Tribuna do Leitor

Devemos andar na contramão!

João Ricardo Siqueira Godoy - Corretor de Imóveis
| Tempo de leitura: 3 min

Calma, não se assuste, não se trata de apologia para infringir as leis de transito, a questão é muito mais profunda e complicada, e depende de cada de um de nós. Explico. É notório o clamor coletivo por mudanças, por dias melhores, por um país mais justo, entretanto, em meio a tantas discussões acaloradas nas redes sociais e mesas de bares, passeatas com militantes inflados por suas ideologias, noticias bombásticas na mídia das operações policiais e prisões, o cidadão comum pode estar até se entusiasmando acreditando que agora vai, que estamos prestes a alcançarmos o status de nação livre, democrática e justa. Lamento, mas não é bem assim ! É preciso algo mais, é preciso a participação de todos, é preciso ir à contramão da maioria, fazer o inverso do que a grande massa faz, pois só é possível mudarmos o coletivo através do indivíduo.


Não basta se indignar com a corrupção endêmica instalada nos governos e repartições públicas e continuar com as mesmas práticas arcaicas e pouco civilizadas de querer sempre levar vantagem em tudo e a todo custo, fechando os olhos aos desvios de conduta quando são praticados por nós, ou por pessoas próximas, ainda que teoricamente pequenos e aparentemente inofensivos, como por exemplo estacionar em fila dupla na porta do colégio, utilizar as vagas de idosos e deficientes sem ter esta prerrogativa, humilhar, explorar ou mesmo ignorar os prestadores de serviços sob seu comando, comprar recibos para sonegar no imposto de renda, furtar energia e sinal de TV a cabo, jogar lixo pela janela do seu carro, e tantos outros “pequenos” deslizes éticos morais que culturalmente aprendemos a praticar e cultivar.


A soma destes pequenos atos de corrupção, omissão e falta de civilidade resultam num país de terceiro mundo chamado Brasil, que atualmente está à beira de um colapso sócio-econômico. Daí a necessidade que, de forma individual, devemos estar sempre na contramão de tudo e de todos. Se você acha a TV a cabo cara demais ou você não pode pagar neste momento por esta programação, simplesmente não tenha! Não faça o chamado gato! Trabalhe uma hora a mais do seu dia para poder ter.


Se a conta de energia é alta demais, ao invés de desviar o cabo para burlar a leitura, economize no banho, no ar condicionado, nas lâmpadas etc... Ao invés de parar seu carro em fila dupla e prejudicar o trânsito da cidade, chegue mais cedo para buscar seu filho na escola e isso não for possível, estacione longe e vá andando. Aproveite a volta para conversar com seu filho, te garanto que vai ser legal. Sabe aquela vaga reservada para idosos e deficientes? Então, não interessa que “é só um minutinho”, isso é desculpa de preguiço ou arrogante.


Chega dessa mania de justificar que todos fazem e eu faço também, de argumentar que não adianta eu fazer por que ninguém mais faz. Que se eu não entrar no esquema de corrupção da empresa ou das prefeituras eu vou estar fora do jogo. Denuncie, documente tudo e entregue para as autoridades e para imprensa. Enfim, temos que sair da zona de conforto, do mais do mesmo, da inércia. Temos que ir na contramão! Se você fizer uma reflexão sobre sua vida e concluir que está tudo bem e que nada precisa ser mudado, sinto em lhe informar que estarás completamente enganado, conformado ou acomodado. Nascemos para evoluir e progredir constantemente, isso é regra natural e inerente à espécie humana.


Erra quem discursa que temos que ser exemplos para nossos filhos e para a sociedade, na verdade, temos que ser autocríticos e exemplares para nós mesmo, abrindo mão de tudo que é excesso, exagero, soberba, fútil e inútil. Deixando de corromper e ser corrompido, deixando para trás todas essas práticas vulgares e desonestas. Já passou da hora de começarmos a mudar, de forma individual e constante, sempre em frente e com firmeza, sem se importar se vai dar resultado imediato ou não, se vou estar sozinho nestas escolhas, se todos os demais não vão mudar, por isso faço o convite: vamos andar na contramão?

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