A Frente Brasil Popular e os movimentos sindicais paralisaram o trânsito na rodovia Marechal Rondon (SP-300) na manhã deste domingo (1), sentido Interior/Capital, altura do Jardim do Contorno, por cerca de 40 minutos. Uma grande fila de veículos se formou e houve reclamações de motoristas. A ação que vem sendo desencadeada em todo o país faz parte da pauta de luta pela não concretização do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Alguns veículos saíram da fila, que começava no quilômetro 340 e seguia até a avenida Cruzeiro do Sul, e entraram no gramado para acessar o Jardim Brasil, colocando em risco suas vidas e a de terceiros. Os mais exaltados gritavam para a polícia retirar os manifestantes.
Depois de 40 minutos, os manifestantes seguiram para uma assembleia que foi realizada no Parque Vitória Régia em comemoração ao Dia do Trabalho. Na área urbana eles foram seguidos pela PM. Em marcha chegaram ao local da concentração.
Ana Letícia de Souza carregava uma menina de 8 meses no colo e quando questionada sobre sua participação disse que quer um Brasil melhor para sua filha com liberdade e democracia. A mesma democracia que defende o representante da Apeoesp, Edmar Oga da Silva. “Não é possível que as pessoas fiquem só indignadas com a situação. Vendo um Congresso corrompido votando pelo impeachment de um governo federal legitimamente eleito. Estamos aqui demonstrando nossa indignação em relação ao golpe. Esse golpe vem sendo orientado pelos Estados Unidos por conta do nosso pré-sal e das riquezas do nosso país.”
Para Jesus Garcia, presidente local do PT, o que resta é lutar. “Vamos intensificar a luta tendo em vista à atual conjuntura do país. Lembrando que nesse momento é em defesa da democracia, da liberdade e do estado de direito. Isso é que move os movimentos sociais irem para a rua e realizar suas manifestações.”
O representante do MST Diogo Mazin disse que a paralisação da Rondon teve como objetivo chamar a atenção da população em relação ao que vem ocorrendo na política brasileira. “É um golpe feito de outra maneira, não como o de 45 e nem de 64. Estamos denunciando isso. Se o Michel Temer ou Eduardo Cunha assumirem a presidência da República nós vamos para as ruas todos os dias.”
Manifestação pede para manter direitos
Com faixas e palavras de ordem, os manifestantes também chamaram a atenção da população sobre os direitos trabalhistas que estão em jogo, lembrou Jesus Garcia, presidente do PT local. “Hoje (ontem) é primeiro de maio e a classe trabalhadora não tem nada a comemorar, uma vez que está em curso uma inversão de prioridades no Congresso. Não é possível rasgar a CLT, acabar com a previdência. Transformar o SUS numa grande Santa Casa de Misericórdia. É um momento de reflexão. Há 120 anos, a classe trabalhadora lutou por melhores condições de trabalho em Chicago (Estados Unidos).”