É surpreendente como alguém que se qualifica como professor de história/USP e diretor de uma unidade de ensino (Instituto de Ensino D’Incao) assina um texto carregado de inverdades e caracterizado, com certeza, por preferências ideológicas, e não como historiador, docente ou um gestor ponderado. O professor Carlos D’Incao, em seu texto (JC de ontem), priva os leitores da reflexão que os permitiria tirar suas próprias conclusões. É sabido que um fato real, que envolva pelo menos duas partes, possui no mínimo três versões: a versão de cada uma das partes e a verdadeira.
Ao carregar no verbo sobre sua exclusiva opinião, o prezado docente e dirigente de uma instituição de ensino erra na sua missão de educador. Temo muito se todos seus alunos acreditarem na sua versão dos fatos. Se não bastasse o posicionamento fantasioso do prezado professor, o texto está repleto de inverdades e parcialidades que ferem o bom senso e aos conhecimentos mínimos que um cidadão possa possuir sobre a atual conjuntura por que passa no país. Ninguém nesse país pode descumprir a lei sem ser responsabilizado por seus atos. Isso é constitucional. Aliás, Constituição que o Partido dos Trabalhadores recusou-se a assinar no momento da sua promulgação, em 1988.
Nesse momento, esse mesmo partido e os demais que o apoiam invocam a Constituição, rejeitada anteriormente, para sobreviver no poder em nome de uma “democracia” tingida de vermelho e, por princípio, “nós estamos certos e eles estão errados”. Nada na vida é absoluto. Tudo é relativo. Fundamentar o texto em um recorte é um absurdo para quem tem a missão de educar e esclarecer os fatos na sua amplitude.
A crise em que se encontra nosso país teve sua gota transbordante no ano de 2015, quando não se conseguia mais esconder as consequências das decisões desastrosas nos últimos cinco anos. A “presidenta” Dilma já iniciou o primeiro ano de seu mandato com sérios problemas econômicos por conta de gastos públicos executados, além do suportável, visando à eleição da “presidenta” em 2010. O início das “pedaladas fiscais” começa nesse período. Como “estudanta” de economia, ela tinha conhecimento desse fato. A apoteose aconteceu em 2014, visando à reeleição da “presidenta” Dilma. Nunca na história desse país se gastou tanto sem ter recursos para isso e tantas promessas foram feitas sem terem a mínima condição econômica de serem cumpridas. Pois bem, a “presidenta” foi reeleita e um mês depois começou a por em prática o verdadeiro “Golpe”.
O verdadeiro “Golpe”, professor Carlos, é o “estelionato eleitoral” praticado pelo governo e seus cúmplices contra o povo brasileiro que acreditou nas promessas de campanha da “presidenta” e que o país era bem administrado pelo atual governo. Tanto que quem não acreditou nesse cenário votou contra. E não foram poucos. A irresponsabilidade na gestão desse país pelo atual partido governante pode ser medida por um único indicador. Nos quase 14 anos em que se encontra no poder, a dívida pública interna cresceu cinco vezes. Projeta-se que chegaremos com nossa dívida interna em 2016 a R$ 3,3 trilhões de reais. Em dezembro de 2002, era da ordem de R$ 600 bilhões de reais.
Portanto, professor Carlos, isso sim é “Golpe” contra o povo brasileiro. Só esse fator poderá comprometer o futuro profissional dos seus atuais alunos. Sem contar com tantas outras mazelas do estado brasileiro nas suas três esferas administravas: municípios, estados e união. Sem dúvida alguma, devo concordar apenas em uma afirmação do seu texto: “O golpe mais ridículo da história”, ou seja, o “golpe eleitoral de 2014 e o projeto de poder do PT”.
Espero que os historiadores façam justiça aos fatos e registrem a forma vergonhosa com que esse governo, autodenominado de “popular” e voltado para a carência social da população, praticou uma gestão danosa ao patrimônio da nação e encerrará seu projeto de poder deixando o país em situação pior do que recebeu, bem como o maior nível de corrupção institucionalizada. Desejo que o prezado professor faça uma revisão do seu texto e contemple seus alunos com uma versão mais equilibrada da atual situação do país. Nem tudo é certo e nem tudo é errado. Pense nisso.
O autor é professor, doutor do Departamento de Engenharia de Produção, da Faculdade de Engenharia da Unesp Bauru