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| Celso Sacomandi, tenista |
Sacomandi é um sobrenome conhecido em Bauru e, de cara, remete ao tênis. Na Entrevista da Semana de hoje estão as principais passagens pessoais e esportivas de Celso Sacomandi, filho do saudoso Cláudio Sacomandi, que também dedicou sua vida ao tênis.
A primeira vitória que o encheu de orgulho e ainda está fresca na memória veio aos 10 anos, com um vice-campeonato brasileiro, em Brasília: “Eu senti orgulho do meu feito ao me dar conta de que somente um garoto era melhor do que eu em todo o País, na minha categoria”.
E as conquistas não pararam, entre elas, ele foi duas vezes campeão do Banana Bowl, duas vezes campeão sul-americano e duas vezes campeão do Orange Bowl, considerado o campeonato mundial juvenil. Foi campeão mundial por equipe até os 21 anos, junto com o Cássio Motta, entre outras conquistas. Desde 2006, ele escreve a coluna semanal (toda terça-feira) do JC Esportes “Tênis”.
Hoje, Celso enfrenta uma limitação que também faz dele um campeão, já que é um exemplo de vida pela forma como encara a doença degenerativa adrenoleucodistrofia, aquela do filme “O Óleo de Lorenzo”. “Eu aceitei a doença no sentido de não me deixar abater, porque eu tenho uma família que eu amo muito, que me apoia, me ajuda e que cuida de mim. Quando eu jogava, o meu apelido era “garrão”. Leia mais.
Jornal da Cidade – A sua família tem o tênis nas veias.
Celso Sacomandi – Foi meu pai, Cláudio Sacomandi, quem gerou tudo. Ele morava em São Paulo e começou como pegador de bolas. Aprendeu a jogar e a jogar bem. O tempo foi passando e ele foi convidado para dar aulas em Marília. Veio para o Interior, onde o trabalho dele começou a se destacar. Na época, o professor de Bauru voltou para São Paulo, sua cidade natal, e o pessoal daqui, por meio de alguns nomes, como Edmundo Coube, convenceu o meu pai a vir para Bauru.
JC – E a cidade tornou-se um celeiro de talentos do tênis...
Celso – Aqui chegando, meu pai começou a treinar o pessoal, a formar jogadores... Grandes tenistas de Bauru cresceram nas mãos dele. Antigamente, os tenistas de Bauru eram “temidos”. Em 1971, por exemplo, no Campeonato Brasileiro, em Joinville, o Estado de São Paulo foi campeão com 54 pontos, destes, Bauru fez 28. Na entrega dos troféus, apresentaram Bauru como o “Estado de Bauru” e disseram que em matéria de tênis éramos um “Estado”.
JC – A “herança” foi passada para a terceira geração?
Celso - Eu e meus irmãos começamos a jogar com o incentivo do meu pai. Somente uma irmã jogou pouco. Mas eu levei o esporte mais a sério, acho que posso dizer assim (risos). E a herança foi passada para o meu filho João Paulo, que foi jogador e jogou muito bom. Por causa do tênis, ele ganhou uma bolsa para cursar faculdade de Administração nos Estados Unidos.
JC – Os seus bons resultados vieram já na infância?
Celso – Sim. Sempre incentivado pelo meu pai, desde pequeno eu obtive bons resultados. E fui me dedicando cada vez mais enquanto crescia. Minhas lembranças da infância sempre têm o tênis no meio. Meus melhores amigos foram jogadores, assim como as pessoas com as quais eu convivi. Foi uma época onde a tecnologia não era tão presente na rotina das crianças e nós não passávamos o dia todo na escola. Ou seja, sobrava tempo para o esporte. Quando não estávamos estudando, estávamos praticando algum esporte. No meu caso, o tênis. Eu passava o dia no clube.
JC – Você acredita que os dias atuais não são tão “férteis” em novos talentos?
