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Palavra de ordem: confiança

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Observo atentamente os movimentos em torno da composição política do atual governo, conduzido pelo vice-presidente em exercício Michel Temer. Da mesma maneira tenho um olhar mais rigoroso com os nomes que indicados para composição da equipe econômica. São nomes, em primeira análise, que transmitem respeito ao mercado.


Não obstante entender que é cedo para qualquer tipo de cobrança no tocante às estratégias para levar o País a um novo ciclo econômico, é certo que os agentes econômicos estão ávidos por mudanças e a paciência destes está se esgotando. Os indicadores se deterioraram todos os meses e a perda de vendas tem forçado a redução de custos, incluindo mão de obra, que leva a perda de margem de lucro (se é que ainda existe). Com isso o endividamento das organizações cresce, portanto, buscar um novo momento para a economia nacional é questão de sobrevivência. É importante ressaltar que a volta do crescimento econômico é fundamental para facilitar o equacionamento do déficit público e a geração de emprego.


Vejo a condução da economia brasileira, tomada às devidas proporções, como a gestão de uma empresa. Imagine que uma empresa não está bem das pernas. Troca-se seu comando e a equipe que assume sua gestão busca os números que permitem diagnosticar qual a real situação da empresa. É evidente que nesta fase não é possível cobrar vendas maiores, novos produtos, reposicionamento no mercado. Até mesmo eventuais enxugamentos de custos podem levar a mais custos no curto prazo, como eventuais indenizações trabalhistas, rompimento de contratos, entre outros.


Mas como o mercado e os que trabalham na empresa enxergariam o que vem ocorrendo na empresa? Se efetuado dentro das questões técnicas, fazendo a lição de casa, os credores, os funcionários e a comunidade em torno da organização criam expectativas de que o caminho é de melhora. O que quero dizer é que ações estruturais demoram mais tempo. Por sinal, as principais medidas que podem equacionar problemas que se arrastam há muito tempo passam necessariamente por uma discussão política via Congresso Nacional com mudanças na legislação.


Então qual é o caminho? Primeiramente deixar claro aos agentes econômicos que o diagnóstico da situação econômica do País é inquestionável, ou seja, aquilo que for levantado e quais efetivamente são as causas dos desequilíbrios existentes são compartilhados pela maioria destes agentes econômicos. Em seguida, é traçar um plano que permita atacar tais causas. Neste momento entendo que surgirá a questão que pode ser um divisor no tocante à caminhada para recuperação econômica do país: resgatar a confiança dos agentes econômicos.


Com confiança de que o País trilhará um caminho sério e seguro, mesmo que demore tempo, gera estímulo aos que estão estagnados. O meio empresarial sentindo que o Brasil saiu da inércia, é estimulados a também sair da inércia. Isso cria um verdadeiro movimento na busca de soluções estruturantes para o País. Não é tarefa fácil, mesmo porque as críticas ao atual governo Temer se acentuarão, posto que a composição política que foi realizada não é unanimidade (o viés político prevaleceu), contudo, a firmeza na condução da política econômica, com estratégias claras de onde quer chegar e como quer chegar, permitirão iniciar um novo ciclo na economia nacional. A palavra de ordem no curto prazo é: confiança. Com ela resgatada, os próximos passos ficam mais suaves.


O autor é economista e articulista do JC 

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