 

A manutenção também deixa a desejar. Segundo os moradores, pela proximidade com a mata, é comum até mesmo animais peçonhentos aparecem no prédio. Cobras da espécie cascavel estão entre eles.


Força coletiva

Embora os problemas sejam muitos, o companheirismo é um elo entre os meninos e meninas, que avaliam se darem bem e respeitarem uns aos outros: “É claro que sempre ocorre um probleminha ou outro, mas isso é raro. Um protege o outro por aqui. Frio e fome ninguém passa. Praticamente não temos apoio da universidade, então a gente se une”, finaliza Rafael.

Comentários

Comentários