Geral

Entrevista da semana: Susana Nogueira Libório Godoy

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Samantha Ciuffa
 Susana atua na Cultura de Bauru desde 1985

A entrevistada deste domingo (8) tem uma história intensa e afetiva com Bauru e com o serviço público. Susana Nogueira Libório Godoy, atual diretora da Divisão de Ação Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, está na prefeitura desde os tempos de estágio, trabalhou com Tuga Angerami e, ultimamente, vem sendo reconhecida por seu trabalho na pasta comandada por Elson Reis.

Ela que já passou por diversos cargos da secretaria, inclusive de confiança, também faz os cerimoniais dos eventos municipais, como na escolha da rainha do Carnaval. Ainda atua diretamente com bastidores da organização das atividades. E já que hoje é o Dia das Mães, Susana, que tem três filhos, também fala sobre a relação familiar. Confira.

Jornal da Cidade – Como teve início a sua história com Bauru?
Susana Nogueira Libório Godoy – Eu vim para Bauru em 1975. Meu pai era militar e veio transferido. Eu adorei a cidade, mas no começo foi um choque. Meu primeiro endereço aqui foi na avenida Duque de Caxias. Nossa casa e a de um vizinho eram as únicas da quadra, a gente achava que estava morando em um sítio (risos). Era muito louco ver os bodes e as cabras na avenida. Meu pai fez um jardim e, de repente, havia cabras comendo as plantas (risos). E hoje a Duque é totalmente urbanizada e uma das principais vias da cidade. Por outro lado, a nossa qualidade de vida foi muito maior. Eu e meus dois irmãos brincávamos na rua, sem perigo, o que seria impossível em São Paulo. Aprendi a gostar de Bauru, formei minha família aqui e me sinto uma legítima bauruense.      

JC – Foi em Bauru que você também estudou?
Susana – Sim. Eu estudei na então Fundação Educacional de Bauru, que depois passou a ser Universidade de Bauru (UB). Minha turma foi a última a se formar na UB, que foi encampada pela Unesp. Eu fiz Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas. Eu gostei muito do curso, que me ajudou e ainda ajuda no meu trabalho na Cultura.  

JC – O que mais marcou você na época da faculdade?
Susana – O curso de Relações Públicas sofria muitos preconceitos, como o de ser um curso só de “festinhas”.Nós queríamos mudar tudo isso. Com um grupo de amigas, decidi fazer o trabalho de conclusão de curso com algo diferente. Começamos a pesquisar o trabalho da relações públicas comunitária e percebemos que havia pouquíssimo material sobre isso. Pensamos em implantar o Sindicato das Bordadeiras, porque duas meninas de Ibitinga estudavam conosco, trabalhavam com o bordado e falavam sobre as dificuldades que havia. 

Samantha Ciuffa
Família: Susana com o marido Marcos e os filhos João Pedro, Mariana e Fernanda
 Ela é são-paulina e ele, corintiano. Susana relata: "Eu acredito que o poder público pode trabalhar com qualidade"

JC – Foi um desafio?
Susana – Sim! No primeiro momento foi difícil convencer as bordadeiras da importância de um sindicato. Fizemos pesquisas, conversamos com elas e batalhamos. A proposta saiu do papel. Na época, o ministro do Trabalho foi até Ibitinga e as meninas, Cássia e Josi, foram até para Nova York falar sobre a implantação desse sindicado via curso de Relações Públicas. Foi um desafio muito gratificante. Ficamos muito felizes porque mostramos a nossa atuação profissional fora do empresarial, que até então era muito forte.   

JC – Você é bastante conhecida por apresentar cerimoniais.
Susana – Hoje eu trabalho muito com cerimoniais da prefeitura, não só na Secretaria de Cultura. Já fiz cerimoniais com ministros, secretários de Estado e os cerimoniais do município, com artistas, por exemplo. O Professor Pasquale esteve na abertura de uma das edições da Feira do Livro e eu tive o prazer de fazer o cerimonial. Digo que foi um prazer porque eu respeito muito o trabalho dele. Decidi ler uma poesia para apresentá-lo e, por coincidência, escolhi uma do Mário Quintana, que é o poeta predileto dele (risos). A questão do cerimonial é uma forma de você valorizar o conteúdo daquele evento, além de mostrar respeito com os convidados e público.  

JC – Você atua na Cultura de Bauru há quanto tempo?  
Susana – Eu comecei ainda como estagiária, em 1985. Fiz uns dois anos de estágio e, em 1987, fiz meu primeiro concurso, para agente cultural, o primeiro concurso para o cargo de agente cultura de Bauru. O município sempre foi referência na área cultural para outras cidades. O próprio secretário Elson Reis também era estagiário, na época. Então essa turma foi construindo a política cultural. Na época havia a Casa da Cultura e, apesar de toda a dificuldade, nós conseguimos chegar até a estrutura que a secretaria tem hoje. Poder ter participado desse caminho de construção político-cultural e democratização da cultura é um privilégio.

JC – Qual é o maior desafio da cultura nos dias de hoje?
Susana – Acho que são vários. Primeiro que a gente ainda sofre com limitação de verbas e já se foi o tempo em que se dizia que Cultura se faz só com criatividade. É preciso investimento e formação de quem trabalha na área. Também é preciso discutir com a comunidade. Eu acredito que estamos no caminho certo, sim. Eu acho que a união e a qualidade dos profissionais, e nós temos isso, são fundamentais. Eu acredito que o poder público pode trabalhar com qualidade.

JC – Por falar em poder público, você já pensou em se candidatar a um cargo público?
Susana – Já fui convidada algumas vezes, mas não quero, não.

JC – Sobre família.
Susana – Estudei com meu marido no ensino médio e, embora os colegas falassem que um gostava do outro, nós só começamos a namorar depois. Éramos muito amigos, de frequentar um a casa do outro, até que percebemos que o sentimento não era só de amizade. Estamos juntos há mais de 30 anos. Eu completei 18 anos em um 24 de dezembro e começamos a namorar no dia 26 do mesmo mês. Nós temos muito em comum e o futebol é uma dessas coisas. Só que eu torço para o São Paulo e ele, para o Corinthians. Temos três filhos lindos, já adultos, e estamos sempre juntos. Acho que a amizade e a união são fundamentais. Outro lado bom do meu trabalho é que eu pude criar meus filhos muito próximos da Cultura. Eles cresceram indo ao teatro, feiras de livros... O que nos deu proximidade e ajudou na formação dos três.

Perfil

Susana Nogueira Libório Godoy
Tem 50 anos e nasceu em São Paulo

É casada com Marcos Plácido Godoy e mãe de João Pedro, Mariana e Fernanda 
Ama ouvir música, especialmente rádio, pela surpresa do que vem a seguir
Amante do futebol, ela é São Paulo, com certeza
Entre suas leituras estão periódicos e material sobre cultura e comunicação
Um filme que ela destaca é “Cinema Paradiso”
Nota 10: Para as famílias, porque é onde começa a construção humana, como o caráter
Nota 0: Para a corrupção, especialmente na área pública, porque atinge toda a sociedade e é inaceitável
E-mail: susanagodoy@bauru.sp.gov.br  

Comentários

Comentários