Pais de estudantes que moram na zona rural de Arealva (41 quilômetros de Bauru) estão preocupados com a segurança dos filhos durante o trajeto até a escola. Segundo eles, as peruas, com capacidade para até 12 crianças, chegam a transportar mais de 20. Além do risco de acidentes, eles reclamam do tempo que as crianças, algumas pequenas, têm de ficar dentro dos veículos para que eles possam atender toda a demanda na região.
Marilena Ribeiro dos Santos Camargo, que mora em um sítio em Arealva, conta que os filhos, de 3 e 5 anos, estudam na escola Abilio Francisco de Salles, no distrito de Jacuba, e dependem do transporte escolar municipal. “A perua está vindo com mais de 20 crianças”, revela. “E eu sei que a perua, dependendo do tamanho, tem que estar com 9 a 12 crianças”.
De acordo com ela, no mesmo veículo, são transportadas crianças com idades entre 3 e 12 anos. “Os maiores judiam dos pequenos”, diz. “Nossas crianças não são animais para ficarem todas socadas dentro da perua. O meu filho chega com a boca machucada porque cai, um empurra o outro. Vem criança de pé, um sufocando o outro, criança passando mal”.
Marilena também reclama do longo período que as crianças têm de ficar dentro da perua escolar. Segundo ela, a aula dos filhos começa às 12h30 e termina às 16h10. “Eles saem de casa às 9h30”, declara. “Antes, eles chegavam 17h30. Agora, eles estão chegando às 19h45. Pelo conhecimento que a gente tem, o prefeito está sem verba para arrumar outra perua”.
De acordo com a mãe, essa situação já dura cerca de um ano. Os pais dos alunos defendem a contratação de mais peruas para atender a zona rural e, assim, evitar que os filhos corram riscos e passem mais de seis horas por dia no interior de um veículo. “Nós somos pais e estamos preocupados com os nossos filhos”, afirma. “É um direito das crianças”.
Reunião
Marilena explica que, junto com outros pais de alunos, cobrou da prefeitura uma solução para o problema. “Nós, pais, resolvemos ir na escola e fazer uma reunião sobre o transporte da perua. Isso foi feito com o administrador da prefeitura, só que nada foi resolvido”, reclama. “A gente vai falar e eles fazem pouco caso. A gente não sabe para quem pedir ajuda”.
Acidente
Em novembro do ano passado, perua Kombi que transportava estudantes de uma escola de Arealva até a zona rural bateu em um barraco e tombou, deixando três adolescentes levemente feridos. A prefeitura abriu sindicância para apurar o caso.
Aumento
O coordenador de Transportes de Arealva, Clayton César Clemente de Azevedo, diz que muitas famílias se mudaram para a zona rural, gerando aumento na demanda por transporte escolar. “Só nesse trajeto de Jacuba, entraram 25 alunos novos neste ano”, afirma. Segundo ele, as peruas escolares são terceirizadas. “A gente vai fazer o possível para tentar resolver esse problema. Tem que licitar novamente peruas. Eu tenho que ver com o pessoal da licitação se é possível fazer isso nesse período eleitoral”, explica.