Política

Segurança de projeto para enchentes na Nações terá que ser ampliada

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Engenheiro do DAEE, Sérgio Domingues participou de reunião com secretarias de Planejamento, Obras e Meio Ambiente

Além de não terem agradado, as propostas apresentadas por empresa contratada pela Prefeitura de Bauru para dar fim às enchentes crônicas na avenida Nações Unidas terão que ser parcialmente reformuladas para atender a exigências do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), ligado ao Estado, quanto ao “nível de segurança” das intervenções proposta.

Em obras de drenagem, os riscos são medidos em Tempo de Retorno (TR). Todos os estudos elaborados pela Hidrostudio consideraram o TR de 25 anos. Isso quer dizer que, em média, a cada 25 anos é possível que as chuvas voltem a provocar inundações na via.

O índice é o mínimo aceito para que o Ministério das Cidades libere recursos para financiar o projeto. O DAEE, no entanto, exige TR de 100 anos para autorizar intervenções desta natureza.

Secretário de Obras, Sidnei Rodrigues explica que o apontamento foi feito por técnicos do órgão que participaram da reunião pública realizada no dia 26 de abril, quando as propostas da Hidrostudio para Nações foram expostas.

“Se mantivermos o TR de 25 anos, precisaríamos de licença especial, o que atrasaria demais o processo quando as intervenções forem sair do papel. Só esse trâmite burocrático poderia levar dois anos. Já que contratamos a empresa e temos a possibilidade de entregar o projeto mais completo possível, vamos solicitar as adequações”, afirma.

Sidnei garante que as alterações nos estudos não implicarão em custos a mais para a empresa, cujo contrato com a prefeitura tem valor de R$ 290 mil. O aumento do nível de segurança, no entanto, deve encarecer a obra em cerca de 35%.

CANAL ABERTO

Nos novos estudos, a Hidrostudio também apresentará propostas de, em pelo menos parte da Nações Unidas, abrir o canal do córrego Água das Flores, que hoje corre por baixo da avenida.

Tanto Sidnei quanto a secretária do Meio Ambiente, Lázara Gazzetta, já haviam demonstrado insatisfação com a ausência de propostas que contemplassem essa alternativa, considerada mais sustentável, por possibilitar a implantação de um parque urbano às margens do rio.

Na audiência que discutiu o assunto, o engenheiro Júlio Canholli, da Hidrostudio, ponderou que a saída poderia comprometer parte do leito carroçável da Nações.

O titular da Secretaria de Obras acredita, contudo, que a abertura do canal no trecho do Parque Vitória Régia à avenida Duque de Caxias não comprometeria as pistas para o tráfego de veículos.

Definição

Apesar das adequações solicitadas pela prefeitura, técnicos das secretarias de Obras, Planejamentos e Meio Ambiente já definiram qual das seis propostas apresentadas pela Hidrostudio será detalhada. Trata-se da alternativa que combina o reforço de galerias convencionais na Nações Unidas, entre os cruzamentos da rua Ibrahim Nobre, na Vila Universitária, e da Rodrigues Alves, no Centro; com a construção de dois piscinões: uma sob o playground do Parque Vitória Régia e outra sob a Praça do Líbano. Originalmente, antes das alterações pedidas pelo município, essas intervenções foram orçadas em R$ 165 milhões.

“Tecnicamente, parece a proposta mais viável, inclusive com base no que foi discutida na reunião que chamamos no fim do mês de abril”, diz Sidnei Rodrigues. Os valores dos seis projetos elaborados pela Hidrostudio variavam e poderiam chegar a R$ 237 milhões.

O projeto final, de acordo com o secretário de Obras, pode ficar pronto até o final do ano, mas a busca por recursos junto à União ou ao Estado para viabilizar as obras caberá ao sucessor ou sucessora de Rodrigo Agostinho na Prefeitura de Bauru, já que o município não dispõe de recursos para executar as intervenções necessárias.

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