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H1N1: com 97 casos suspeitos, inclusive 15 mortes, corrida por vacinas continua

Marcele Tonelli e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Douglas Reis
Vacinação: Núcleo de Saúde da Vila Cardia apresentou grandes filas na manhã dessa quarta-feira (4)
Segundo dia de vacinação em Bauru foi marcado por filas, como ocorreu no Jardim Bela Vista

Até essa quarta-feira (4), Bauru contabilizava 97 casos suspeitos de H1N1. Desse total, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 15 são óbitos, sendo que sete deles são de pessoas residentes na cidade. Enquanto os resultados do Instituto Adolf Lutz são aguardados, vale ressaltar que Bauru contabiliza oficialmente, até o momento, um caso confirmado de H1N1: o de uma mulher de 49 anos que foi tratada e está bem. Confirmações à parte, o fato é que a doença tem tirado o sossego de muita gente.

Nessa quarta (4), Bauru teve o segundo dia de vacinação dos grupos de risco e grande parte dos postos de saúde registrou filas. Em um deles, a espera foi de quase quatro horas.

Nesta quinta-feira (5), a campanha deve seguir nas 23 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), já que as 32 mil doses que chegaram nessa quarta e somaram-se às aproximadamente 1 mil doses que haviam restado do primeiro dia de campanha ainda não acabaram. “O estoque não é grande, mas todas as UBS possuem doses ainda”, alerta Ezequiel Santos, diretor da Vigilância Epidemiológica do município.

Vale lembrar que, no último sábado (30), “Dia D”, a vacinação começou e terminou. Por conta da grande procura, as doses acabaram e a campanha ficou suspensa até essa quarta.

NOVO PEDIDO

Prevendo maior número de adeptos à imunização com a aproximação do final de semana, a prefeitura, inclusive, já solicitou mais um lote de vacinas para reforçar a campanha, que deve se prolongar até o próximo dia 20 e vacinar até 80 mil pessoas.

Os demais

Posteriormente à etapa da imunização do grupo de risco (crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, idosos, profissionais da saúde, povos indígenas e pessoas portadoras de doenças crônicas e outras doenças que comprometam a imunidade), a campanha deve partir para uma segunda etapa, destinada à população em geral. “Mas tudo isso depende de estratégias que serão traçadas em conjunto com o Ministério da Saúde”, pondera Ezequiel Santos.

A prefeitura deve divulgar o balanço oficial de imunizados somente na próxima segunda-feira (9). Até agora, o município recebeu cerca de 64 mil doses. “Acredito que estamos quase atingindo os 80% do grupo alvo. É que não temos uma população definida dos portadores de comorbidades”, frisa Ezequiel.

Segundo ele, apesar das filas registradas durante o período da manhã, não houve nenhum tumulto ou registro de queixas em relação aos lotes de vacinas. “Na verdade, vemos essas filas e o desabastecimento como algo positivo, porque indica que mais pessoas estão sendo imunizadas em menos tempo. Se a procura continuar grande, pode ser que a campanha se encerre até antes”, acrescenta o diretor da Vigilância Epidemiológica.

“Sempre tem uma unidade ou outra que registra algum problema com pessoas que não estão no grupo de risco e querem ser vacinadas”, completa. Nessa quarta-feira (4), também foi dia de vacinação para os funcionários dos hospitais do município e das unidades de urgência e emergência.

‘Essa demora acaba com a gente’

Douglas Reis
Roberto Noya ficou quase quatro horas na fila nessa quarta-feira (4)

No mesmo dia, a reportagem do JC esteve no Núcleo de Saúde da Vila Cardia e encontrou grandes filas. Já no posto do Bela Vista, teve quem esperou quase quatro horas até ser imunizado.

É o caso do aposentado Roberto Noya, 77 anos, que chegou no posto às 6h. “E a fila já dobrava a esquina”. Com medo de ficar sem a vacina, como aconteceu com muitos no domingo, Roberto não poupou esforços.  Esperou até 9h50. “Essa demora acaba com a gente”.

A aposentada Jovina Rosa Custódio, de 72 anos, também estava na fila. Por volta das 7h, ela já garantia a senha do marido, Odório Custódio, 74 anos, que sofre de problemas cardíacos. “Ele ficou em casa porque, se viesse antes comigo, seria muito desgastante”, pontua.

Apesar de todo empenho, quando Odório chegou ainda tinha uma dezena de pessoas na sua frente. “Estou com dor na perna por causa de uma tendinite e bastante cansado de ficar esperando. Não é fácil”, criticou o homem.

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