Celso – Acho que, hoje, os esportes de maneira geral estão com dificuldade para revelar novos talentos porque as crianças não têm tempo para a prática esportiva. Quando não é a tecnologia que toma conta do tempo delas, são as múltiplas atividades do dia, com aulas de tudo. O esporte é muito importante, de maneira geral. O tênis, especificamente, por ser uma modalidade individual, ensina o jovem a se virar sozinho, porque ele não pode receber instruções enquanto joga. Isso ensina os pequenos a lidarem com problemas desde cedo, porque eles precisam encontrar soluções sozinhos quando estão em quadra. Isso sem mencionar outros benefícios como o exercício da disciplina, o respeito ao adversário, ao público...
JC – Qual é a sua primeira lembrança com o tênis?
Celso – Minha primeira lembrança de competição vem dos meus 8 anos, quando disputei um campeonato brasileiro em Santos, na categoria de 9 a 12 anos. Minha primeira vitória que me encheu de orgulho veio quando eu fiquei em segundo lugar no Campeonato Brasileiro, em Brasília, aos 10 anos de idade. Eu senti orgulho do meu feito ao me dar conta de que somente um garoto era melhor do que eu em todo o País, na minha categoria.
JC – E as conquistas passaram a ser sucessivas ?
Celso – No próximo ano eu ganhei a competição nacional e acabei ganhando durante sete anos consecutivos. Acredito que ninguém tenha superado tal feito. E passei a ganhar outros campeonatos: fui duas vezes campeão do Banana Bowl, fui duas vezes campeão sulamericano e duas vezes campeão do Orange Bowl, considerado o campeonato mundial juvenil; fui campeão mundial por equipe até os 21 anos, junto com o Cássio Motta, entre outras conquistas.
JC – Até quando você jogou?
Celso – Até os 23 anos. Parei novo porque eu sentia que não iria melhorar mais. Eu dizia que não queria ser mais um participante, ou eu estaria no bloco da frente, eu estava fora. Eu joguei sob pressão desde os 11 anos, então já era veterano com essa idade. Passei a ganhar muitos torneios com resultados fáceis, o que gerou uma expectativa muito grande em cima de mim, e isso me atrapalhou porque eu passei a jogar de maneira mais conservadora, vamos dizer assim. O que, de certa forma, limitou o meu jogo, principalmente na fase adulta.
JC – Parou de jogar e passou a dar aulas?
Celso – Isso. Comecei a dar aulas. O meu pai ainda ensinava tênis, e eu passei a fazer o mesmo. Como atleta, você sabe o que está se passando ali. Como professor, você vê de fora e não pode passar para o aluno, o que te deixa muito nervoso (risos). Nem todo mundo que foi um bom jogador será um bom professor, porque você tem que saber o que passar.
JC – Você viajou o mundo com o esporte?
Celso – Posso dizer que sim. Eu conheci os Estados Unidos e muitos países da Europa e América do Sul com o tênis. Enfrentei nomes como o americano John McEnroe, que foi o número um do mundo. E ganhei dele em um campeonato mundial juvenil, em Miami (risos). Ficamos amigos depois disso.
JC – Sobre dificuldades e superação.
Celso – Hoje eu tenho limitações, então quero ver as coisas aconteceram. Fiz a minha parte no tênis e quero cuidar mais de mim. Eu desenvolvi um doença degenerativa, a adrenoleucodistrofia, aquela do filme “O Óleo de Lorenzo”. O diagnóstico foi demorado, ninguém sabia o que era o meu problema. É uma doença rara e que costuma aparecer em crianças. Ela me impede de andar e de praticar esportes. Eu vejo isso como uma ironia do destino, logo eu que corria tanto. Eu aceitei a doença, no sentido de não me deixar abater. Quando eu jogava, o meu apelido era “garrão”. Meu jogo não era tão agressivo, mas era bem consistente. E sou um “garrão” na vida, também.
Perfil
Celso Eugênio Sacomandi
Tem 56 anos, nasceu em Bauru e é do signo de escorpião
É casado com Daisy e pai de João Paulo e Gabriela
Entre os hobbies, destacam-se a TV e a música
Também gosta de filmes de ação e de rock clássico
Quando o assunto é futebol, torce para o Palmeiras e Noroeste
Nota 10: Para a minha família
Nota 0: Acho que ninguém merece uma nota tão ruim, porque todo mundo tem algo de bom
E-mail: celsosacomandi@uol.com.br
