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| Fernando Monti esclarece que exames não serão utilizados em grande escala |
A Prefeitura de Bauru tentará “mapear” a intensidade da circulação dos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti na cidade. Para isso, está contratando um pacote de exames laboratoriais para diagnóstico de dengue, zika e chikungunya, que serão utilizados para pacientes com sintomas das doenças.
O serviço não será disponibilizado em larga escala, pois o objetivo primeiro da administração não é fornecer o diagnóstico a todas as pessoas. Os pacientes serão selecionados aleatoriamente, seguindo, é claro, alguns critérios como o grau de incidência de casos suspeitos nas diferentes regiões do município.
Secretário de Saúde, Fernando Monti estima que os exames sejam realizados uma vez por semana pelo período de um ano. O diagnóstico será solicitado apenas para a doença cujos sintomas se apresentarem, já que há diferenças identificadas clinicamente entregue a dengue, o zika e chikungunya.
Não há número pré-definido de testes para cada um dos vírus. Dentro do teto do contrato, as solicitações se darão de acordo com a demanda.
AMOSTRAGEM
O Instituto Adolfo Lutz realiza exames para as três doenças transmitidas pelo Aedes, mas, de acordo com Fernando Monti, a abrangência de suas atividades não permite ao município mapear a atividade viral em Bauru.
No caso do zika vírus, por exemplo, o diagnóstico só é providenciado em mulheres gestantes, em função da possível associação entre a doença e a microcefalia de bebês. Ou seja, o poder público não consegue atestar se a maioria das pessoas que procuram o sistema de saúde com sintomas do zika foram ou não infectados pela doença. Talvez por este motivo, até hoje foram confirmados dois casos de contaminação pelo vírus em Bauru.
VARIAÇÕES
Quanto à dengue, os exames contratados diretamente pelo município identificarão quais dos quatro tipos do vírus estão circulando na cidade. Além disso, Fernando Monti observa que, apesar de não haver critérios tão restritivos quanto no zika, há limitação na quantidade de diagnósticos oferecidos pelo Adolfo Lutz para a Prefeitura de Bauru.
Quando a cota chega ao fim, como ocorreu em meio à epidemia de 2013, o município é obrigado a contabilizar os casos da doença através de avaliações clínicas, caso não disponha de recursos próprios para providenciar os exames.
Bauru já registrou, neste ano, 880 casos de dengue, sendo 848 autóctones e 32 importados. Uma das vítimas morreu.
POUCOS CASOS
A expectativa é de que os exames de chikungunya sejam os menos utilizados pelo contrato. Até hoje, apenas um caso importado foi confirmado. Outra suspeita importada foi descartada e ainda há outros duas situações em investigação.
Sem licitação
O contrato com a empresa Giafferi Medicina Laboratorial tem valor de R$ 41.500,00, mas, como a legislação permite aditivos de até 25%, a Secretaria Municipal de Saúde poderá requisitar até R$ 51.875,00 em serviços. Está prevista a requisição de quatro tipos de exames, com custos unitários diversos: o NS1 (para a dengue em primeiros dias de sintoma) por R$ 35,00; dengue em estágio avançado de sintomas por R$ 340,00; zika por R$ 390,00 e chikungunya por R$ 240,00. O contrato foi celebrado sem licitação e, segundo Fernando Monti, os valores estão compatíveis com a realidade do mercado.
“Tomamos todos os cuidados com essa que é a principal preocupação em relação ao poder público. Optamos pela dispensa da licitação porque essa é a mesma empresa que já faz os exames laboratoriais. Não faria sentido uma seringa para o hemograma e outra para o exame de dengue”, justifica o secretário de Saúde. O dinheiro que financiará os exames não é proveniente da arrecadação municipal, pois vem do fundo do SUS destinado a procedimentos de média complexidade.
