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"Eu vou de óculos"

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Você usa óculos para quê? Pense bem antes de responder à pergunta que parece merecer uma resposta bem óbvia, mas não. Talvez você não tenha se dado conta, mas jogadores de futebol, atrizes, modelos enchem o cofrinho posando para campanhas de acessórios. Nem dá para citar as celebridades brasileiras que embarcaram nessa.  E não é à toa, não, sabia? Afinal, o que era utilizado só para quem precisava de auxílio para enxergar, agora se tornou um complemento fashion. E mais: sabia que a onda de óculos sem grau virou moda? E está na cara que a ideia de serem discretos, discretíssimos, por sinal, já era. Agora não, quanto maior e mais colorido, melhor.


Hi tech com responsabilidade

A foto de capa do perfil do Facebook do jovem bauruense Richard Duchatsch Johansen até parece de catálogo de publicidade do acessório. Talvez porque ele se sinta tão à vontade, afinal, ele é seu companheiro em 25 dos seus 29 anos de vida. “Convivo desde a infância com problemas de visão (estrabismo) e tive que utilizar tampão. Lembro que nas festas de Carnaval, na Luso, quando eu era criança, eu usava fantasia de pirata”. Hoje ele mora no Rio de Janeiro, trabalha na área de tecnologia, é desenvolvedor web (Front-end Engineer na WebRadar) e recentemente participou  de um evento especial na Rede Globo: “O futuro da produção e distribuição de conteúdo no jornalismo, esporte e entretenimento”. No total, foram 1.984 inscritos, mas só 50 tiveram a oportunidade de participar do evento que aconteceu na casa do Big Brother Brasil e foi transmitido pelo programa É de Casa, da Rede Globo. Convivendo sem maiores traumas, ele próprio diz que não se imagina sem eles e nem sequer cogita de uma operação. “E olha que já tive problemas sérios na infância. Hoje tenho 60% da visão em um dos olhos e o outro é perfeito, felizmente”.  Como afetou a retina, desde então, os óculos, além de me ajudar fisicamente, me dão estilo. Procuro usar óculos expressivos”, conclui. E brinca: “dizem que tenho cara de publicitário”.


Sem grau é com ela

Paula Botelho é o exemplo típico de quem faz do acessório sua melhor escolha para compor o look. Ela adora óculos. E não precisa usar. Usa só para o descanso da vista quando trabalha, já que é operadora de crédito e passa um bom tempo à frente do computador. Mas a rigor, Paula não tem nenhum problema mais sério de visão. Por isso é das que percorre as lojas (sempre procuro escolher marcas boas) para descolar modelos sem grau. E tem coleção de óculos escuros, de sol, com lentes de todos os tipos,  dos retrôs aos espelhados. E mais: ela própria fez questão de posar como um dos seus ídolos, John Lennon, em capa de disco dos Beatles de 1974.

Ela conta que ama moda e cria seu próprio estilo. “Minha paixão de verdade está nos de sol.

Quanto mais colorido e diferente,  melhor”, diz. E sabe que não é fácil manter esse hobby? Bons exemplares custam caro.  Paula relata sempre ter dado importância em relação à procedência, nem tanto pela marca, mas sim pela qualidade. “Custam um pouco, sim. Até porque eu sempre prefiro dar destaque à procedência. E as marcas que têm os modelos mais diferenciados são as que eu mais gosto e, por sinal, as mais cara”, finaliza.


Acetato e arredondados vendem mais

Roberta Corrêa Favarin, gerente de vendas de uma ótica, lembra que a tendência hoje em dia são os modelos feitos de acetato (material mais leve e, ao mesmo tempo, mais resistente) e os mais coloridos. “A preferência recai nos modelos vermelho, marrons, azuis e pretos”, lembra ela “sempre considerando que os preferidos são os maiores, de tamanho médio para grande, bem grande e também os arredondados. Essa eu diria que é a grande tendência dos designers das peças”.

Quando o assunto versa sobre óculos sem grau, apenas como estilo, Roberta lembra que essa é uma tendência natural, não apenas por causa da moda, mas também porque “os óculos hoje em dia vão além, como os de sol, espelhados e os que têm até mesmo bloqueadores de UV – aqueles raios que vão fazer mal à saúde”.

Com ela concorda a vendedora Rosângela Ferrasi, para quem não se deve pensar apenas na exposição ao sol, mas também na exposição ao computador. Muitos jovens estão se preocupando com isso, com o excesso de claridade que vem das telas, em não forçar a visão”, salienta.


Mãe e filha fashion

Roupas “tal mãe, tal filha” viraram uma febre há pelo menos dois anos, de tal forma que as grandes grifes não se furtaram a desenvolver modelos iguais para elas. Esse estilo, claro, foi  copiado para os óculos de Maria Laura Roza Horta e a mãe Luciana Roza de Horta. Bem nessa ordem. Primeiro, a filha escolheu o modelo para depois a mãe usar um igual. “No começo, eu achava que iria pagar mico com meus amigos e amigas da escola, mas depois desencanei e deixei minha mãe usar”, confidencia Maria Laura com seu ar de responsabilidade. De fato, bem expansiva e articulada, Maria Laura parece ir além dos seus 8 anos, mas transparece que é estudiosa (estuda em escola bilíngue, português/inglês e aprendeu uma terceira língua, o espanhol, por conta da nacionalidade do pai). Mas como boa brasileira Maria Laura escolheu um modelo azul e verde “porque são as cores do Brasil, né? Achei muito legal”.

 

Você sabia?

Ray-Ban, Oakley, Prada, Chanel, Versace... parece haver muita variedade. Mas não é bem assim. Os óculos de todas essas marcas são desenhados e fabricados por uma única empresa: a italiana Luxottica, desconhecida por grande parte dos consumidores, mas protagonista do mercado de óculos de marca.

Segundo a revista Forbes, 80% das marcas de luxo do mercado mundial de óculos de sol, que movimenta US$ 28 bilhões ao ano, é controlado pela firma italiana com base em Milão.

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