Jornal da Cidade de 27 de abril, p.3, comentou que as 6 alternativas de soluções propostas para acabar com as inundações na Nações Unidas não agradaram, além do alto custo para sua realização, variando de R$ 165 milhões a R$ 237 milhões, para resolver definitivamente esse problema. Mas antes de avançar nesse assunto, vejamos como a história registrou os passos iniciais culminando, na atualidade, com a construção de seu imenso trecho cruzando a cidade e ligando no sul com a rodovia João Ribeiro de Barros (sentido Jaú-Bauru) e ao Norte com a mesma rodovia (sentido Bauru-Marília).
Partindo da ideia de que o povoado do Bahurú nasceu na região onde o Córrego das Flores desemboca no Rio Bauru e esse córrego, encoberto subterraneamente na Avenida Nações Unidas até alcançar aquele rio, é, na atualidade, quando chove muito, impulsionador das inundações, quando a tubulação que conduz suas águas torna-se insuficiente para tal.
Gabriel Ruiz Pelegrina contou-me que a história desse vale iniciou ainda em 1885, quando Antônio Teixeira do Espírito Santo doou uma parte de sua Fazenda das Flores para a formação do patrimônio do Bahurú. A área doada tinha início na foz desse córrego, subindo em torno de 1.000 metros, na altura da atual rua Primeiro de Agosto, e dali seguindo à direita em linha reta, até alcançar o Rio Bauru novamente, numa extensão em torno de 1.500 metros e deste, a demarcação acompanha esse rio até atingir novamente a foz do córrego.
Na década de 1890, Veríssimo Antônio Pereira doou de sua fazenda outra gleba, aumentando a área desse patrimônio, que somada com a de 1885, passou a ser a seguinte: inicia onde o Córrego das Flores desemboca no Rio Bauru, seguindo este até alcançar a região da atual Praça Itália e, dali, seguindo por uma linha imaginária 70 metros acima da Rua XV de Novembro, avança até atingir novamente o Córrego das Flores em sua parte alta e, no seu curso, a linha imaginária desse perímetro fechava na sua foz. Essa área foi consagrada como o perímetro urbano do Município nascente.
Como os doadores destinaram essas áreas ao Espírito Santo, elas tornaram patrimônio da Igreja e a área foreira, administrada pela Fábrica do Espírito Santo, passou a incidir a enfiteuse sobre as transações de compra e venda imobiliária, com a cobrança do laudêmio. Voltando ao córrego, lembrou-me Gabriel que ele tinha uma água cristalina e potável, tanto que em 1910 sua nascente foi aproveitada pelo engº Sylvio Saint Martin para abastecer de água a cidade, operando com sua captação na cabeceira do Rio Bauru.
Nessa época, o córrego corria em uma área com erosão, dificultando a transposição da atual avenida Rodrigues Alves para o outro lado da cidade, rumo à Vila Cardia e adjacências. Quem atravessasse suas águas atingia a outra margem, o que era difícil por causa da erosão.
Naquela época, Anibal Vigo instalou uma máquina de beneficiar arroz e café em terreno do lado da Vila Cardia e precisou construir uma ponte de madeira para evitar a erosão, sendo ajudado financeiramente pela prefeitura nessa construção. Prosseguirei com o assunto no próximo artigo.
O autor é mestre formado pela Unesp, membro da Academia Bauruense de Letras e colaborador do JC.