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Significado da bandeira das Diretas Já para presidente do Brasil ontem e hoje

Roque José Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

A grande campanha por eleições diretas para presidente da república, que ficou conhecida como “Diretas Já”, que levou milhões às ruas em 1983-84, tinha naquele momento um caráter revolucionário. O país estava sob a Ditadura Militar e os presidentes eram eleitos pelo voto indireto do Colégio Eleitoral, dominado pela Arena, o partido dos militares.


Os partidos operários estavam na ilegalidade. A oposição oficial aos militares era feita pelo partido burguês de maior expressão no Colégio Eleitoral, o MDB. Com o regime militar contestado nas ruas, fábricas, universidades e escolas, a bandeira democrática de eleições diretas servia como reivindicação transitória para alavancar a consciência das massas, mesmo tratando-se de reivindicar meramente a democracia burguesa. Era um contexto onde mesmo a versão burguesa fraudulenta de democracia era negada.


Hoje, a mesma palavra de ordem guarda um sentido contrarrevolucionário. Já temos eleições diretas para presidente a cada quatro anos. Apresentar a democracia burguesa já desgastada como solução para a atual crise política é, queiram seus defensores ou não, uma tentativa de salvar as instituições do Estado burguês brasileiro.


Os que começam a erguer esta bandeira argumentam que é a maneira de tirar o Temer. Contudo, se é verdade que tiraria Temer, colocaria um outro presidente para aplicar o mesmo programa que ele, mas se valendo de uma certa estabilidade e legitimidade conferida pelo fato de ter sido eleito. Isso não resolveria nossos problemas, e dificultaria a mobilização de massas. Além disso, a consigna de “eleições para presidente” agora livra a cara do Congresso Nacional, justo no momento em que se desenvolve um ódio de massas contra essa instituição podre.


Buscar canalizar e organizar a justa indignação popular contra todas as instituições burguesas é tarefa dos revolucionários agora. Nada de reivindicar mais democracia burguesa. Queremos colocar abaixo essa falsa democracia e criar uma verdadeira democracia, de outro tipo: a democracia proletária que está concentrada nas palavras de ordem por uma Assembleia Popular Nacional Constituinte, por um Governo dos Trabalhadores.


O autor é dirigente nacional da Esquerda Marxista e vereador pelo PSOL - Bauru

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