| Reprodução/Samantha Ciuffa |
| Nessa quinta (5), Deco tentou matar o rapaz que teria participado do atentado contra sua irmã, porém, foi preso em flagrante |
Desde o início de abril, Bauru virou uma espécie de cenário de filme de “faroeste”, já que o assassinato de Daniel Rodrigues Soares, 20 anos, culminou em uma série de crimes. Foragido, Jeferson Correa Chaves, o Deco, de 22 anos, foi apontado como o autor do homicídio e teve sua prisão temporária decretada. Nessa quinta-feira (5), ele tentou matar o rapaz que teria participado do atentado contra sua irmã e foi preso, fato que pode dar fim a essa rede de vingança.
Conforme o JC já publicou, testemunhas apontaram que Deco atirou em Daniel na quadra 4 da rua Paulo Rodrigues Prado, na região do Mary Dota, no dia 8 de abril. A vítima morreu ao dar entrada na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da região. O rapaz andava pela rua com um amigo, quando o autor apareceu. Deco foi acusado de matá-lo com seis tiros, sendo dois na nuca, um no ombro esquerdo e outros três na barriga. Depois, ele fugiu a pé.
Na época, o delegado Kleber Granja havia registrado o crime como homicídio duplamente qualificado, já que o autor utilizou meio que impossibilitou a defesa da vítima e o motivo foi fútil. Granja representou pela prisão temporária de Deco, já cogitando a possibilidade de que ele conseguisse fugir do flagrante. Três dias antes, o suspeito foi baleado por um policial militar, após fugir de uma blitz, no bairro Quinta da Bela Olinda.
Vingança - capítulo 1
Dois dias depois do homicídio, Deco continuava foragido e sua irmã, Samantha Chaves Prado, 18 anos, levou cinco tiros em frente à casa de uma amiga, na quadra 1 da rua Paulo Rodrigues Prado, a três quarteirões de onde ocorreu o primeiro crime. Gustavo Ferreira Garcia, conhecido como Maranhão, de 18 anos, foi acusado, pela própria vítima, de ter disparado contra ela.
Embora tenha levado quatro tiros no pescoço e um na coxa, a moça sobreviveu e o caso, portanto, foi registrado como tentativa de homicídio. Já o rapaz que foi apontado como autor do crime fugiu e, até agora, não foi localizado. Ele também foi testemunha do homicídio de Daniel, no dia 8 de abril.
Vingança - capítulo 2
Ainda foragido, Deco soube do atentado contra sua irmã e, com medo de que a vingança se estendesse à sua esposa e filhos, ele disse à polícia que “se adiantou”. Nessa quinta (5), ele atirou em Ebert Thiago Cortelo Bassoto, 27 anos. O rapaz, que foi atingido por um tiro na região da bacia, seria o condutor da motocicleta utilizada na tentativa de homicídio contra a irmã de Deco. A vítima sobreviveu e permanece internada na UPA do Mary Dota.
É o que explica o 1.º tenente da Polícia Militar (PM) Tiago Francisco dos Santos. Segundo ele, Deco atirou em Ebert por volta das 8h30 dessa quinta (5), entre as quadras 2 e 3 da rua Josino Araújo, no Jardim Mendonça. “Ele e outro sujeito, que não foi identificado nem localizado, estavam em um Gol preto e os tiros saíram de dentro do veículo, como relatou a própria vítima. Esta voltava para casa depois de levar o filho na escola”, narra.
Perseguição
Em seguida, a PM foi acionada e deu início às buscas por Deco. Para tanto, todas as viaturas da 4.ª Companhia e até o helicóptero Águia foram utilizados. “Recebemos a informação de que o suspeito estava em uma residência na rua Natal Fornazari, também no Jardim Mendonça, mas ele só havia estacionado seu carro na garagem da casa. A proprietária disse que Deco pediu a vaga emprestada, parou o carro e saiu a pé”, conta o tenente Tiago.
Dentro do veículo, a polícia encontrou uma cápsula de calibre 22, que foi apreendida. Depois, a PM recebeu mais informações sobre o caso: Deco havia invadido uma residência na rua Luziano Marcelino, no mesmo bairro, para se esconder. Dito e feito. O rapaz foi, de fato, encontrado lá. Ele confessou que matou Daniel e que tentou fazer o mesmo com Ebert, mas não disse onde escondeu a arma do crime.
Voltou do Paraná para matar...
Encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ), Deco disse ao delegado Luiz Cláudio Massa que matou Daniel, porque devia R$ 20 mil à vítima e não teria condições de pagar. “Ele disse que comprou um carro do rapaz, mas que o preço combinado era menor do que ele passou a cobrar. Deco também contou que Daniel o ameaçou de morte, caso não pagasse”, reforça o delegado.
Quanto ao crime dessa quinta, registrado como tentativa de homicídio, o suspeito também confessou tê-lo cometido e disse, ainda, que a vítima, além de ter participado do atentado contra sua irmã, vinha ameaçando sua esposa e filhos. “Foi premeditado, porque ele saiu do Paraná só para atirar no rapaz, que tem passagem por tráfico e furto”, diz. Deco foi levado à Cadeia de Avaí e a Polícia Civil seguirá investigando o caso.
Deco foi baleado pela PM há um mês
Além do violento “efeito dominó” decorrente do assassinato cometido em 8 de abril, outra ocorrência policial poucos dias antes envolvendo Jeferson Correa Chaves, o Deco, ganhou destaque em Bauru.
Conforme o Jornal da Cidade noticiou, um policial militar de 31 anos foi preso, no dia 5 de abril, após atirar em um carro durante uma perseguição. Condutor do VW/Santana, Deco não era habilitado e fugiu de uma blitz, no bairro Quinta da Bela Olinda. Ele e uma adolescente de 17 anos foram atingidos.
Após apresentar versão contraditória a imagens de câmeras de segurança, o soldado, que estava em uma moto, foi indiciado por lesão corporal grave. No dia seguinte, ele foi solto, após alvará concedido pela Justiça. Dois inquéritos foram instaurados: um transcorre na Polícia Civil, que elaborou o flagrante por lesão corporal, e outro, na PM, que apura as circunstâncias e as responsabilidades do policial.
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