Geral

Maternidade teve uma atuação de "remédio" contra câncer

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

Alex Mita
Presente iluminado:  Nathâni terá seu primeiro Dia das Mães ao lado de Helena Luz e do marido Pedro Henrique Fenis

Aos 20 anos, Nathâni Thainá Ruiz Pereira viu seu sonho de ser mãe ameaçado por um linfoma (tipo de câncer sanguíneo). “O médico disse que o tratamento oncológico poderia me deixar estéril”, lembra. Mas esperança de carregar um filho nos braços a ajudou a superar a doença. “Eu queria sobreviver para experimentar esse momento”, conta.

Hoje, com 24 anos, ela pode comemorar duas vezes. Além de superar o câncer, ganhou o presente que mais desejava. Nathâni terá seu primeiro Dia das Mães ao lado de Helena Luz, que veio ao mundo na última segunda-feira (2) para trazer mais brilho à vida dela e do marido Pedro Henrique Fernandes Fenis, 25 anos.

O segundo nome da menina resume bem a luta da jovem para engravidar. “Ela é uma luz, um milagre concedido por Deus”, define. Isso porque, ao saber que as sessões de quimioterapia poderiam comprometer a possibilidade de alcançar uma gestação, Nathâni decidiu fazer procedimento de fertilização através de congelação de óvulos.

Por conta do método, ela optou por adiar o início do tratamento oncológico em um mês, assumindo todos os riscos. “O linfoma estava no grau 3 e o máximo, em termos de gravidade, é o 4. Porém, a vontade de ser mãe era tanta que eu decidi arriscar, pois, na minha cabeça, era a única chance que eu tinha de conseguir ter um filho”, relata.

Gravidez

Em maio de 2012, a jovem, enfim, venceu o câncer. De lá para cá, ela foi submetida a avaliações frequentes de prevenção para o caso de a doença voltar. Em um dos exames, em setembro do ano passado, Nathâni descobriu que estava grávida. “Eu nem desconfiava. Achava que não ia conseguir, que precisaria usar os óvulos congelados”, afirma.

“Foi uma surpresa. Chorei muito de emoção”, completa a jovem. Ela conta que teve uma gestação tranquila. “Correu tudo bem, graças a Deus”.

Nesse sábado (7), em seu quarto dia de vida, Helena Luz já saiu de casa para fazer o exame do pezinho. Nathâni não escondeu a felicidade e demonstrou bastante zelo pela filha. “Espero que ela seja bem iluminada e nunca passe por tudo o que eu passei”, disse emocionada. 

Mulheres superam câncer e viram mães

Por Edison Veiga

Conheça histórias de mulheres realizadas, que comemoram duplamente o Dia das Mães, pois venceram um diagnóstico negativo e realizaram o sonho de gerar uma criança

Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Kellis Anastacio Vito, 41 anos, com o filho Cauã; em 2011, em exames de rotina, ela foi diagnosticada com câncer no colo do útero

“Às vezes até esqueço que passei por tudo isso.” Carteira em Mirandópolis, no Interior paulista, Patricia Alves de Oliveira Moraes, 28 anos, é uma mãe que venceu todos os prognósticos médicos: superou um câncer no ovário durante a gestação e vai comemorar o Dia das Mães mais uma vez ao lado da filha, Estela Vitória, 7 anos.

“Ela se chama Vitória porque foi uma vitória, né?”, diz Patricia. O drama todo foi vivido em 2008. Descobriu que estava grávida no segundo mês de gestação. Logo na primeira consulta pré-natal, o que era alegria se transformou em pânico. “Fui diagnosticada com câncer. E era um caso muito agressivo”, conta. “A médica que primeiro me atendeu foi taxativa: eu perderia (o bebê).”

Encaminhada para o Hospital de Câncer de Barretos, também no Interior paulista, passou por uma cirurgia e começou a quimioterapia. “Assinei um termo de ciência de que poderia sofrer um aborto em virtude do tratamento”, diz. Seis meses mais tarde, uma nova cirurgia: desta vez, o parto. “Um pediatra retirou a neném e, em seguida, um oncologista já tirou o tumor. Tudo na mesma operação.”

Dia das Mães também se tornou uma data simbólica de superação para a publicitária Kellis Anastacio Vito, 41 anos. Em 2011, em exames de rotina, ela foi diagnosticada com câncer no colo do útero. Na época, morava em Birigui, no Interior paulista - hoje vive no Recife, em Pernambuco. “Os médicos disseram que eu teria de tirar o útero e estavam preocupados porque eu não tinha filhos”, diz. “Confesso que não tinha mesmo intenção de me tornar mãe. Estava conformada.”

Foi em Barretos que o panorama mudou. Os médicos optaram por uma cirurgia menos agressiva, tirando boa parte do colo do útero, mas preservando a estrutura necessária para uma gravidez. “Eles me conscientizaram: diziam que eu ainda poderia conhecer alguém no futuro e querer ser mãe”, conta.

Profecia

Em 2013, Kellis conheceu Kleber Luiz Vito, funcionário de uma empresa calçadista, hoje com 31 anos. “Começamos a namorar e ele foi comigo na última consulta de acompanhamento do meu tratamento do câncer, justamente quando o médico ‘liberou’ uma gravidez”, diz. Foi uma gestação de risco, exigindo muito repouso. Cauã é um menino saudável de 2 anos e 5 meses.

De acordo com o pesquisador Marcelo de Andrade Vieira, cirurgião oncológico da instituição de Barretos, as chances de uma mulher engravidar após a retirada desse tipo de tumor são muito baixas porque um efeito colateral da cirurgia costuma ser o estreitamento do anel endocervical do colo do útero. “Se nenhum cuidado for tomado, eu diria que em 80% das pacientes a chance de gravidez vai a zero”, afirma.

Incomodado com isso, ele inventou, em 2012, um dispositivo plástico para colocar no anel durante a cirurgia, preservando-o aberto. Com isso, as chances de gravidez passam a ser de 60% - em uma mulher sem o problema, o índice é superior a 95%.

Resultado

De lá para cá, 18 pacientes já usaram o dispositivo. Uma delas é a gerente financeira Ana Paula da Silva Azevedo, 32 anos. Moradora de Naviraí, em Mato Grosso do Sul, ela descobriu o câncer no fim de 2014. O primeiro médico que a atendeu, na vizinha Dourados, recomendou um tratamento agressivo. “Ele queria retirar imediatamente útero, ovários, trompas, tudo”, conta ela.

Mãe de um filho - Lucas Daniel, hoje com 8 anos -, Ana Paula já estava no segundo casamento, com o encarregado de operações André José da Silva, atualmente com 32 anos, e queria ser mãe de novo. A equipe do médico Vieira assumiu o caso, em Barretos.

Ana Paula fez a cirurgia em março de 2015. Em janeiro deste ano, o médico a liberou para tentar engravidar, se quisesse. Dito e feito. “Estou grávida de 15 semanas”, afirmou, na quinta-feira. “Ainda não sei se é menino ou menina. Mas já tenho os nomes: ou Vitor ou Vitória, porque esta criança é a vitória da minha esperança.”

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