| Samantha Ciuffa |
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| Luciano Filho e a filha Stephanie estão desempregados, mas acreditam que a situação econômica do país irá melhorar |
A festa em homenagem ao Dia do Trabalho, marcada por protestos, debates políticos e atrações culturais, reuniu um bom público ontem, no Parque Vitória Régia. Em meio às comemorações, a reportagem encontrou pai e filha que perderam o emprego e apostaram no evento para garantir uma renda com a venda de bebidas. Para eles, a data representa a esperança de um futuro melhor.
Luciano Rocha Filho, 47 anos, conta que está desempregado há dois anos e, após comercializar roupas, decidiu investir na venda de bebidas em festas até conseguir retornar ao mercado de trabalho. “Está difícil a situação, mas acredito que irá melhorar. Todos nós brasileiros temos esperança que melhore”, afirma.
Para ajudar, ele levou a esposa Tânia Aparecida de Oliveira, 46 anos, e a filha Stephanie de Oliveira Rocha, 20 anos, que foi dispensada em janeiro de empresa de telemarketing e também procura emprego. “Ninguém está conseguindo contratar. Tem gente com currículo melhor que está parada”, lamenta. “Espero que mude muita coisa”.
E foi em busca de mudanças, sobretudo na forma como é conduzido o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que a Frente Brasil Popular e movimentos sindicais fizeram um ato na rodovia Marechal Rondon (SP-300) (leia mais abaixo). Na sequência, o grupo seguiu até o Vitória Régia para assembleia popular.
No início da tarde, foi aberta a programação cultural com apresentação do músico Julio Wolverine, que tocou no violão clássicos de bandas do rock nacional, como a Legião Urbana. Na sequência, quem subiu ao palco foi a banda “Chinelo de Dedo”, que apresentou ao público samba da melhor qualidade.
O bombeiro hidráulico Juracy Jesus, 36 anos, que mora em Guarapari, no Espírito Santo, e está em Bauru acompanhando o tratamento do filho Wesley Rezende de Jesus, 10 anos, aprovou a festa. “Por causa do tratamento, é o 6º ano que eu participo”, revela. “Está ótima, estou gostando bastante”.
Durante a festa, a Irmandade Curandeiro do Asfalto vendeu bebidas e salgados, com renda revertida à Aldeia Indígena Kopenoti, em Avaí. “Nós pregamos a paz, somos contra a violência e as drogas e fazemos trabalhos sociais”, explica Agnaldo Anastácio da Silva, o Lulinha, um dos membros do grupo.
Para fechar as comemorações em homenagem aos trabalhadores, Maurício Gasperini (ex-Rádio Táxi) e Paulo Miklos (ex-Titãs) levaram para o Vitória Régia o projeto ‘Geração 80’, com atrações do rock nacional. Segundo os organizadores, o show reuniu cerca de 8 mil pessoas.
O PSOL aproveitou a festa do Dia do Trabalho para discutir emprego e economia, um dos doze eixos que serão debatidos pela legenda com a população durante o processo de elaboração do seu plano de governo.
Antônio Euzébios, secretário do PSOL, acredita que a geração de emprego e renda depende de uma série de mudanças, que inclui o fomento ao cooperativismo e à agricultura familiar e incentivo à economia solidária.
“Nós deixamos muito claro que nós não vamos resolver um problema de desemprego no município e muito menos vamos resolver dentro da lógica capitalista”, declara. “O primeiro desafio para uma candidatura socialista seria romper com a Lei de Responsabilidade Fiscal, por exemplo, para investir nas áreas sociais”.
“Hoje, quem mais emprega em Bauru é a prefeitura, são os serviços municipais. Os serviços públicos que a gente tem são precarizados. A gente precisa melhorar esses serviços”, complementa Igor Fernandes, militante do PSOL.
Expectativas atingidas
A festa foi organizada pela Frente Brasil Popular, em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT). O show de encerramento foi realizado pela Secretaria Municipal de Cultura. Para o coordenador-regional da CUT em Bauru, Itamar Calado, as expectativas foram atingidas. “Foi um dia de luta”, diz. “Na assembleia geral com sindicatos e trabalhadores, discutirmos perdas que estão por vir, terceirizações, precarização do trabalho. Direitos conquistados a o longo do tempo, como férias e 13º, podem deixar de existir”.
