| Fotos: Luís Fernando Medina/Audax |
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| Mendes, bauruense que começou a trabalhar no Noroeste, está no Audax, sensação do Paulistão |
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| Samoel Pizzi e Velicka, ambos com passagens pelo Norusca, integram elenco do time de Osasco |
Ele não vai entrar em campo neste domingo para enfrentar o Santos, mas seu trabalho na retaguarda é fundamental para dar suporte ao elenco e comissão técnica do Audax. O bauruense Cristian Mendes, de 25 anos, é o supervisor do time de Osasco e responsável, entre outras coisas, pelo registro de jogadores e todo o trâmite burocrático do clube com a Federação Paulista de Futebol. A função exercida por Mendes é crucial para todo o departamento de futebol do Audax. Além disso, o bauruense acompanha o dia a dia do time em treinos e viagens.
Mendes chegou ao Adax em 2014 para a disputa do Campeonato Paulista, depois de trabalhar no Noroeste. O supervisor mora no próprio clube e se desdobra para viajar nos finais de semana e ver a família, que permanece em Bauru. “Aqui a gente trabalha 20 horas por dia. Não tem como fugir do trabalho”, brinca.
O início no trabalho foi na Série A2, em 2012, quando assumiu a função de supervisor do Noroeste, recém-formado em Educação Física pela Unesp Bauru. Permaneceu no Complexo Damião Garcia até 2014. “Fomos do céu ao inferno. Peguei quatro presidentes, o seo Damião Garcia, o Toninho Gimenez, Anis Buzalaf e, por último, o Emílio Brumati. Os Garcia saíram e ainda fomos campeões da Copa Paulista (em cima do Audax) e nos outros anos, infelizmente, acabamos caindo, tivemos dois descensos seguidos”, lembra Mendes.
O supervisor considera que o trabalho da diretoria na época em que esteve no Noroeste foi prejudicado pela falta de verba. “No Noroeste, apesar de termos ficado bastante prejudicados pela falta de dinheiro, conseguíamos ser organizados. O grande problema era o dinheiro mesmo. Montamos elencos baratos e foi o grande fator de termos caído”, diagnostica. No Audax, a mesma organização foi premiada pelo bom aporte financeiro com o qual o clube conta. “Aqui no Audax eu vejo também a organização e temos o dinheiro que pode ser investido diretamente no futebol”, compara.
Mendes afirma que no período em que está em Osasco, o Audax melhorou bastante a estrutura. “Fizemos nosso Centro de Treinamento. Temos alojamento para as nossas categorias de base, que são os times sub-15, sub-17 e sub-20, temos dois campos... O CT ajudou muito. Neste ano tivemos a melhor estrutura. Você treina, come, dorme... tudo no CT. Conseguimos utilizar o CT 100%”, relata o supervisor.
Além da boa estrutura e saúde financeira, o diferencial para a boa campanha, na opinião de Mendes, passa por manter a base do elenco ao longo das temporadas. “Estamos com praticamente 60%, 70% dos atletas nos últimos três anos. É um trabalho que vem vindo desde 2014 e do qual colhemos os frutos”, elogia.
Diniz e Vampeta
Mendes convive profissionalmente no dia a dia com dois personagens controversos do futebol brasileiro: o técnico Fernando Diniz, que tem a metodologia de trabalho e esquema tático contestado por uns e elogiado por outros, e o presidente do Audax, Vampeta, irreverente e, muitas vezes, polêmico. “O Fernando Diniz, um técnico que eu acompanho os treinos diariamente, é formidável. Muitos o acham louco, mas eu o considero uma das pessoas mais sãs que eu conheci na vida. Ele tem um coração muito grande. O principal para ele é o jogador. As pessoas falam muito do esquema tático, mas a relação dele com os atletas é impressionante. Eu peguei alguns treinadores em Bauru e aqui também e nunca vi uma relação como a que ele tem com os atletas. Ele é mesmo um paizão”, destaca.
O supervisor elogia também o presidente e “garoto propaganda” do Audax, Vampeta. “A gente vê pouco o Vampeta, ele trabalha mais fora do clube na parte de marketing, promovendo o clube. Mas ele também é uma grande pessoa e dá todo o respaldo para a gente. Se não fosse nossa diretoria acreditar no trabalho, sendo que nos últimos dois anos não conseguimos passar de fase no Paulistão, nós não teríamos alcançado os objetivos”, avalia.
Coração alvirrubro
Morando longe de Bauru há mais de dois anos, Mendes não perde contato com o Noroeste. Acompanha o desempenho do time bauruense nas competições e sempre que pode vai ao estádio assistir aos jogos do Alvirrubro. “Inclusive, o supervisor do Noroeste, o Caio Tuler, é meu grande amigo, como se fosse um irmão. A gente se fala todo dia e não foge o assunto. Esta relação faz com que eu fique mais próximo do Noroeste. Meu coração ainda pulsa forte pelo Norusca, não tem jeito”, finaliza.
Ex-noroestinos brigam pelo título
Dois jogadores com passagem pelo Noroeste estão no elenco do Audax, que briga pelo título paulista: Velicka e Samoel Pizzi. O primeiro defendeu o time bauruense em 2012 e conquistou o título da Copa Paulista. O segundo teve passagem pelas categorias de base alvirrubras, onde se destacou no sub-20 com o time bauruense chegando às oitavas de final do Campeonato Paulista e permaneceu em Bauru até a metade de 2013. Do Noroeste, seguiu para o Grêmio Osasco onde foi vice-campeão paulista sub-20 e, depois, integrado ao time profissional.
Atacante, Samoel está com os profissionais do Audax há mais de um ano e constata a evolução recente do clube. “A evolução do clube foi muito grande, com um CT novo e o time cresceu muito financeiramente e no extracampo. Depois da final do Paulista, o Audax está visado no Brasil todo”, aponta. O ex-noroestino destaca que o Audax é a sensação do Paulistão, mas o desempenho não foi surpresa para o elenco. “Para a gente que trabalha aqui, desde a pré-temporada, o foco era ser campeão. Não era passar de fase, pensar em rebaixamento. Fomos alimentando esta ideia e conseguimos chegar à final”, relata o jogador.
A convivência com o técnico Fernando Diniz, conhecido pelo estilo exigente e pela “proibição” às suas equipes de apelarem para o “chutão” e criticado, muitas vezes, por expor demais seus times, é tranquila e próxima, garante Samoel. “O Fernando Diniz cobra bastante, mas o trabalho dele no dia a dia é muito bom. Os jogadores assimilam bem o que ele pede, não tem nada a ver com o que geralmente as pessoas falam. Ele é uma pessoa que conhece a família de todos, pergunta por eles e procura ser amigo de todo mundo fora do campo. Isso ajuda muito em campo”, analisa o atacante.
Na final do Paulistão pela primeira vez em sua história, o time de Osasco tem pela frente o Santos. Samoel tem a fórmula para o Audax superar o favoritismo santista e levantar a taça. “A gente vai jogar da mesma maneira, agredindo com a bola, pressionando toda hora e procurando brechas para entrar e fazer o gol. Mas eles têm vários jogadores de seleção e vamos precisar de uma atenção especial em cima deles”, conclui.
Velicka se transferiu para o Audax logo após ser campeão da Copa Paulista de 2012 pelo Noroeste em cima justamente da sua atual equipe. No Audax, foi capitão do time que conseguiu o acesso à primeira divisão estadual, em 2013, e segue como uma das referências do time de Osasco. Polivalente, o jogador atual tanto no meio quanto na lateral. O Jornal da Cidade tentou contato telefônico com o jogador, que não atendeu.

