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Meninas de 3 a 10 anos são as principais vítimas de abusos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Nessa segunda (16), ocorreu o lançamento da campanha “Faça Bonito! Proteja Nossas Crianças e Adolescentes”, no Cáfe com Política, do JC

Na última sexta-feira (13) à tarde, uma criança de 3 anos foi socorrida após ter sua genitália praticamente dilacerada durante abuso praticado por um vizinho. O caso, que segue em sigilo, reforça uma triste estatística em Bauru. Só em 2016, 45 crianças foram abusadas sexualmente. Desse total, 38, ou seja, 84% das vitimas eram meninas entre 3 e 10 anos.

Os dados são de um levantamento realizado pela Secretaria do Bem–Estar Social (Sebes) e divulgado nessa segunda-feira (16), no Café Com Política, do JC, onde ocorreu o lançamento da campanha “Faça Bonito! Proteja Nossas Crianças e Adolescentes”, em alusão ao 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (leia mais abaixo).

O estudo evidencia que as meninas são o principal alvo dos abusadores nos últimos cinco anos, pelo menos (veja no quadro ao lado).

Indefesos

Apesar dos números, a violência sexual contra crianças e adolescentes ainda é algo velado e que muitas vezes não chega ao conhecimento das autoridades. “É algo difícil de constatar. Nem as mães acreditam em um primeiro momento. É preciso estar atento ao comportamento da criança, que é um ser indefeso. Normalmente, ela fica deprimida, acaba se isolando e cai o rendimento escolar”, aponta a titular da Sebes, Darlene Tendolo.

Fragilizadas, com medo e indefesas, as crianças acabam sendo o alvo dos abusadores. Sedutores, eles enchem a criança de presentes e carinho e fingem uma grande amizade, como um lobo em pele de cordeiro e prestes a atacar.

“Os abusadores estão dentro de casa e são da própria família, geralmente. São pais, tios, padrastos, avôs ou pessoas muito próximas à família. Quase sempre do sexo masculino. As mulheres, por sua vez, aparecem como abusadoras quando o assunto é exploração sexual infantil”, comenta Darlene. “São pessoas que possuem fácil acesso à criança e que têm a confiança da família”, acrescenta.

‘Sem sobrenome’

Outro ponto detalhado pela secretária e pela vice-presidente do Conselho Municipal de Direitos da Criança e dos Adolescentes (CMDCA), Simone de Souza, é que a violência sexual não possui “endereço e nem sobrenome”.

“Ela pode estar velada em qualquer lugar, não é questão de dinheiro ou de desestrutura familiar. É o fato de ter próximo ao convívio uma pessoa doente, pedófila”, comenta Darlene.

E o trauma pode demorar anos ou até décadas para ser tratado. “É difícil até para a família superar. Por isso, a importância das políticas públicas de atendimento, acolhimento e acompanhamento tanto da criança quanto da família”, pontua Simone.

Bauru terá caminhada e palestra lúdica contra a violência sexual

A luta de combate à exploração e abuso contra crianças, ganhará força nesta semana em Bauru. Nessa quarta-feira (18), ocorrerá palestra lúdica sobre o tema, com apresentação dos mágicos e ilusionistas Átila e Rosi.

As atividades ocorrem no Teatro Municipal, sendo uma apresentação às 9h e outra às 14h30. Já na quarta-feira, será realiza uma caminhada às 9h30, com início na Praça Machado de Mello, e encerramento na Praça Rui Barbosa.

A Sebes espera reunir até 250 pessoas no local. A campanha é realizada pela Sebes, CMDCA e Casa do Garoto e tem apoio do Jornal da Cidade, da Secretaria Municipal de Cultura e Emdurb.

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